5 de nov de 2011

Capitulo 26

Posted by sandry costa On 11/05/2011 No comments



P.O.V – Hellena



Fechei a porta do quarto e fui em direção a minha escrivaninha. Sentei-me na cadeira por cima das minhas pernas. A noite estava quente e abafada e fazia com que eu me sentisse mole.

Havia uma foto minha com minhas amigas na tela do computador localizado acima do móvel. Nos cinco sorriamos para a foto. Movi o mouse e cliquei para que imprimisse-a.

A imagem saiu na impressora.

Segurei minha foto apertando as bordas do papel.

Digitei a primeira palavra que me veio à mente ‘súcubo’, e cliquei no primeiro link. Eu nunca tinha feito isso antes, nunca me passou pela mente procurar saber mais sobre minha própria espécie. Não gostei muito do que li.

Súcubo significava basicamente prostituta em latim. Não gostei dessa língua. Certamente não entraria em meu currículo.

Achei estranho tudo escrito dizer que éramos demônios, sendo que na verdade éramos meio anjas. Isso era bem estranho e controverso, os humanos não escreviam muitas coisas que batiam com o real, tipo descrições e características, as únicas que funcionavam eram os personagens.

Também estava escrito que muitos jogos de RPG tinham súcubos como personagens.

Apoiei meu queixo em minha mão, isso estava me deprimindo.

Abri o segundo link, esse dizia que súcubos são tipo prostitutas de luxo e que só nos alimentamos da energia vital dos homens para não envelhecermos e murcharmos tipo um maracujá, bom eu não fiquei muito tempo sem me alimentar para saber. Ah, dizia também que a Madonna era uma súcubo.

Era uma grande amontoeira de besteiras e coisas que denegriam nossa imagem. Ah qual é! Nos nem somos tão más assim, talvez possamos nos aproveitar algumas vezes dos homens, mas... Eles fazem isso com as mulheres também.

Não matamos quando nos alimentamos. Na maior parte das vezes. E nem fazemos nada com homens comprometidos, pelo menos não a maioria. Temos nossos códigos de conduta, e às vezes são melhores do que os dos humanos.

Não matamos sem razão, apenas quando o necessário, e por mais assustador que algumas de nos sejamos, sei que no fundo elas são boas com que merece.

Apertei outro link.

“Aqueles que, porventura, tenham cruzado seu caminho com o de um súcubo ou com o de um íncubo, até tentará novamente o sexo com os humanos. Sempre a se frustrar, no entanto. Eles experimentaram o paraíso e agora se tornaram eternos amargurados.”

Sem palavras... Agora eles acertaram alguma coisa.

-O que esta fazendo? – o vibrar da voz de minha mãe me tirou dos devaneios. Girei a cadeira ate estar de frente com ela, encarando o reflexo de meus olhos nos seus.

-Uma pesquisa. – torci meu braço atrás das minhas costas ate o mouse e cliquei minimizando as telas.

-Ah. – ela disse abrindo a boca e depois fechando. – A velha pesquisa sobre a nossa espécie. – ela baixou os olhos ate a saia de pregas e de cintura alta. Deus como ela é jovem.

Alisou-a com a mão direita e bateu nas coxas em um suspiro.

-Se esta com alguma duvida em algo sobre nos... Pode perguntar para mim se preferir não falar com suas amigas... – sua voz estava meio constrangida e ela parecia bem constrangida. Tentando ser mãe.

-Não, não. Eu estou bem. – prensei os lábios movendo a cabeça para frente e para trás. – Sério.

-Só vai se irritar vendo essas coisas, e talvez poluir sua mente. Não somos desse jeito. Você sabe. – franziu as sobrancelhas formando uma face seria e preocupada.

-Eu só... Queria saber um pouco do que os humanos acham sobre nos.

-Eles acham que não existimos Hellena.

Voltei-me para a tela digital.

O silencio se instalou na sala, nenhuma de nos sabia como retomar a conversa, e apesar de ter uma filha antes de mim, ela não parecia saber como tratar uma adolescente.

Agora eu meio que entendia porque Katherine se sentia tão rejeitada.

Maximizei a tela.

-Hellena... Eu realmente quero dar certo com você. – falou, e parecia que sua voz tremia. – Não fui uma boa mãe para Katherine e me sinto realmente culpada por ela ser desse jeito.

Eu não conhecia Katherine, nos poucos anos que vivi no outro mundo, nunca cruzei com ela, a não ser quando eu era humana e ela entrou na minha cabeça e tentou me matar.

-Mãe... – pronunciei a palavra como se ela fosse realmente minha mãe, coisa que eu nunca a levei em conta como. – Eu também quero me dar bem com você, mas...

Parei enchendo meu pulmão de ar e procurando palavras em meio ao oxigênio quente.

-É tão estranho ser um demônio que todos vêem como uma prostituta. É difícil ver o sexo como minha alimentação, ele tem um significado maior para mim, ainda. – completei estalando meus dedos ainda de costas para ela. – É doloroso não ter mais Alec ao meu lado.

Murmurei mais para mim mesma.

Ela suspirou junto e se levantou, colocou as duas mãos em meus ombros.

-Eu sei como dói.

-Não mãe, você não sabe. – abaixei meus olhos tentando conter as lágrimas dolorosas. Quando eu chorava me sentia fraca, e não queria me sentir assim na frente dela.

-O pai de Katherine... Ele... – hesitava.

-Não precisa dizer nada se não quiser. – minha voz estava baixa.

-Não... – suspirou. Uma cadeira surgiu do nada e ela se sentou. – Ele era um vampiro, eu conheci quando ainda não havia completado quinhentos anos... E eu o amei muito.

-Vocês vivem repetindo que súcubos não amam.

-Mas eu amei. Sabia que teria que ter filhos, a grande mãe havia comentado comigo que teria que ser filha de um incubo originalmente da realeza, como eu, mas eu não ouvi. Achei que o vampiro que eu amava poderia me dar à filha que eu precisava. Então eu engravidei.

Apertou as mãos e ergueu os olhos.

-Mas a menina não nasceu como previsto. – ela chorava e sua voz estava embargada. – Era linda, saudável... Perfeita... Mas não era da linhagem do espírito. – as lagrimas começaram a cair com mais força. – Eu tentei fugir da minha obrigação, mas não foi possível. Os espíritos castigaram-me por Katherine.

Abaixou o rosto e voltou a chorar copiosamente.

Não sabia bem o que fazer, fiquei estática, sem vontade alguma de chorar e sem saber como consolar-la. Estiquei meus braços e pousei-os em seus ombros, como um abraço de conforto constrangido.

-Ficamos mais alguns séculos juntos, eu precisava ter uma filha... Fui ate o rei incubo e ficamos juntos, mas o pai de Katherine não sabia. Descobri minha gravidez quatro meses depois, e quando ele soube... Ficou louco e foi ate os íncubos...

-Os íncubos... – murmurei meio assustada, eu não sabia bem onde os íncubos viviam, mas tinha certeza que era um lugar perigoso para um vampiro.

-Não sei como, mas ele conseguiu chegar ate o rei... Eles discutiram, e então... – parou de falar, e não precisava, já era de se esperar o que vinha a seguir.

Não continuou, apenas ficou chorando em silencio.

-Não quero que aconteça com você o mesmo. – levantou os olhos e segurou meu rosto. – Minha filha, prometa que você deixara esse vampiro para trás! Volte para o mundo oculto. Não guarde o mesmo sofrimento que eu guardei todos esses anos.

-Mãe... Me perdoe, mas não posso. Eu já tentei. E do mesmo jeito Alec não me deixaria partir. – gaguejei.

-Você sabe como o fazer deixar... Hellena, não posso obrigar-la a fazer o que não quer, mas você sabe o que é o certo. Nos sabemos. – fungou limpando o rosto com um lenço e se levantou.

-Desdêmona... – pisquei atordoada me levantando também.

-Tenho de fazer uma longa viagem junto com Kahlan. Demorarei mais algum tempo ate voltar, mas as portas estão abertas sempre para você Hellena, sabe disso.

Arregalei os olhos quando ela me deu as costas se preparando para partir.

-Antes – ela se voltou para mim, uma expressão seria. – Você tem que ir ate a floresta dos espíritos, eles chamam seu nome há vários dias. Vá o mais rápido que puder. – acariciou meus cabelos. – “Que os elementos estejam dentro de você”.

Fez a despedida careta e que as súcubos usavam entre si.

Desapareceu no minuto em que pisquei os olhos, deixando para trás apenas uma brisa fresca e agradável.

“(...) Você sabe o que é certo. Nos sabemos.”

-Hellena. - Blake abriu a porta do quarto. – Tudo bem? Ouvi vozes. – olhou em volta.

-Vamos voltar ao mundo oculto, apronte tudo. – murmurei.

-Graças aos céus! – ela riu levantando os braços.

Comecei a trocar de roupa.

-Aonde vai? – franziu os olhos.

-Resolver um problema. – disse breve.

-Ah. – seus braços caíram. – O vampiro.

Não imaginava que ela soubesse sobre mim e Alec, e não sei como imaginei que ela não soubesse. Súcubos sempre sabem de tudo.

-Volto já. – sai do quarto em passos rápidos.

Peguei meu telefone e disquei o numero já gravado, as únicas ligações eram para ele. Fechei os olhos e me concentrei antes de tomar coragem. Tocou duas vezes antes de ele atender.

-Boa noite meu amor. – sua voz fez com que eu perdesse toda minha concentração. Não parecia mais cansado como antes, devia ter se alimentado.

-Precisamos conversar... Cara a cara. – minha voz ficou dura.

-Claro, aonde? – perdeu o antigo galanteio.

-Giardino Giuste.

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