15 de abr. de 2011

Capitulo 2

Posted by sandry costa On 4/15/2011 4 comments


O lago da eterna tristeza




Os primeiros oito meses passaram e se foram sem eu perceber que o mundo ainda girava independente da minha dor, eu passava boa parte do dia e da noite deitada na minha cama olhando as estações passarem lentamente pela janela do meu quarto, Bella vinha muitas vezes me ver e tentar me animar mas meu coração gelado estava ainda mais morto do que o normal.
Vez ou outra a cada semana eu acompanhava a minha família para caçar e me alimentar, eu realmente não sabia porque ainda fazia isso, parecia tão sem sentido eu me alimentar uma vez que não queria mais permanecer viva; Jasper partiu e deixou um rombo enorme no meu peito, eu não tinha mais qualquer motivo para viver, o mundo perdeu as cores, os odores e os sons... não havia restado nada a não ser uma dor insuportável em mim.
Se eu pudesse chorar... já havia inundado a cidade de Forks apenas com minhas lágrimas.

Este fim de mês de fevereiro trouxe um inverno bem menos rigoroso para anteceder a primavera, as flores já despontavam com milhares de cores diferentes nos jardins e as cerejeiras de Esme floresciam com seus perfumes doces no ar... mas nem mesmo a eminente coloração alegre da primavera alterou o cinza eterno de meu coração. Talvez eu jamais voltasse a sorrir, afinal de contas.
Eu estava deitada na cama, como sempre, olhando para a janela quando eu ouvi a porta do quarto se abrir e Bella entrar vindo deitar-se ao meu lado.
- Hei você... ainda está viva? - ela perguntou dando-me um beijo leve no meu rosto.
- Algumas vezes acho que sim, outras não...
- Se eu te convidar para um programa hoje à tarde... você aceitaria?
- Duvido muito...
- Ah, Alice, eu não agüento mais te ver neste quarto... já faz quase um ano...
- Provavelmente eu levarei mais nove anos para voltar ao normal. – eu disse suspirando.
- Alice... eu não gosto de te ver assim tão tristinha... a casa parece tão sem vida sem você e sua energia saltitante... eu fico mais triste sem você... vamos a Port Angeles hoje, fazer compras?
- Bella, você detesta fazer compras...
- Eu faço isso por você, e, num esforço tremendo apenas para te animar... eu deixo você me vestir como quiser... prometo.
- Não acho que eu tenha inspiração para isso.
- Alice... o que é que custa? Nós vamos e voltamos até a tarde... assim você pode voltar aqui e ficar entocada no quarto mas saia um pouco apenas... por mim?
- Ai ai... você não vai desistir não é?
- Não...
- Está bem, mas prometa que quando voltarmos eu vou poder ficar aqui sozinha. – eu disse desanimada.
- Prometido.

Rosalie e Esme foram conosco até Port Angeles enquanto os meninos da casa se comprometeram a tomar conta de Renesmee... é bom sair apenas com as meninas, eu não cobrei a promessa de Bella de escolher o que ela vestiria e minha infame cunhada fez questão de se vestir simplória e horrivelmente com apenas uma calça jeans e uma camiseta básica branca... uma jaqueta jeans e um tênis. A sorte é que eu estava em depressão ou eu mataria Bella.
O dia estava nublado, ventoso e triste mas a estrada estava agradável enquanto o carro habilmente guiado por Rosalie singrava os quilômetros que nos separavam do shopping center de Port Angeles. Esme tagarelava com Bella que, por sua vez, tagarelava com Rosalie sobre algo idiota que Emett fez ontem à noite mas eu não prestava atenção. A estrada me fazia lembrar de Jasper, ele deveria estar tão longe agora, ou melhor, onde estaria agora? Em que parte do mundo? Será que já havia se apaixonado novamente por alguma vampira nômade mal arrumada? Estaria na Europa, no Alasca ou na África? O que estaria fazendo neste exato segundo? Será que pensava em mim?
- Alice....??? - chamou Esme.
- Hã? Desculpe.. eu não estava ouvindo. – eu respondi distraidamente.
- Eu perguntei se você está se sentindo bem...
- Ah, sim Esme, obrigada... estava apenas pensando longe.
- Acho que isso já está indo longe demais... se você quer sabe Alice. – falou Rosalie numa voz evidentemente impaciente.
- Como é, Rosie? - eu perguntei estranhando.
- Acho que já está passando dos limites essa sua depressão pós-partida de Jasper, sinceramente, já está enervando a todos... ninguém agüenta mais essa sua cara de choro o tempo todo.
- Rosalie... pelo amor de Deus!!! – assustou-se Esme.
- Ah, Esme, é verdade... já faz quase um ano que Alice está nessa de “meu amor me abandonou”, senhor do céu... está certo que você parece uma garota de dezessete anos, Alice, mas não precisa agir como uma adolescente.
- O quê?? - eu falei horrorizada – Mas do que você está falando, Rosalie?? Você acha o quê? Que eu estou fingindo a minha dor? O que você faria se Emett fosse embora....???
- Eu ficaria mal... mas não tanto tempo, qual é? Você é linda, rica e poderosa e fica aí chorando por um homem? Acho que é melhor cancelarmos o Shopping e levarmos Alice num clube de stripper para ela ver uns homens nus....
- Rosie....!!! – foi a vez de Bella se assutar.
- Oh, cale-se Bella, você tornou-se uma dona de casa sem a menor graça também...
- Mas o que você tem, Rosalie? - eu perguntei furiosa.
- Eu tenho a falta de paciência com você Alice... décadas vivendo juntas e eu nunca imaginei que você se tornaria uma chorona de primeira...
- Ah, quer saber minha querida irmã... vai para o inferno, está bem? - eu disse zangada e sem dar explicações abri a porta do carro e saltei para fora.

Eu ouvi os gritos de Bella e Esme quando Rosie freou o carro fazendo os pneus cantarem alto no asfalto. A vantagem de ser uma vampira era justamente poder saltar de um carro em movimento sem morrer ou sofrer um arranhão, eu pousei no solo delicadamente e saí caminhando furiosa pelo acostamento da estrada. Bella correu atrás de mim.
- Alice, por favor, não fique assim, você sabe que Rosalie fala as coisas sem pensar.
- Ótimo, agora por favor, Isabella, me deixe sozinha.
- Mas Alice, aonde você vai?
- Não sei, mas é melhor do que ficar perto de vocês...
Eu sei que Bella fez menção de me seguir mas Esme a segurou, eu queria ficar sozinha e por mais que detestasse ferir os sentimentos de Bella eu preferia não chegar perto de Rosalie neste momento ou poderia arrancar todos os fios de cabelos oxigenados daquela cabeça irritante.
Caminhando por mais algum tempo eu sai do acostamento e me embrenhei na floresta que corria rente ao asfalto, sob as árvores havia um silencio gostoso e tranqüilo... ninguém para dizer que você não tinha o direito de sentir pena de si mesma, eu ainda estava furiosa e por um tempo caminhei com passos pesados pela mata em direção a Forks e minha casa. Até pensei em sair e sumir por uns tempos, ir para outros lugares longe do alcance de todos... mas acho que seria injusto com Carlisle e Esme.
Acho engraçadas as pessoas, o que elas querem afinal? Que eu não sofra? Que eu esqueça Jasper assim de uma hora para outra? É tão fácil pedir para uma pessoa deixar de sofrer, como se você pudesse desligar sua dor como um interruptor... eu estava sozinha, triste e com meu coração despedaçado... por que as pessoas não me deixavam sofrer em paz?

Eu caminhei durante horas sem qualquer rumo pela floresta escura, até que percebi que o meio da tarde já se insinuava sutilmente, eu seguia em direção à casa de Carlisle mesmo fazendo caminhos alternativos que eu jamais antes traçara. Tão sem rumo que finalmente acabei chegando a um penhasco alto e sinuoso e me toquei que deveria estar dentro da reserva La Push, a minha sorte é que nossa família agora era amiga dos lobos quileutes ou há estas horas eu já estaria sem cabeça... o que, nas devidas circunstâncias, não seria tão ruim.
O penhasco era alto e eu ouvia o rugir das ondas se chocando com as rochas lá muito abaixo de mim, o vento aqui açoitava com força o meu rosto de diamante e uma névoa fina começou a se formar no ar, era bom estar ali... apenas eu e a natureza selvagem sem ninguém tentando controlar as minhas emoções... mas, subitamente, eu ouvi o ronco de um trovão e não precisei de clarividência para saber que choveria em breve e, francamente, eu poderia estar mal e com meu coração em cacos... mas de jeito nenhum iria tomar chuva.
Num passo apertado eu rumei para o interior da floresta mas uma estrada lamacenta me cortou o caminho e eu notei que inconscientemente segui para o interior da Reserva e não para fora dela, eu percebi a quão desligada estava para simplesmente ter perdido o rumo desta maneira, enquanto corrigi a rota eu vi, entre os troncos nodosos da floresta uma casa simples de coloração vermelha desbotada onde uma fumaça era expelida tranqüilamente pela chaminé no telhado.

A casa de Jacob Black...

Eu parei pensativa, havia tempos eu não via Jake... na realidade alguns meses já que quando ele nos visitava eu permanecia intocada em meu quarto, neste momento começou a garoar e pensei em talvez pedir a Jacob para me dar uma carona até a minha casa e, desta forma, poupar de destruir os meus sapatos Prada que já estavam sujos por sinal...
Segui indiferente pelo caminho que dava até a porta de entrada da casa que ficava no meio de uma clareira aberta na floresta... não era uma residência feia, fora erguida num estilo campestre típica das residências quileutes... era confortável apesar de pequena, um lugarzinho familiar longe de toda a confusão da minha casa. Bati na porta de leve e um segundo depois eu ouvi o ranger da cadeira de rodas de Billy Black.
Ele abriu a porta e me olhou com um misto de susto e curiosidade.
- Alice Cullen? - ele falou estranhando e olhando para fora para ver se eu estava sozinha.
- Oi, Billy – eu cumprimentei sorrindo o quanto pude – Eu estava passeando pela floresta e sem querer encontrei sua casa... Jake está por aí?
- Sim, ele está na garagem lá atrás mexendo no motor do carro... você está com algum problema, Alice?
- Não, Billy, apenas quero ver se descolo uma carona com o Jake... vai chover e eu detesto me molhar.. bem, desculpe tê-lo incomodado... tchau.
- Sem problemas... – ele falou ainda parecendo desconfiado.

Havia uma espécie de celeiro na parte dos fundos da casa de Jacob, de longe eu o vi abaixado sobre o motor de um antigo Camaro... ele o estava construindo. Lembro-me que um tempo atrás, Bella tentou dar de presente o carro para Jake... um carro novo mas ele insistiu que não queria dar despesa e que preferia construir tudo sozinho. Eu me aproximei e bati na porta que estava aberta...
- Olá... eu posso entrar? - eu disse tentando sorrir e parecer simpática. Jacob se levantou e me olhou com espanto, depois veio com aquele corpo imenso para perto de mim e me deu um beijo no rosto.
- Alice, faz tempo que eu não vejo você... a que devo o prazer da visita?
- Estava caminhando pela floresta e me perdi. – eu disse resumindo a história.
- Uma vampira? Perdida? - ele riu.
- Bom, eu ando completamente desorientada ultimamente...
- Ah, então, eu soube do Jasper... sinto muito, Alice... – ele falou sem jeito.
- Tudo bem... não há nada que se possa fazer...
- Eu sei como você se sente.
Então eu me toquei que Jake não falou aquilo só por falar, fazia pouco mais de dois anos que ele perdeu Bella para Edward e tudo mais, mesmo com a Impressão por Nessie acho que ele ainda sofria por Bella um pouco... então, arriscando resolvi perguntar.
- Jake... como você suportou perder a Bella?
- Bem, não foi muito fácil... – ele suspirou e se sentou num banco comprido de madeira que estava por ali, fez sinal para que eu me sentasse ao lado dele – Em algumas ocasiões eu achava que iria enlouquecer, que meu coração explodiria pelo meu peito e eu desejei morrer muitas vezes para que o sofrimento terminasse. Mas o amor é uma armadilha perigosa, por mais que você tente fugir, ele sempre dá um jeito de te prender novamente... pessoas apaixonadas são cegas, Alice... porque vêem o que querem ver e agem apenas pelo coração e não pela razão...
- Você ainda sente alguma coisa quando a vê?
- Não é amor, apenas uma sombra do que poderia ter sido... eu amei Bella demais e por um bom tempo, então seria esperar demais que eu simplesmente deixasse de sentir o que sinto por ela assim tão fácil, mas ela e Edward sabem que eu já aceitei isso e que os dois se pertencem... mas não digo que é fácil fazer de conta que tudo está bem.
- Sua impressão por Nessie não melhora as coisas? - eu perguntei.
- Não, porque Nessie ainda é uma criança e o que sinto por ela é cuidado, dedicação e amizade como um irmão mais velho, mas mesmo assim, este negócio de impressão é complicado, apesar de ser forte não é absoluto... então eu às vezes penso em Bella.
- E o que te ajudou a esquece-la?
- O tempo, Alice... só o tempo. Meu pai diz que o tempo cura todas as feridas mesmo que fiquem cicatrizes profundas em seu coração... mas ele sempre te cura, você nunca mais será a mesma pessoa por que sentiu coisas muito fortes, mas, ainda assim, um dia tudo passa.
- Gostaria que acontecesse isso comigo... eu não consigo mais agüentar esta dor aqui dentro. – eu disse apontando para o coração.
- No começo é assim mesmo, você pensa na pessoa todos os dias e em todos os momentos; depois, você pensa dia sim dia não e finalmente uma ou duas vezes por semana... até que, um dia, você se surpreende porque faz tempos que não pensa naquela pessoa e descobre que seu coração está se curando... é triste de um modo ou de outro porque você esquece de alguém que lhe foi muito importante... mas não temos escolha.
- Não?
- Claro que não, não temos escolha à não ser continuar vivendo, Alice, o que você fará? Cometerá suicídio? Vivemos por um motivo e seja lá qual for o destino que nos guarda, somos obrigados a enfrentá-los com o tempo que nos é dado... nós somos responsáveis apenas pelo nosso tempo, Alice.
Eu não pude deixar de olhar boquiaberta para Jacob, de garoto turrão e sem qualquer educação ele passou a um homem formado... Jake havia amadurecido muito nestes últimos anos. E era gostoso conversar com ele porque ele não cobrava nada, Bella amava Jake por isso... por esta disposição pelas coisas da vida, por esta facilidade com que recebia as coisas boas e as coisas ruins... não havia crise com Jake, ele abrira seu coração para mim sem cobrar nada em troca ou exigir que eu deixasse de ficar triste... Jake me compreendia.
- Você não fica com medo? De que Nessie não te ame ou que ela não te queira? Ou que você se machuque de novo? - eu perguntei arrebatada pelo sorriso fácil no rosto de Jacob.
- Não... de jeito nenhum. O amor consiste mais em amar do que ser amado, Alice. Quando você está apaixonado, tudo parece bom e seu humor fica lá em cima, você adora a chuva ou o sol, o frio ou o calor... tanto faz porque tudo é bom, é isso que é legal, o estar apaixonado faz bem exclusivamente a você e não aos outros, porque é você que está amando e este amor torna o seu mundo mais completo e menos complicado. Este é o barato de amar... dói para caramba se você não é correspondido, mas é mais importante doar este amor a alguma pessoa do que guardá-lo para você ou temer se apaixonar e se machucar novamente. Nós estamos neste mundo para amar, Alice, se não amamos... somos incompletos; se Nessie não me quiser eu continuarei amando-a até que uma linda garota chame meu coração... simples assim.
- Jacob Black – eu falei sem ar – Eu tenho uma centena de anos e você, um menino que mal chegou aos vinte anos de idade decifra o amor melhor do que eu?
- Ah, Alice... qual é? - ele me olhou encabulado – Não é para tanto, mas acho que para amar de verdade... você precisa sofrer uma grande desilusão e é então que você aprende como o amor funciona... eu passei pelo crivo da dor quando amei Bella, agora estou mais vacinado e tranqüilo...
- Queria ter essa visão, Jacob...
- Bem, tem uma coisa que talvez te ajude... se quiser posso te mostrar.
- Diz aí, eu aceito qualquer ajuda...
- Beleza... vem comigo – ele disse se levantando e saindo pela porta do galpão, quando viu que eu não o acompanhei, ele se virou para mim estranhando – Que foi?
- Ah, está chovendo Jake, eu detesto sair na chuva...
- Ai ai... uma vampira patricinha... só comigo mesmo. – Jake suspirou e em seguida caminhou para dentro da garagem e pegou de um armário uma imensa capa de chuva, me estendendo a capa ele disse fingindo impaciência – Tome, senhorita Cullen, isso vai proteger suas roupas de grife e eu te levo no colo para você não estragar estes seus sapatinhos de fada.
Eu pensei em recusar, afinal eu não queria dar todo este trabalho para Jacob, ele estava trabalhando e eu o incomodei e agora ele me levaria no colo pela floresta apenas para eu não me molhar, mas eu estava tão tranqüila perto dele e aquele sorriso faiscante era tão contagiante que eu não pude resistir... vesti a capa e ele agilmente me ergueu nos seus braços quentes como lava incandescente.

Jake se movia agilmente pela floresta molhada, pesadas gotas de chuva batiam com estardalhaço na capa de chuva, ele embrenhou-se na mata rumando num passo constante para o coração da floresta. Estava tudo extremamente silencioso...
- Você está cansado? - eu perguntei preocupada.
- Está brincando, Alice? - riu-se Jake – Você não pesa nada... é mais leve que a Bella.
- Onde estamos indo?
- Você verá. – ele respondeu enigmático.
- Sabe, acho que me acostumei com o seu cheiro... você não cheira mais tão mal assim.
- Ah é? - gargalhou Jake – E com o que eu cheiro agora?
- Bem, ainda cheira a cachorro, mas agora como aqueles cãezinhos que acabaram de sair do banho em algum pet shop... – eu respondi rindo.... era tão fácil rir com Jacob.
- Se quer saber, Alice, você também não cheira mais tão mal...
- Sério?
- Sim, agora tem o cheiro parecido com o e de um morcego que acabou de sair do pet shop...
Eu ri alto e belisquei a bochecha dele... ele me olhou e sua expressão se tornou serena e nostálgica, ele parou de andar e ainda me encarando disse num sussurro.
- Ah, aí está você.
- Como? - eu perguntei sem entender.
- Você, Alice, como eu me lembro... sorridente e alegre... aí está você, por um instante a sombra da tristeza deixou seu rosto e você voltou a ser você mesma.
- Bem – eu respondi ainda olhando aqueles olhos castanhos e brilhantes – Depois de meses você é o primeiro motivo que eu tenho para sorrir.
- Lisonjeado, senhorita Cullen.. lisonjeado – ele riu e continuou caminhando entre as árvores.

Por mais alguns minutos, Jake me carregou no colo e eu me sentia tão leve ao seu lado que nem reparei onde estávamos indo, notei que as árvores aqui eram mais fechadas e robustas e havia flores em todos os lugares numa miscelânea tão grande como jamais havia encontrado em outros ambientes da Reserva; orquídeas, amores-perfeitos, beijinhos, magnólias brotavam no chão e nas arvores dando um colorido vivo ao lugar e contrastando ao dueto de verde e cinza do céu e da mata.
- Pronto – disse Jake – Agora feche os olhos...
- Ih, precisa disso?
- Você não confia em mim? - ele falou olhando nos meus olhos e, estranhamente e sem qualquer aviso, meu coração pareceu se comprimir em meu peito.
- É claro que confio em você. – eu sussurrei enquanto fechava meus olhos.
Senti que Jake deu mais alguns passos e finalmente ele me pôs no chão sobre o que me pareceu uma rocha plana... em seguida ele se aproximou de mim e sussurrou no meu ouvido.
- Vamos... abra os olhos agora.
Nada no mundo poderia me preparar para o que eu vi.

Havia um lago oculto pela floresta, um lago exatamente circular e tão perfeitamente proporcional que parecia ter sido planejado e não meramente uma obra da natureza, o lago era circulado por árvores frondosas e sua água era tão límpida e transparente que fazia com que o ar que pairava sobre ela aparentasse ser escuro e sem vida. A quietude me impressionou mais do que qualquer outra coisa, era tão silencioso que até minha respiração e a de Jake fazia um barulho como o de uma ventania... nem mesmo o céu cinza escurecia a água rasa e límpida.
Era um lugar de sonhos, tão inacreditável que eu me senti transportada a um outro mundo e a uma outra época, a paisagem me deslumbrou mais do que tudo nestes dias... era um jardim secreto oculto na floresta e eu me perguntei porque jamais havia encontrado aquele lugar antes. Eu estava sem fala e ouvi um risonho de Jake, eu me virei para ele o encarando com espanto.
- Jacob, que lugar é esse? - eu sussurrei com medo de quebrar a quietude absoluta do lugar.
- Este, Alice – respondeu Jake também sussurrando – É o Lago da Eterna Tristeza, nascido de uma nascente do extenso e sinuoso rio Sol Duc, que passa pelo quintal de sua casa.
- E como eu jamais havia visto este lugar antes? Achei que conhecia bem estas terras...
- Ah – riu Jake – É porque este é um lago encantado.. e apenas quando você está acompanhada de um guerreiro Quileute você pode encontrá-lo... ao menos é o que diz nossas lendas, mas olha que ninguém nunca vêm aqui sem um de nós por perto então não duvido tanto desta mágica estranha.
- Este lago pertence a lendas da sua tribo? - eu perguntei boquiaberta.
- Vem cá – Jake chamou fazendo com que eu me acomodasse numa elevação da rocha ao lado dele – Dizem, as lendas de nossa tribo, que há muitos séculos uma linda jovem sentou-se à beira deste lago e chorou durante dias e noites pelo noivo que havia morrido em batalha, tantas lágrimas ela derramou que numa noite o lago finalmente apiedou-se da dor da jovem e passou, pouco a pouco, a nutrir-se das tristezas e do lamento dela. Depois de muitos dias, a jovem sentiu-se feliz novamente e partiu para nunca mais voltar aqui, mas o lago permaneceu triste porque ele não tinha para quem reclamar a tristeza que absorveu da jovem e suas águas ficaram turvas de dor... e, desta maneira, Aquele que Habita as Alturas e é misericordioso também apiedou-se do lago e em presente deu às águas do lugar um tom límpido e puro e as tristezas absorvidas transformaram-se em pequenos grãos de areia que são armazenados no fundo do lago e jogados, com o tempo, no mar profundo para nunca mais retornarem à seus donos.

Eu olhava Jacob sem conseguir dizer qualquer palavra, e eu não entendia porque eu não conseguia desviar o olhar dele... eu estava hipnotizada pela história que acabei de ouvir; Jake olhava para o lago com uma expressão de respeito e quando eu não respondi ele se virou para mim.
- É tudo uma lenda... é claro.
- Eu achei linda... – eu falei sem ainda desviar os olhos dele.
- Quando eu achava que não suportaria mais, eu me sentava aqui e pensava sobre as minhas tristezas... principalmente depois que Bella se transformou em uma vampira de forma definitiva. O silencio do lago é bom para você ruminar as suas dores e os seus anseios, está aqui o segredo da minha súbita maturidade como você diz... – ele riu, mas então me olhou sério novamente – Sempre que quiser ou precisar, Alice... o Lago da Eterna Tristeza é seu, eu venho até aqui com você sempre que achar que não agüentara mais...
- Eu não sei como agradecer, Jake – eu falei baixinho.
- Basta você sorrir mais. – ele respondeu retribuindo o sorriso que escapou involuntariamente dos meus lábios.

Eu acabei me acomodando em seu corpo quente e aconchegante e Jake passou o braço ao redor do meu corpo, eu me sentia tão pequena perto dele... mas, tão protegida, como se Jake fosse o sol e espantasse as nuvens de chuva que pairavam sobre mim. Em silêncio, nós dois ficamos admirando o lago-espelho cujas águas nem o vento maculava, eu tentava em vão procurar pelas tristezas que a pouco me assolavam...

Mas, por um motivo que eu não compreendia... eu não conseguia ficar triste neste momento.

4 comentários:

*-* Ti Fofoooo! eu amei, tão fofim, e lindo. Serim o Jake é perfeito gente!


bjs

By: Aya

Ai que linnnnnnnndoooooooooooooooo
é por isso que eu sou completamente apaixonada por esse guerreiro quileute, meu lindo gostoso quente lobo castanho avermelhado Jacob Black...

Simplesmente lindo, só ele mesmo sendo o sol que a fadinha tava precisando...

e a rosalie, da vontade de arrancar a cabeça dela...

ameiiiiiiiiiii , aguardando os proximos capitulos


bjs

OI meninas, obrigada por comentarem. Eu pelo menos acho muito fofo este novo casal. Beijos da Ju.

maravilhoso
somente o tudo de bom do jake pra fazer a nossa fadinha rir de novo
perfeito Ju
parabens

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