29 de out de 2011

Capitulo 22

Posted by sandry costa On 10/29/2011 No comments


P.O.V – Hellena

Acabei por não contar as meninas sobre Alec, não queria arriscar sua vida por algo tão leviano quando eu poderia inventar uma historia facilmente.
Fui breve, falei que o bar teve uma briga e que eu fugi para passar a noite em algum lugar, acabei achando um lobo que quase morrendo me contou todas aquelas coisas.
Elas perceberam que algo faltava. Algo não encaixava na estupidez que eu contava a elas, mas ficaram tão eufóricas com a primeira noticia que tinham da nossa guerra, que foram correndo contar para nossas tropas.
Ainda não corríamos risco, mas tínhamos receio que começássemos a correr, algo que nunca aconteceu em toda a historia súcubo, sempre fomos quem causava perigos. Lindas e perigosas. E agora, o jogo se virava depois de mais de dez séculos de tradições.
Não falei com Alec nas seguintes semanas, ele disse que iria aos Volturi comunicar o que estava acontecendo e ficaria lá por alguns dias. Pobre Alec, só de imaginar ele tendo que agüentar Jane eu já ficava nervosa.
Passei a sair pouco de casa, e a faltar algumas aulas de musica, treinava com as meninas e inventava desculpas, de repente as notas não pareceram tão convidativas.
Encontrei as sinfonias de Mozart dentro do bolso do meu casaco que eu usei no dia que fui à casa de Alec, elas estavam tão dobradas que cabiam na palma de minha mão. Sorri ao ver as letras rebuscadas dele.
Já ia completar uma semana que ele havia viajado para Volterra quando eu decidi voltar à escola, inventei uma doença, tive de usar um pouco de persuasão, mas foi tudo bem. Eu voltava tarde para casa, depois de horas e horas de treino, teríamos uma apresentação, e foi ai que a guerra começou a se aproximar de nos.
-Súcubo! Súcubo! Me ajude, por favor! – uma vampira louca gritava vindo em minha direção na sua rapidez cotidiana, sorte dela que não havia humanos a menos de um raio de distancia, senão eu teria matado-a.
Só ai eu percebi que se tratava de Beatriza. Ela cambaleava e estava com as roupas rasgadas e cobertas de sangue.
-O que aconteceu? – segurei seus ombros olhando-a de cima a baixo.
-Me atacaram, atacaram a mim e a meu clã, só eu sobrevivi. – ela dizia sufocando com o próprio ar e engasgando com sua saliva. – Ajuda, elas vão me matar, vão me matar. – provavelmente delirava.
Balançava a cabeça para frente e para trás freneticamente e balbuciava palavras em... Búlgaro talvez, não sabia bem distinguir a linguagem usada, só sabia que era bem complicada.
-Ok! Esta bem, relaxe. – tentei acalmá-la lançando uma onda de poder por minhas mãos para seus braços, no instante ela suspirou tremendo os cílios e ficando calma. – Vou te levar a um lugar seguro.
Eu não fazia a mínima idéia de onde levar uma vampira louca e assustada, o único lugar de qual me lembrei foi à casa de Alec. Fui ligando para ele enquanto andava em direção ao lugar, tentando não fazer ninguém ver-la.
Ele atendeu depois de dois toques.
-Sim? – parecia tenso e cansado.
-Alec, temos um probleminha...

-Uma vampira que você conheceu no bar? – ele erguia as sobrancelhas duas horas depois de ter chegado, de Beatriza estar limpa e bebendo um copo de sangue esquentado no microondas.
-Uma vampira que quase me estrupou, você quer dizer. – sibilei.
-Não é verdade! Eu nem iria ate você se Christine não houvesse mandado. – ela se defendeu com fraqueza.
-Christine era a sua líder? – Alec se virou para ela.
A vampira fez que sim com a cabeça. Estávamos as duas sentadas no sofá, enquanto ela bebia aquela coisa doce e quente, e eu tinha que inventar desculpas para Blake.
-Porque ela mandou que chegasse ate Hellena? – Alec continuava com seu tom profissional e sério.
-Ela era uma súcubo, Christie tem o dom de ver outros Fae, mandou eu chegar perto dela para que pudéssemos beber um pouco dela. – falou baixinho, como que envergonhada.
Meu vampiro arregalou os olhos.
-Você tem noção, que beber sangue de outros imortais, é uma das coisas mais proibidas que existem? – falou duramente. Lembrei-me da noite que passamos juntos e corei.
-Como assim? – virei meus olhos para ele.
-Não é bem proibido. – ele logo se concertou. – Mas a pior humilhação que existe é ser usado como humano por outro, como carne, sem a permissão é claro. – acrescentou ao ver meus olhos ficarem maiores.
-Bom... Por isso vocês não gostam das súcubos. – resmunguei.
-E ser viciado no sangue de uma imortal superior... – ele balançou a cabeça. – É uma coisa bem perigosa. Se tem alguém que odeia ter o sangue tomado, são as súcubos. Para elas isso é crime hediondo com pena de morte.
Uma luz se acendeu em minha mente.
-Quem fez isso ao seu bando?
-Mulheres, lindas e assustadoras. Eu havia saído para caçar, e quando voltei já estavam todas mortas, com estacas. Eu não sei como, mas estavam com estacas atravessadas ao corpo. – tremeu. – Fugi...
Eu e Alec trocamos olhares, só tinha três modos de matar um vampiro; queimando-o, decapitando-o, ou usando odol nele.
-Talvez as estacas estivessem bem envenenadas com odol, e se estivessem no coração, o veneno já teria se concentrado todo ali e acabado de vez com o vampiro. – falei mais para ele.
-Acho melhor você dormir um pouco Beatriza. – Alec disse para ela.
-Não! Espere. – segurei seu braço antes de ela subir. – Como me encontrou? – inclinei a cabeça para o lado.
-Éramos um bando especial, sou uma espécie de rastreadora. – murmurou tristemente.
-Agora pode subir. – larguei seu braço.
A vampira fez que sim e subiu as escadas com passos arrastados.
-Hellena, tudo indica que foram súcubo que fizeram isso.
-As corrompidas. – fiz que sim.
-E pior, eu estive com Aro e ele me contou como andam as informações da guerra, todas as criaturas que estão sendo mortas, tiveram um passado antes com súcubos. – ele se sentou ao meu lado.
-Como assim? – franzi o cenho.
-Tiveram rixas, coisas mal resolvidas. Que estão sendo resolvidas agora.
-Estão tentando culpar as súcubos por iniciar a guerra. Tirar a atenção delas. Vadias. – praguejei. – Pode ficar de olho nela por enquanto? Até eu saber o que fazer? – pedi.
-Tenho que ir ao hospital, aquela era minha ultima bolsa de sangue.
-Ok, mas não demore muito lá. Tenho medo só de pensar o que farão com essa daí. – levantei as sobrancelhas e depois as baixei. – Tchau. – dei-lhe adeus e sai o mais rápido que pude.
Lá ia eu mais uma vez inventar historias pela metade. Contei tudo sobre Beatriza, e sobre as minhas suspeitas, fingindo ter sido mais informada do que elas.
No minuto seguinte elas quiseram saber onde a vampira estava, desconversei dizendo que eu deixei ela segura em uma casa em uma cidade perto com um amigo, e isso bastou.
-Que ótimo, elas estão tentando nos culpar agora! – Georgina estourava dentro de casa, como sempre com seu humor explosivamente súcubo do fogo.
-Daqui a pouco todos viram contra nos. – Quenn disse serena.
-Nem mesmo se forem todos os imortais inferiores podem conosco. – Hopp revirou os belos olhos de água.
-Muitos podem morrer com isso. – falei como a boa líder que sou. – Muitos de nossos súditos que querem apenas viver me paz, fugir dos perigos depois dos muros, e nos vamos levar-los a uma guerra suicida?
-Temos nosso próprio exercito. – Georgie continuou.
-Não somos tantas assim. – neguei veementemente.
-Mas juntando nosso poder somos invencíveis.
-Chega! – Blake chiou, os cabelos loiros claros flutuando a sua volta. – Não estamos aqui para discutir como ou não fazer uma guerra! Temos que informar a rainha logo sobre isso, as coisas estão ficando cada vez piores, agora vão dormir!
Mandona do jeito que era, só restava obedecer, e eu tive pesadelos.

Acordei suada. Esses pesadelos já se tornaram cotidianos, eu me comunicava melhor com os mortos por sonhos, mas eles eram freqüentemente macabros e assustadores.
Estava recém amanhecendo. Fui para o chuveiro e limpei o meu corpo.
Hoje era sábado, graças a deus não teria aula. Nossa, como é chato ser humano. Revirei os olhos para mim mesma na frente do espelho.
As meninas ainda dormiam e eu sai pela janela, pousando delicadamente nos arbustos que ficavam embaixo de minha janela. Meu celular apitou no silencioso, era Alec.
-Alô. – disse cantarolando.
-Hellena, precisa vir aqui agora!

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