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13 de jul. de 2011

Capitulo 43

Posted by sandry costa On 7/13/2011


P.O.V – Hellena di Fontana

Senti meu peito vincar. Eu podia sentir a relutância dele de fazer aquilo, eu quase conseguia sentir o cheiro do seu arrependimento, e cheirava azedo, e triste.
Por quê? Porque eu?
Queria gritar, abrir os braços para céu e praguejar. Minha vida era um inferno, e a cada dia que passava piorava. Havíamos acabado de nos reconciliar, e isso acontecia.
Inferno. Inferno.
-Hellena? – virei meu rosto na direção da porta novamente, sequei as lagrimas antes que ela visse.
-Blake. – falei séria.
-Posso me sentar ou você quer ficar sozinha?
-Pensar e ficar sozinha são as últimas coisas que quero. Apesar de ter pedido isso. – tentei rir, mas foi o ato mais difícil do dia.
-Sinto muito por ter mentido para você.
-Tudo bem... Sua rainha mandou... Minha mãe. – as últimas palavras pesavam em minha garganta. – Não quero deixar Alec.
-Se acostumara.
-Não Blake. Não é uma coisa que a gente se acostuma. Eu já amava ele quando era humana, vou levar isso comigo pelo resto da minha vida, e vai doer muito.
-Eu sei que vai. Mas estarei ao seu lado. Eu, Quenn, Georgina, Hoppe, sua mãe e suas irmãs. Todas juntas, pela eternidade. – pousou a mão em meu ombro.
-A eternidade sem ele parece tão vazia. – suspirei olhando a cidade.
-Nem tenho o que dizer sobre isso. Nunca me apaixonei ou amei alguém. Fui criada para viver sem parceiros. – piscou.
-Qual o se elemento? – mudei de assunto.
-Terra.
-Então é por isso que as plantas gostam tanto de você. – ri.
-Sim. – retribuiu meu sorriso.
-Quenn?
-Ar.
-Como vocês que tem os elementos contrários podem ser tão unidas?
-Fui criada para ter a harmonia com minhas irmãs acima de tudo.
-Georgina?
-Fogo.
-A razão de ser tão boa no fogão. – levantei minhas sobrancelhas. – E suponho que Hoppe seja água.
-Sim. E com você, o circulo completo.
-Isso tudo é tão estranho. – franzi meu cenho.
-Você se acostuma. – repetiu - Vai adorar o mundo oculto. Não havia me dito que gostava da idade media? – fiz que sim. – Pois bem, imagine uma terra na idade medieval com tecnologia.
-Serio? – sorri abertamente.
-Sim! Sem essas besteiras de carro e prédios. Casas, castelos, cavalos, florestas, mulheres de vestidos, ta isso é um pouco chato às vezes... Arco e flecha. Tudo é maravilhoso. – ela começou a me relatar o quão maravilhoso era o outro mundo.
Parecia um lugar feito para mim, com tudo que eu gostava – tirando jeans, patinação artística e hambúrgueres.
Suspirei sentindo meu corpo dormente por causa daquela roupa apertada.
-Estou me sentindo mal com essa roupa. – gemi.
-Tudo bem, eu trousse uma muda para você.
Tirou roupas de dentro de sua bolsa.
Não eram roupas muito confortáveis, e pareciam muito ousadas, mas mesmo assim, concordei em vesti-las.
-Onde eu troco?
Ela virou de costas.
-Ah nem vem Blake. – reclamei.
-Eu fico de olho para ninguém chegar.
Continuei balbuciando xingamentos enquanto me despia da fantasia e colocava a muda que ela trouxera.
Penteie meus cabelos com meus dedos. Fui puxando os fios devagar e com cuidado – meu coro capilar ainda ardia de ficar tanto tempo puxado – fiz uma trança embutida.
Limpei meu rosto com um lenço, tirando toda a maquiagem.
-Esta pronta?
Olhei para mim mesma, usei um espelhinho que ela me dera.
Toquei meu rosto com as pontas de meus dedos, passando-os por minhas maças e por baixo dos meus olhos. A pele do meu rosto estava impecavelmente macia e lisa, sem nenhuma marca.
Sentia-me poderosa e linda, sentia-me imortal.
A wisp ainda cintilava em meu pescoço.
Percebendo meu olhar, Blake sorriu.
-Depois que começar seu treinamento pode ensinar-la um feitiço para transformá-la em outros tipos de jóias. – seu tom era animado e cativante, demonstrando o quanto se importava com minha alegria.
-E minhas gatas?
-Ficaram bem.
Meus lábios tremeram quando me estendeu um batom claro.
-Tem que estar impecável Hellena, como a princesa que é.
Contornei minha boca, e continuei a refazer minha maquiagem. Impecável, como a princesa que eu era.
Fios caiam de meu penteado, velando meu rosto.
-Estou. Estou pronta. – precisei repetir aquela palavra para me dar conta do que acontecia comigo.
As lembranças do dia inteiro que eu passara com Corin, como uma fugitiva pelo meio da floresta, sendo arrastada como um animal preso, e mal-tratada como uma prisioneira nojenta ardiam em minha mente de um jeito doloroso.
Pisquei os olhos, contendo as lagrimas que ameaçavam borrar meu rosto de novo. Impecável.
-Vamos? – repeti olhando o nada.
-Vamos minha princesa. – ela sorriu.
Descemos as escadarias com passos contidos e lentos.
Passamos por hordas de vampiros que corriam para o salão para poder ver as súcubo que recém haviam chegado, assim como a princesa delas. Não me olhavam mais como se eu fosse uma comida ambulante, mas sim algo poderoso e ameaçador.
Chegamos ao salão depois de uma longa caminhada, os guardas deram dois passos para o lado com cuidado contido.
As súcubo ainda estavam no salão, em uma formação elegantemente ofensiva, os rostos contidos em uma calma exemplar, apesar de seus olhos mostrarem a ansiedade e impaciência.
Juntos, Cullen e Volturi conversavam amigavelmente, e discutiam assuntos sobre a guerra. A bela líder admitia não saber de nada, e de não querer se intrometer em assuntos de outros mundos e inter espécies.
-Enquanto isso não afetar a mim diretamente, ou ao meu mundo e meus aliados, me perdoem Carlisle e Aro, não farei nada.
-Isso é uma pena Desdêmona. – o mestre Volturi disse.
Alec estava parado ao lado direito dele, e os dois pareciam pai e filho em um assunto de uma empresa.
Quando eu e Blake entramos majestosas, sentindo a nossa presença, ergueu os olhos e se deteve em mim longamente. Levou uma mão ate o dedo indicador da outra, tocando o anel semiprecioso e negro.
Alice sorriu para mim.
Desdêmona repetiu o gesto da fada/vampira.
-Se decidiu Hellena?
-Como se houvesse escolha, com todo respeito.
-Entendo o que quer dizer, apesar de seu tom pouco educado. – parecia levemente irritada com o meu tom petulante. – Mas nada que a convivência não resolva. Sei que é um choque para você, mas vera como foi uma bênção em sua vida.
-Por duas vezes joguei minhas crenças e minha vida para o alto, mas dessa vez foi à pior de todas. – cerrei meus dentes.
-Sinto muito Hellena. Se eu pudesse fazer algo faria.
-Esta tudo bem rainha. Não vamos conversar sobre isso aqui.
-Claro. – concordou sorrindo. – Se despeça de quem tem.
Não havia de quem me despedir, eu não agüentava olhar nos olhos fundos e verdes de Alec, então me lembrei de Alice.
Andei ate ela.
-Obrigada por me ajudar aquele dia Alice.
-Tudo bem, minha princesa. – sorriu delicada segurando minhas mãos.
Beijei suas faces e me afastei de volta.
-Não tenho de quem me despedir, todas as minhas amigas, que são poucas, são súcubos... Só a uma pessoa que eu queria um tempo a sós... – olhei para meus pés e depois olhei para ele.
-Tem todo o tempo que quiser.
Fui até ele e espalmei minhas mãos em cada lado de seu rosto. Não disse nada, deixe meus olhos falar por mim mesma. Ele entendeu o que eu queria dizer, e respeitando meu momento, não disse nada, apenas devolveu o olhar.
Aproximei meus lábios do seu.
-Eu te amo, e sempre vou amar. – falei baixo o suficiente para apenas ele ouvir, nem eu mesma sentia minha voz.
-Nunca se esqueça de mim Hellena. Prometa. – pediu com a boca na minha.
Abri minha boca para repetir aquela frase de só quem preserva algo o faz, pois admite que poderia se esquecer, mas ele me deteve com um dedo nos meus lábios.
-Mas você vai me esquecer.
Minha garganta e olhos queimaram.
-Eu prometo que não irei. – concordei me afastando e respirando fundo para conter lagrimas.
Fui ate onde meu novo povo estava a minha espera. Elas me olhavam como se eu fosse louca e estranha por ter feito aquilo com Alec.
-Adeus Aro, e Volturis, obrigada pela hospitalidade. Sinto muito não podermos ficar durante mais tempo. E obrigada ao clã Cullen. – a rainha voltou-se para as súcubo.
Todas fecharam os olhos quando minha mãe - como era difícil pensar nela desse jeito – começou a falar palavras ininteligíveis, parecia uma prece, um encanto.
Um fino fio de ouro riscou o ar, como se houvessem pegado uma faca e aberto um talho no nada.
O fio aumentou ate estar no tamanho de uma porta, por onde poderíamos passar facilmente, parecia não haver nada lá dentro, ele falhava o cenário, mas se déssemos a volta nesse buraco, não danificava nada, era como uma porta flutuante.
Todas entraram rapidamente, como se estivessem irritadas de estar nesse mundo. Blake colocou um pé dentro do portal e olhou para trás. A rainha mandou que ela fosse com um gesto de mão, e ela e minhas outras quatro amigas foram.
-Pronta minha filha? – segurou minha mão.
Dei uma ultima olhada para o mundo que eu deixava para trás. Engoli em seco tentando não olhar para Alec, mas não me contive e fitei seus olhos que me lembravam um mar.
Os lábios dele formavam as nossas juras de amor.
Toquei o anel que ele me dera.
-Um minuto.
Corri ate ele, tirei a jóia e estendi.
-Não posso levar.
-É um presente, presentes não se devolvem. – tocou minha mão.
Pisquei.
-Descobrirei quem é sua mãe Alec, e o porquê de isso ter acontecido com você. – acaricie seu rosto e voltei para a entrada.
Segurei a mão da mulher que seria minha mãe a partir de agora, e juntas, atravessamos o portal, para um novo mundo, para uma nova vida, uma vida onde tudo que eu fui ensinada, seria jogado fora.
-Adeus meu cisne branco. – li as palavras em seus lábios silenciosos.
Adeus Alec.

FIM

Capitulo 42

Posted by sandry costa On 7/13/2011


P.O.V – Alec Volturi

Foi como se estivessem enfiando uma flecha flamejante dentro do meu peito. Hellena, uma súcubo? De repente tudo fazia sentindo, tudo se encaixava, como um quebra-cabeça, antes travado, mas que após descobrir o lugar de uma peça, começava a se unir mecanicamente.
-O que? – Hellena cravou as unhas em meu braço e saiu do escudo que eu fizera com meu próprio corpo.
-Sim Hellena. Você é minha filha, uma súcubo. – Desdêmona falou olhando-a seria, chegou até a franzir as sobrancelhas finas.
-Isso é impossível. – ela disse convicta.
-Não minha querida não é. – sorriu.
-Você não pode ser minha mãe! Minha mãe é humana!
-Sim, ela é humana, pois não herdou os genes súcubo, mas você sim.
-Não... não  é possível! Eu sou humana! – ela gritava.
-Hell, você não é humana. – uma menina de rosto conhecido saiu do bando de mulheres de vermelho. Era a menina que eu falara em Veneza, uma tal de...
-Blake?
Mais uma menina saiu do grupo. Tinha cabelos loiros dourados e olhos azuis claros, olhava para nos culpada, como que arrependida de ter mentido.
-Quenn?
Outra apareceu, cabelos brancos como a neve e olhos de um azul tão profundos quanto os de Elurram.
-Hoppe?
A quarta e ultima, de cabelos lisos e castanhos escuros, com olhos verdes.
-Georgina? Mas... Como? Não é possível!
-Fui designada para protegê-la quando chegou à Itália. – Blake disse.
-Uma súcubo nunca pode ficar sozinha, então eu vim acompanhar-la. – Quenn disse torcendo as mãos.
-Quando começou a demonstrar mais poder, foi necessário tirar as humanas da sua casa, para podermos ficar por perto e usar algum feitiço para disfarçar-la. – Georgina completou.
-Somos suas damas de companhia, suas guardiãs. – Hoppe.
-Mas... Vocês mentiram para mim sempre! – gritou dando mais passos. – Os nomes de vocês são esses pelo menos?
-Sim... – a voz de Quenn tremia.
Hellena começou a girar.
-E Dacra, o que ela era?
-A nossa mensageira. Não podíamos deixar você continuar com um vampiro, se ele descobrisse o que você era, mataria-a, e nos não podíamos chegar e dizer “pare de sair com um vampiro!”.
-Então porque não me impediram de entrar no castelo deles em Volterra?
-Você ordenou que eu deixasse-a ir, uma ordem direta. – Quenn falou novamente. – Você é minha líder, não podia desobedecê-la.
-Mas... Porque uma súcubo não pode ficar só? – ela chegou ate a esquecer a aula que eu havia dado a ela sobre súcubos, mas naquele momento ate eu esqueci disso.
-Temos poder demais dentro de nos, então temos de deixar-lo sair, ele acaba afetando mentes mais fracas, por isso temos que ter sempre uma irmã por perto...
Isso todos já sabíamos, essa era a razão de súcubos não terem parceiros e precisarem repor energia sempre. Todo imortal tinha o corpo adaptado a energia que possuía, mas não as súcubo. Elas eram imortais superiores quando se transformaram, e a energia de seus corpos não se adaptava a ele, por isso tinham que andar em grupo, uma para anular o “veneno” da outra.
Hellena parecia pronta para retrucar, mas então levou a mão ao colar que pendia em seu peito, vendo como era igual à de todas as outras súcubo presentes.
-Esse colar. O que ele é?
-É nosso wisp, a criatura mágica que separa nossa magia, a boa da ruim.
Ela olhou de um lado para o outro, o desespero pintando seu rosto.
-Você. – apontou para Desdêmona. – Era a mulher dos meus sonhos.
-Sim. Eu me comunicava com você pelos seus sonhos.
-E aqueles sonhos terríveis com pessoas mortas?
-Isso é por causa do seu elemento.
-Qual é ele?
-O espírito. – sorriu.
Agora sim o silencio se infestou como uma praga nefasta.
-Espírito. – ela repetiu descrente.
-Sim. Você é como eu. Uma das únicas damas de espírito que existem nesse mundo e no outro. O elemento da realeza. – a rainha dizia com um orgulho estampado, mas não parecia completamente satisfeita com isso.
-Somos as únicas?
-Não. A Kahlan também.
-Kahlan?
-Sim, sua prima... – começou a apertar o couro das luvas demonstrando sua impaciência. - Hellena, podemos contar tudo que quiser quando formos para o mundo oculto.
-Mundo oculto? – a voz dela tremeu.
-Como você pergunta, hein? – a rainha riu divertida.
-É por isso vossa majestade que digo que nossas filhas têm que ser criadas a nossa volta, elas já crescem entendendo tudo, não precisam levar esse choque. – uma das poucas súcubo morena daquele grupo disse.
-Tem razão Donna... Mas quando se nascem humanas não é possível...
-Criar-las no mundo oculto.
-Não quando se precisa escondê-las. E pare de me chamar de vossa majestade. – balançou a mão. – Vamos Hellena? Tem treinamento pela frente.
-Me esconder? Mas por quê?
Respirou fundo.
-Podemos ir?
Hellena arregalou os olhos e ficou parada.
-Não pode simplesmente chegar aqui dizer que eu sou de uma raça de mulheres mais poderosas do mundo, que sou a princesa dessa raça e que tenho que ter um treinamento em outro mundo.
Todas olharam para ela como se falasse que o céu é cor-de-rosa.
-Na verdade sim.
-Eu... Eu preciso pensar primeiro... É informação demais para um dia só!
Seu peito subia e descia.
-Minhas coisas elas...
-Nos já as pegamos. – Blake disse.
-Hellena não pode mais ficar perto de criaturas inferiores. – a amiga dela se aproximou colocando a mão em seu ombro. – Vai ferir a eles e a si mesma.
Ela ergueu os olhos molhados.
-Blake isso é demais para mim, eu simplesmente não posso agüentar essa pressão. – abaixou os olhos para os braços, possivelmente olhando para seus escapes.
-Ninguém vai entendê-la como eu. – a rainha se moveu graciosamente até Hell. Tomou-lhe o pulso marcado da menina. Puxou os cadarços que colavam as mangas em sua pele. Quando a carne branca apareceu, ela mostrou marcas iguais as de Hellena. – Eu sinto a mesma coisa que você.
-Como? – levantou os olhos para a mulher.
-É a conseqüência do nosso elemento. As súcubo do ar, tiram o poder do ar a nossa volta, a da água da água, e assim por diante. Mas nos... Nos tiramos nossos poderes da nossa própria alma.
-Li um livro que falava a mesma coisa.
-Esses humanos... – revirou os olhos amarrando a manga de volta. – Tem o dom de descobrir o que não devem. – estendeu uma mão para ela. – Você vem?
Vi os olhos de Hellena queimando de indecisão.
-Preciso pensar um pouco antes. Digerir tudo isso.
Ela não disse mais nada, saiu correndo do salão.
-Hellena... – murmurei, mas ela passou reto por mim.
Todos olharam para mim, todas súcubo.
-Com licença. – fiz uma mesura e me preparei para sair.
-Espere. – uma voz súcubo disse. Voltei-me em sua direção, dando de cara com os olhos da minha humana naquele rosto perfeito e tão velho. Ela se aproximou. – Sei quem você é.
-Sou o filho de uma de vocês. – falei serio.
-É eu sei. Eu mesma que tirei seus poderes e te deixei nesse castelo. – não tinha muita idéia do que falar para ela. Me analisou de cima a baixo. – Pode ir.
Soou fortemente como uma ordem, pensei em responder, mas eu sabia que não podia, então andei de costas até estar a uma distancia segura e me virei, indo em direção ao rastro dela.
Hellena não conhecia nada do castelo, então seguia na sorte pelos corredores labirínticos.
Ainda podia sentir o olhar de todos queimando a minhas costas, mas mesmo assim segui o caminho ate ela.
Ouvi passos atrás de mim.
-Alec?
-O que quer Renesmee? – me virei cansado.
-Então você a ama. – não era uma pergunta.
-Desculpe se te decepcionei de alguma forma, mas não tenho tempo de conversar agora. Se me da licença. – dei-lhe as costas e subi uma grande leva de escadas.
Quando cheguei ao topo, senti o vento varrer meus pensamentos ruins para longe de mim. Ela encontrara meu esconderijo.
Estava sentada na beira da torre, correndo o serio risco de cair. O rosto virado na direção do infinito que se estendia lá embaixo. Sua maquiagem estava borrada nos olhos.
Virou-se na minha direção, os cabelos flutuavam a sua volta, lançando seu cheiro para todos os lados.
-Alec... – murmurou com a voz rouca de choro.
Sentei-me ao seu lado e segurei sua nuca.
-Pare de chorar Hell. – pedi.
-Não quero ir Alec. Uma palavra sua e eu fico. – passou as mãos por baixo dos olhos limpando o preto manchado deles.
-Não é uma escolha nossa. – as palavras me feriam, e pareciam ferir a ela. – Se ficar morrera, ou enlouquecera, assim como todos a sua volta.
-Quer dizer que eu sou uma bomba química ambulante que contagia todos?
Desviei meus olhos em direção a Volterra, contemplando a cidade. As colinas verdejantes como nuvens, a muralha etrusca cintilando como uma jóia de pedras.
Em outros tempos ela parecia tão inacessível, e protegida de qualquer coisa, mas agora me lembrava um lugar que não se moveu no tempo, como um camafeu preso em um vestido de montanhas, passado de geração para geração.
Precisava dessa calma para por as idéias em ordem.
-Esse era o meu lugar favorito para pensar.
-Não é mais? – ela fungou.
-Depois de te conhecer eu só vim aqui uma vez.
-O que eu vou fazer Alec?
-Não tem escolhas meu amor. – passei minha mão por seus cabelos. – Só a uma. – desci ela por seu rosto.
-Nunca mais vamos nos ver?
-Não sei. Mas não podemos mais ficar juntos. – ofeguei.
-Porque minha vida sempre fica uma droga?
-Hell... Sua vida vai começar agora, tem noção de quantas portas se abriram para você a partir de agora? – fitei seus olhos.
-Não quero oportunidades, quero você. – segurou minha camiseta puxando-me para si. Correspondi ao seu toque tentando me conter.
-Eu também. – nos beijamos como ela nunca havia me beijado. – Mas você é uma súcubo agora. – falei quando nos separamos. – Não a espaço para mim em sua vida mais.
-Nunca vou te esquecer.
-Nem eu.
Me levantei.
-Vou deixá-la pensar.
Apertei meus olhos, abri a boca, mas a fechei logo depois. Não queria dificultar a vida dela mais ainda, eu não podia.
-Eu te amo.
Sussurrei descendo as escadas.