Inacreditável.
EDWARD
Corri para o consultório cedo na manhã seguinte, chegando duas horas antes do primeiro paciente agendado. Liguei o computador, encontrei o e-mail estranho e cliquei no link. A mensagem de erro surgiu novamente. Fitei a mensagem lendo-a repetidas vezes na esperança de descobrir um sentido mais profundo. Não encontrei.
Na noite anterior, eu tinha ido tirar sangue. O teste de DNA levaria semanas, mas o agente Eric achou que conseguiria um resultado preliminar antes disso. Ele estava escondendo alguma coisa de nos e eu não fazia idéia do que seria.
Sentado na sala de exames aguardando o primeiro paciente, relembrei a visita de Eric. Pensei nos dois corpos. No maldito taco de beisebol.
O corpo de Bella tinha sido encontrado próximo à rodovia 80 cinco dias após o rapto. O legista estimulou que ela estava morta há dois dias. Isso significava que ela passara três dias viva nas mãos de Laurent. Três dias a sós com o monstro, assustada, no escuro e em imensa agonia. Faço muito esforço para não pensar nisso. A mente não deveria visitar certos lugares, mas a minha sempre acaba sendo levada até lá.
Laurent foi capturado três semanas depois. Ele confessou o assassinato de 14 mulheres que começara com uma estudante em Harvard e terminara com uma prostituta no Bronx. Todas as vítimas foram encontradas em beiras de estradas, despejadas como lixo. Todas haviam sido marcadas com a letra L. Marcadas como se marca um gado. Em outras palavras, Laurent pegou um atiçador de metal, esperou até que ficassem em brasa e queimou a linda pele de minha Bella.
Minha mente se embrenhou por um desses caminhos errados, sendo invadida por imagens. Apertei os olhos e tentei expulsá-las. Não adiantou. Ele continuava vivo por sinal. Refiro-me a Laurent. Nosso sistema penal dá a esse monstro a chance de respirar, ler, conversar, ser entrevistado pela CNN, receber visitas de assistentes ou no caso até de familiares e sorri. Enquanto isso, suas vitimas apodrecem.
Passei água fria no rosto e me olhei no espelho. Meu aspecto estava horrível. Os pacientes começariam a chegar às nove horas. Eu estava perturbado. Maus olhos não desgrudavam do relógio da parede, esperando pela “hora do beijo” – seis e quinze da noite. Os ponteiros do relógio avançavam penosamente, como se não quisessem sair do lugar.
Imergi no cuidado dos pacientes. Sempre tive essa habilidade. Quando criança, conseguia estudar horas e horas. Come médico consigo mergulhar em meu trabalho.
-Isso não vai dor está bem? – Eu dizia para minha paciente que me olhava com o olhar assustado.
-Promete? – Ela já estava com a voz embargada. Era incrível como crianças possuíam vários medos, mas o principal era de injeção.
-Prometo. – Disse tentando sorrir ou parecer convincente para uma menininha de seis anos. Era um doce de criança. Educada e feliz. Sempre vinha ao meu consultório sorrindo.
A meninha me olhou enquanto eu me aproximava com uma seringa na mão e na outra um pequeno algodão. Pedi para que ela tirasse a blusa de frio que estava usando, mas a mesma não me obedeceu. O que me sorrir de novo com tanto medo que ela apresentava ter. Eu aqui me preocupando com o assassinato de minha esposa e essa garotinha se preocupando com uma simples injeção.
-O tio promete pra você que não vai doer. É só uma picadinha, você nem vai sentir. – Disse enquanto passa o algodão em seu braço. Esperei até que ela se acalmasse e antes que ela pudesse se manifestar eu já havia aplicado à injeção.
A menina sorriu para mim assim que eu terminei. Ajudei-a descer da maca e como de costume eu dei-lhe um pirulito de morango.
***
Ao meio-dia, eu engoli as pressas um sanduíche de presunto com Coca Cola e, em seguida atendi mais um paciente. Um menino de oito anos que consultara um fisioterapeuta para um tratamento de “alinhamento de coluna” umas oitenta vezes no ultimo ano. Ele não tinha problema algum na coluna. Aquilo era uma armação preparada por alguns fisioterapeutas da região, que oferecem aos pais uma TV ou um aparelho de DVD grátis se eles levarem os filhos. Depois cobram o tratamento do governo.
As cinco da tarde despedi-me do último paciente. O pessoal do apoio
Saiu às cinco e meia. Esperei a clínica ficar vazia antes de me sentar diante do computador. Ao fundo ouvia os telefones tocando.
Conectei a internet, abri o e-mail e cliquei no link. Continuava dando erro. Pensei na estranha mensagem e nos cadáveres mencionados por Eric. Tinha de haver uma ligação. Minha mente voltava toda hora àquele fato aparentemente simples. Comecei a analisar as possibilidades.
Primeira possibilidade: aqueles dois homens eram vítimas de Laurent. É verdade que suas vítimas sempre foram mulheres e foram facilmente encontradas, mas isso excluía o assassinato de outras pessoas?
Segunda possibilidade: Laurent convencera aqueles homens a ajudá-lo a raptar Isabella. Isso explicaria muita coisa. O taco de beisebol, pó exemplo, se o sangue encontrado fosse realmente meu. Amém disso, minha grande dúvida sobre aquele rapto ficaria esclarecido. Em tese, Laurent, como todos os serial killers, trabalhava sozinho. Eu sempre me perguntei como ele conseguira arrastar Bella até o carro, e ao mesmo tempo, aguardar até que eu saísse da água. Antes do aparecimento do corpo, as autoridades haviam presumido a existência de mais um envolvido. Mas, uma vez que encontraram o corpo com a marca L, essa hipótese fora abandonada. Eles ficaram com a teoria de que Laurent teria algemado ou de algum modo dominado Bella e depois ido atrás de mim. Não era um ajuste perfeito, mas dava pra enganar.
Agora tínhamos outra explicação. Ele tivera cúmplices e os matara.
A terceira possibilidade era a mais simples: o sangue no taco não era meu. B positivo não é um tipo sanguíneo comum, mas não é raro. Possivelmente esses corpos não tinham nada a ver com a morte de Bella, mas essa ultima possibilidade não me parecia convincente.
Olhei o relógio do computador que marcavam 18h04m42s.
Faltavam dez minutos e dezoitos segundos para...
Para que?
Meu celular tocou. Olhei no visor
“Número desconhecido”
Oito minutos.
Refleti a respeito, mas não por muito tempo. Qualquer coisa era melhor que ficar preso nos meus próprios pensamentos.
Decidi telefonar para ele.
Eric novamente sabia quem era antes de atender.
-Sinto muito incomodá-lo Edward, mas tenho uma pergunta rápida para você.
Levei a mão de volta ao mouse, movi o cursor sobre o link e cliquei. O navegador deu sinal de vida.
-Estou ouvindo – respondi.
O navegador estava demorando mais desta vez. Não apareceu nenhuma mensagem.
-O nome Marie Goodhart diz alguma coisa?
Quase deixei o celular cair.
-Edward?
Afastei o celular e contemplei-o como se tivesse acabado de se materializar na minha mão. Aos poucos fui me recompondo. Quando me recuperei do choque, trouxe o fone de volta ao ouvido.
-Por que quer saber?
Algo começou a aparecer. Apertei os olhos. Uma daquelas câmeras aéreas. No caso, parecia uma câmera de rua. A internet esta cheia delas agora.
-É uma longa historia – respondeu Eric.
Eu precisava ganhar tempo.
-Li para você mais tarde e espero uma resposta.
Desliguei o celular. Marie Goodhart. O nome significava muita coisa para mim. Era ela. Aquele nome era muito, muito familiar [N/A: Quem será essa Marie heim gente kkk]
Que diabo estava acontecendo aqui?
O navegador parou de carregar. No monitor, vi uma cena de rua em preto e branco. O resto da página estava vazio. Nada de bâneres ou títulos. Eu sabia que era possível configurá-los de modo que se visse apenas outra determinada imagem. Era o que tínhamos ali.
Olhei no relógio do computador.
18h12min18s.
A câmera mostrava uma esquina razoavelmente movimentada, de uma altura de aproximadamente cinco metros. Eu não sabia qual esquina era aquela ou em que cidade ficava. Mas sem duvida era uma cidade grande. Pedestres fluíam principalmente da direita para esquerda, as cabeças baixas, os ombros caídos, com pastas na mão, mortos após um dia de trabalho, talvez indo tomar o trem ou o ônibus. Na extrema direita, vi o meio-fio. O tráfego de pedestres vinha em ondas, provavelmente coordenado com a mudança do sinal de trânsito.
Por que alguém me enviaria aquela filmagem?
O relógio marcava 18h14min21s. Faltava menos de um minuto.
Mantive os olhos grudados na tela e aguardei a contagem regressiva, como se fosse a véspera de ano-novo. Minha pulsação começou a acelerar. Dez, nove, oito...
Outras pessoas cruzaram a tela da direita para a esquerda. Desgrudei os olhos do relógio. Quatro, três, dois. Prendi a respiração e aguardei. Quando voltei a olhar o relógio, ele marcava:
18h15min02s.
Nada tinha acontecido – mas, também, o que eu estava esperando?
Aquela onda de gente passou e, novamente, por um ou dois segundos não apareceu ninguém na imagem. Reclinei-me para trás, respirando fundo. Uma brincadeira pensei. Uma brincadeira de mau gosto, sem dúvida. Péssimo gosto. Mas mesmo assim...
Então alguém surgiu diretamente debaixo da câmera. Era como se estivesse escondida ali o tempo todo.
Inclinei-me para frente.
Era uma mulher. Deu para perceber, embora ela estivesse de costas para a câmera. Os cabelos eram curtos, mas, com certeza tratava-se de uma mulher. Do meu ângulo, eu não conseguia ver nenhum rosto até então. Tudo continuava igual, pelo menos até agora.
A mulher parou. Observei o alto de sua cabeça, quase desejando que ela olhasse para cima. Ela deu outro passo. Estava no meio da tela agora. Outra pessoa passou por ela. A mulher ficou parada. Depois, deu meia-volta e, lentamente, elevou o queixo até olhar direto para a câmera.
Meu coração parou.
Coloquei a mão na boca e sufoquei um grito. Eu não conseguia respirar. Eu não conseguia raciocinar. Lágrimas encheram meus olhos e rolaram pelo meu rosto.
Fitei-a e ela me fitou.
Outros pedestres atravessaram a tela. Alguns esbarraram nela, mas a mulher não se moveu. Seu olhar estava fixo na câmera. Ela levantou a mão como que em minha direção. Minha cabeça girou. Era como se o fio que me ligasse a realidade tivesse se rompido.
Fiquei a deriva.
Ela manteve a mão levantada. Lentamente, consegui levantar minha mão. Meus dedos tocaram a tela do computador, tentando encontrar os dela. Mais lágrimas rolaram. Acariciei suavemente o rosto da mulher e senti meu coração afundar.
- Bella – murmurei.
Ela permaneceu ali por mais alguns segundos. Depois, disse algo para a câmera. Não pude ouvi-la, mas consegui ler seus lábios.
-Sinto muito – Balbuciou minha esposa morta. E saiu andando










5 comentários:
O que é isso???? To ficando louca... que historia mais contagiante é essa!!!
Perfeito demais!!!!
Quero mais...
*-* Que di mais! quero maaaaiiiis! num se para assim um cap gente maldade!
Como é que é?
A bella ta viva?
To hiper, mega, super curiosa agora...
Aguardando os proximos capitulos urgente!!!!!!
bjs
ai amiga tava lindo e muito emocionante,e vc esta de parabens pela forma como vc esta fazendo a fic ta lindo demais
parabens flor
ps: eu sei quem é Marie Goodhart ou o q é (rsrskkk) risadas malvadas
beijusss
muita calma senna hora
to ficando loka só pode
eu li certo??
ai dio
que historia é essa que ja me deixou viciada
aiinnn não creio no que eu li ainda
meu eu estou muito curiosaaa
beijos
Postar um comentário
Não esqueça de comentar, isso incentiva os escritores e também a mim que tento agradar a vocês.