3 de fev de 2011

capitulo 6

Posted by sandry costa On 2/03/2011 2 comments

Pessoal, por sorte, a partir do dia 12 de fevereiro eu estarei livre da conturbação de fim de ano.

O que significa que os cap. serão postados mais rápidos.

Mais uma vez, sinto pela demora.

Abraço a todos.

Ang.




A Voz do Mundo


Sinto inveja das pessoas, sinto inveja dos mortais há mais de um século... e tudo isso devido à capacidade que as pessoas tem de dormir. Acho interessante esta capacidade. O sono é um estado inconsciente do ser, um período em que ficamos submersos de nós mesmos, o que nos permite vagar por um mundo totalmente diferente e alheio aos nossos problemas cotidianos e a nossa luta diária.
Mas muito além disso, é um estado de estupor tão profundo que nos permite esquecer de tudo o que nos incomoda, eu gostaria muito de poder adormecer, mas, ao invés disso, fico acordado o tempo todo enquanto as pessoas dormem. Ouço quase impaciente o ressonar despreocupado de Jacob e Seth no outro quarto, eles parecem esquecer de seus problemas... antigamente eu poderia saber quais eram seus sonhos... mas não posso mais. Mesmo assim, minha inveja é grande.

O mundo está mudo.

Nunca imaginei que o silencio me incomodaria tanto... assim como jamais imaginei que o silêncio é o som mais perturbador que existe, ou melhor, a ausência de som mais perturbadora que existe. Carlisle está na recepção do pequeno hotel que encontramos em Manágua, nossa primeira parada antes de nos encontrarmos a caminho do grande vulcão que todos chamam de A Voz do mundo. 
Manágua era um local absurdamente quente e estamos sendo obrigados a passar o tempo todo dentro do hotel, os lobos aproveitaram para dormir e repor a energia enquanto Carlisle tentava definir o melhor caminho para chegarmos ao noroeste do país. A idéia era seguir por áreas ermas, afinal, não queríamos que dois lobos gigantescos fossem vistos pelas pessoas que habitavam o interior do país.
Bella e Nessie não deixavam os meus pensamentos e eu desejei não poder ouvir até mesmo a minha própria mente; Jasper estava furioso, ele não queria se demorar muito, a falta de Alice o estava transtornando completamente... ela era o ponto de equilíbrio de Jass... sem Alice ele perdia o foco.
Subitamente, ouvi a porta do meu quarto se abrir e Seth passou por ela com cara de sono.
- Acho que vou tentar descobrir se existe algum lugar por aqui para comer – ele falou com a voz arrastada.
- O restaurante do hotel é aberto 24h, Seth – eu respondi olhando-o com um sorriso – Desça até lá e peça algo para comer, este, pelo visto, é o único modo de fazer um lobo dormir... enchendo a barriga.
- Por falar nisso, vocês deveriam caçar também, não é?
- Não se preocupe... há muito animais silvestres de grande porte neste país... nos alimentaremos enquanto estivermos correndo para o noroeste.
- E o seu dom? – perguntou Seth com receio.
- Nada até agora... hoje mais cedo, enquanto estávamos no avião, pensei ter ouvido o eco dos pensamentos de Kaori, mas não tenho certeza, talvez fosse os pensamentos dela ou talvez fosse apenas a minha angústia me dizendo que eu jamais voltarei ao normal novamente.
- Isso é uma catástrofe.
- Não tanto, mas um incômodo sim. Agora eu sou um deficiente. - eu respondi rindo procurando manter o humor.
- Isso o deixará muito mais vulnerável.
- De fato – eu disse pensativo – Antigamente eu era muito mais confiante, imaginava-me insuperável pelo fato de poder ler os pensamentos dos outros... pensava que ninguém jamais me atingiria... pensei que jamais alguém poderia me matar. Antes eu previa um ataque ou uma tentativa de nos fazer mal... conseguia captar com antecedência uma má intenção para com a minha família... mas hoje, não mais. Entretanto, isso pareceu não fazer diferença alguma no fim das contas...
- Por que, não? – indagou Seth.
- No fim enfrentamos um mal muito grande... e mesmo nossos talentos reunidos não foram capazes de nos salvar; descobrimos vampiros mais poderosos como aquele que neutraliza o dom dos outros... o que oculta... e mesmo o que amplia os dons de outros vampiros. No fim éramos mais frágeis do que imaginávamos, muito mais vulneráveis e despreparados para a maldade que o mundo reserva para momentos de surpresa... isso serviu para me dar uma perspectiva diferente do mundo.
- Qual?
- A morte, meu amigo Seth – eu disse sombriamente – A morte. Antes eu não temia nada por me julgar imortal... mas a morte chega aos imortais também... o tempo não nos destrói, mas há forças no mundo que são capazes de forçar o nosso perecimento. Nossa destruição... é muito mais palpável agora.
- Você não parece muito esperançoso – ele disse prevendo minha expressão de desgosto.
- Bem... eu procuro ser realista, obviamente guardo esperanças de voltar para casa com minha esposa e filha... mas, sinceramente, nosso caminho é obscuro e tortuoso, Seth... temos que ter consciência de que muito provavelmente não retornaremos para nossas casas. Eu sinto por você e Jacob, sinto por Bella e Nessie que não viveram tanto quanto eu já vivi, a morte é estranha depois que você completa uma centena de anos, ela parece distante e é interessante tê-la tão perto novamente.
- Mas você não se arrepende, não é? – perguntou Seth me olhando – Não se arrepende de ter voltado para Forks depois daquela vez em que abandonou Bella.
- Não chega a ser um arrependimento, mas é uma linha de raciocínio que me surpreende às vezes; se eu não tivesse voltado a Forks, se não tivesse tido a ridícula idéia de me entregar aos Volturi forçando Bella a ir me salvar... bem, ela provavelmente teria se casado com Jacob e teria vivido feliz com ele pelo resto de sua vida mortal então todos estariam a salvos. Mas o destino... este fenômeno tão estranho e onipotente sobre nossas vidas... fez com que tudo saísse da forma com que saiu.
- Você acha que elas e Quill estão bem? – quis saber Seth agora mais preocupado.
- Eu suponho que sim, não sei ao certo o que Aro pretendia ao capturá-las... mas os talentos das meninas interessa muito a ele enquanto o poder de Quil também é um atrativo do ponto de vista da pesquisa. Os Volturi são colecionadores, então eles vieram novamente para aquisições de poderes e, infelizmente, conseguiram.
- E o que você sabe a respeito deste vampiro que estamos buscando.
- Erestor? Quase nada... nem ao menos Carlisle sabe muito a respeito dele, parece ser um vampiro bem velho e poderoso, afinal, conseguiu se livrar das catacumbas de Volterra... espero que ele ao menos possa nos ajudar.
- Eu também... agora vou fugir para o restaurante... quero só ver eu conseguir pedir alguma coisa para comer... não falo quase nada de espanhol.
- Carlisle está lá embaixo – eu disse rindo – Peça para ele lhe dar uma ajuda.
- Valeu.

Apesar de apurar a minha audição para tentar saber o que Carlisle descobriu com o pessoal do hotel, fui obrigado a parar logo em seguida, por alguma razão a conversa em espanhol me deixava impaciente e apenas aumentava o meu desespero em prosseguir a viajem. Deixei-me desabar em uma confortável poltrona de vinil que se encontrava silenciosamente atirada num canto do quarto, dali, me perdi enquanto analisava a meticulosa ornamentação do teto em gesso rebaixado; os pequenos filetes dourados que contornavam as paredes formando vãos entrelaçados e brilhantes com a luz alogênia que insidia amarelada sobre mim. Os móveis de tom rústico davam uma sutileza singela ao aposento e soube que Bella adoraria este tipo de arquitetura, diferente do gosto apurado e sofisticado de Alice que preferia o modo “Clean” como as coisas eram utilizadas nos grandes centros urbanos.
Havia uma prateleira de livros ali, apesar de reais não serviam para nada a não ser a ornamentação, mas um exemplar de O Morro dos Ventos Uivantes se destacava numa capa com tom vermelho entre todos os outros. Este livro era muito significativo e eu fiquei profundamente irritado de perceber que qualquer coisa me lembrava Bella... e a distância que me separava dela.
Finalmente, após algum tempo opressivamente confinado em meu próprio silêncio, eu percebi que da janela aberta entravam sons de risos... estranhando aquele som tão cristalino e despreocupado eu me ergui de minha própria inércia e caminhei até a varanda para contemplar o som do riso que invadia minha tristeza.
Na frente do hotel corria uma ruela estreita e elegante com uma miríade quase infinita de barzinhos e pequenos pubs onde as cadeiras e mesas eram distribuídas nas calçadas fazendo com que as ruas fervilhassem de pessoas conversando e rindo de suas vidas mortais e pacatas. Imediatamente abaixo da minha janela se encontrava um grupo de jovens que bebiam suas cervejas geladas e riam descontraidamente para a noite cintilante.
Eu fiquei com raiva daquilo... o riso das pessoas me incomodava e inconscientemente senti vontade de destruir o sorriso em seus rostos alegres. Afinal, quando eu voltaria a sentir felicidade? Este sentimento parecia ter sido totalmente extirpado da minha existência, varrido por uma força maligna que arrancou de mim tudo o que eu mais prezava. Eu senti o ímpeto de dissolver a felicidade daquelas pessoas, porque elas podiam ser felizes e eu não? Porque elas tinham o direito de se sentarem numa mesa de bar com os amigos e brindarem a vida e os desmazelos da existência humana?
Mas eu sabia que era uma bobagem minha. Aquelas pessoas não tinham culpa de poderem ser felizes, isso me trouxe uma nova linha de pensamento, de quão fácil é a vida dos mortais. As pessoas podem sair livres à luz do dia sem quaisquer preocupações aparentes, obviamente há o medo da violência crescente das cidades, medo de adoecer ou não conseguir um bom emprego e sustentar a família. Mas isso são assuntos tão levianos se comparados aos assuntos das sombras, estes mortais abobalhados com as luzes das cidades não têm noção que acima deles se encontra um predador feroz que mesmo ferido poderia ceifar suas vidas com uma dificuldade mínima, estes humanos tolos não têm a menor idéia que a quilômetros deles existe um castelo reinado por imortais poderosos e corruptos que poderiam facilmente dominar o mundo condenando-os a uma vida miserável de escravidão e medo.
Mas eu não falo por ódio e sim inveja. Sinto inveja desta liberdade que os humanos possuem para serem tolos, é um direito deles a ignorância que os protege e eu me pego desejoso de poder igualmente ser um ignorante. Ignorante sobre os assuntos das sombras. Se eu pudesse ser assim, eu poderia ter facilmente a minha felicidade de volta... mas não posso.

Então, trazendo-me novamente para a realidade, uma batida leve na porta soou pelo quarto e um segundo depois, Carlisle entrou carregando seu costumeiro olhar tranqüilo no rosto. 
- Incomodo? – perguntou ele.
- Nunca – respondi um pouco sério demais.
- Admirando as luzes da cidade?
- As pessoas...
- Ah, claro... os latino-americanos possuem um jeito irreverente de ser.
- Sim... – eu disse concordando – Conseguiu descobrir o que queria?
- Consegui e para minha surpresa calculei errada a distância, estamos mais perto de nosso destino do que imaginávamos, pouco mais de 100 quilômetros nos separam de Chichigalpa e Chinandega; acho que podemos cobrir esta distância em poucas horas. Com sorte chegaremos a Chinandega antes do amanhecer.
- O que nos dá uma boa margem de tempo – eu respondi pensativo – O terreno é seguro daqui até lá?
- Enviei Garret e Jasper para um reconhecimento do terreno, eles vão contornar o Lago Manágua e voltarão em seguida, assim teremos uma boa idéia de como será correr daqui até as vilas, mas acho que não haverá problemas, existem grandes florestas por aqui onde Jake e Seth poderão se esconder; obviamente teremos que aguardar até o anoitecer para poder, enfim, sair pela vida tentando descobrir algo sobre o paradeiro de Erestor.
- Você ouviu algo sobre ele?
- Não necessariamente. Apenas que as vilas de Chichigalpa e Chinandega são abençoadas e protegidas por um anjo que não permite que malfeitores habitem por lá, geralmente os ladrões, gatunos e bêbados tem um fim bem trágico.
- Você acha que pode ser ele?
- Talvez, apesar de ser ilógico este comportamento, parece-me que Erestor estaria determinando um território de segurança, mas não entendo o porquê. Erestor é um fugitivo, achei que ele seria mais discreto em se esconder.
- Mas e quanto ao dom que ele tem? – eu perguntei curioso – Erestor pode prever qualquer um que esteja se aproximando dele, não é mesmo?
- Na verdade eu acho que o dom dele não funciona assim tão diretamente. Este poder deve ser um pouco nebuloso como o dom de Alice, Erestor talvez não consiga prever exatamente o que se aproxime dele e nem a uma distância tão grande. Seu dom o torna um escapista, ele prevê talvez com um minuto ou menos de antecipação alguma coisa que o hostilize e, deste modo, consegue fugir pouco tempo antes de que algo o atinja... ou o encontre.
- Ele vive no pulo do gato – eu disse sorrindo.
- Exato – falou Carlisle respondendo ao meu sorriso.
- Ele nos atenderá?
- Não sei – disse Carlisle pensativo – Talvez sim, talvez não... quem poderá dizer? Erestor não tem qualquer motivo para nos auxiliar, na realidade parece estar isolado aqui há anos... e nós não sabemos qualquer coisa a respeito dele, não sabemos absolutamente nada acerca de sua índole... há a possibilidade de ele ser tão mal quanto qualquer outro vampiro que tenhamos encontrado antes. Tão perigoso quanto Aro.
- Por que ele estava preso?
- Eu já lhe disse, Edward... não sei nada a respeito dele. Apesar de Erestor ter fugido de Volterra na época em que morei lá eu nunca soube absolutamente nada sobre ele, Aro o tratava com muito resguardo e jamais comentou sobre ele comigo. Só fiquei sabendo da existência dele quando fugiu das masmorras encantadas de Volterra... o que causou um alarde imenso como você bem pode imaginar.
- Isso fica cada vez mais complicado – eu disse num suspiro me voltando novamente para os risos irritantes da rua movimentada – Dependemos de encontrar um vampiro obscuro cujo qual nada sabemos, e o pior é que se ele não nos auxiliar teremos que partir para Volterra com as mãos vazias e sem a menor chance de conseguir entrar lá...
- Não temos escolha, Edward.
- Nem a de nos juntarmos a eles? – perguntei sombriamente.
- Essa já não é mais uma opção... eles nos destruíram, Aro ofereceu sua mão uma única vez e não tornará a fazê-lo, agora ele julga que talvez apenas eu e Esme estejamos vivos... e que nos daremos por derrotados.
- Será que realmente ele não desconfia de que tentaremos salvá-las?
- Não... o orgulho dos Volturi os cegam, Edward... por causa de Flavius Aurélius eles se consideram invencíveis, eles acreditam terem ludibriado nossa vontade e destruído nossa coragem, mas eles ignoram um sentimento que nos une e que é mais forte que o medo ou que a cobiça...
- Que seria? – perguntei sem compreender.
- O amor... o amor nos une, Edward, e será o amor que nos reunirá e nos dará força para prosseguir. Agora, vou ver se Seth não se afogou em toda a comida que pediu e enquanto isso vou aguardar a volta de Jass e Garret. Fique a postos... sairemos assim que eles retornarem.
- Está certo.

Com a partida de Carlisle eu permaneci no quarto escuro cuja iluminação precária era oriunda apenas da rua que ardia em vozes e risos das pessoas comuns, eu estranhamente andava preferindo lugares escuros ultimamente, talvez a lembrança opressiva da escuridão do rio ainda me atormentasse. Desconfio que me tornei mais taciturno e noctívago do que antes, tornei-me algo diferente do que era desde que Bella se uniu a mim e desde que Nessie nasceu... eu me considerava um homem abençoado.. agora, entretanto, me considero amaldiçoado.
Passou algo em torno de uma hora desde que Carlisle deixou o quarto e eu ouvi neste meio tempo quando Jacob se levantou e desceu até o hall do hotel em busca de comida, eu permanecia parado num rompante estatuesco enquanto as pessoas desfilavam diante de mim lá na rua com seus sorrisos fáceis... foi muito distraidamente que ouvi a voz de Kaori tocar minha mente.
Edward... chegou o momento – eu senti um arrepio ao ouvir sua voz espectral dentro de minha cabeça, era a primeira voz que ouvia desde que perdi meu dom e, pelo visto, seria apenas assim que ouviria as vozes dos outros por pensamento: Através do dom de Kaori.
Olhei para o relógio em meu pulso... passava alguma coisa das três horas da manhã, eu tinha perdido algum tempo imerso em meus próprios pensamentos errantes; sem mais delongas agarrei a mochila de viajem que trouxe e desci para o hall do hotel. Estavam todos lá, os lobos não carregavam nada enquanto Garret sustentava uma mochila bem grande... lembrei-me do combinado: um de nós levaria as roupas deles, afinal, eles correriam na forma de lobo e precisariam de vestimentas depois que retornassem à forma humana.
Todos me olharam por algum tempo, gostaria de ter meu dom de volta para saber se ultimamente eles têm me achado louco... acho que está claro que a quase morte e o sequestro de Bella e Nessie me afetaram mais do que até mesmo eu poderia imaginar. Suspirei para mim mesmo e desci os últimos degraus ainda conseguindo ouvir as ultimas palavras de Carlisle para o recepcionista se desculpando pela chegada e saída repentina; normalmente teríamos mais cuidado com este tipo de comportamento mas a urgência não nos permitia a hesitação.
O que descobriram?? - eu perguntei a Jasper.
Tudo tranqüilo daqui até o lago Manágua – disse ele despreocupado - Muita cobertura da mata e bastante proteção das sombras, todo o percurso é seguida por uma floresta longa e desabitada.
Ótimo – respondi lacônico.
Todos prontos? - perguntou Carlisle nos olhando – O caminho não é tão difícil e nem tão longo quanto imaginávamos e assim poderemos chegar ao nosso destino até mesmo antes do previsto. Agora uma boa notícia, pelo visto haverá chuva no fim desta madrugada e o dia amanhã estará nublado o que nos permitirá caminhar pela vila de Chinandega tranqüilamente sem a necessidade de aguardarmos a noite cair.
Isso vai poupar tempo – enfatizou Garret.
Com certeza, assim poderemos procurar notícias sobre Erestor com mais calma... há um hotel na cidade onde ficaremos hospedados e de lá nos separaremos para procurar por nosso alvo. Mas teremos de ser sutis... não queremos despertar suspeitas.
Sendo assim... vamos? - disse um impaciente Jacob.
Vamos pessoal... - ordenou Carlisle e saímos para a noite iluminada da cidade rumo ao vulcão e à procura por Erestor.

A flora da Nicarágua era muito densa... a floresta tropical se estendia por quase todo o território propiciando a todos nós uma cobertura despreocupada, Jacob e Seth em suas formas de lobo gigante passeavam tranquilamente entre as árvores sem medo de serem vistos... a floresta tropical deste país era tao fechada e abafada que até os passos pesados dos dois não podiam ser ouvidos direito.
Pela mata encontramos alguns cervos e um puma que serviram de alimento para nossa sede, precisávamos estar fortes e despertos para encontrar Erestor e lidar com qualquer adversidade que se apresentasse em nosso caminho. A noite dava lugar à claridade do dia a medida que nos aproximávamos de nosso objetivo e foi um pouco antes das seis da manhã, quando a aurora já começava a lançar seus braços luminosos sobre o mundo, que nosso grupo saiu para o alto de uma pequena colina de onde, espantados, observamos o imenso vulcão San Cristóbal que assomava-se imponente sobre nossos olhos.
Acima de nós, a alguns quilômetros à nossa frente, a imensa montanha verde e marrom erguia-se soberana rumo ao céu nublado, seu topo era coroado por uma camada branca de neve eterna onde poucos mortais arriscavam chegar... o San Cristóbal estava lá, como um gigante natural de mais de 1500 metros de altura, nos olhando como se fossemos insetos miseráveis em seus pés verdejantes.

A uma distância não tão grande... uma pequena cidade se preparava para despertar.

Lá está – disse Carlisle - Chinandega.
Impressionante – riu Kaori de repente – Ela consegue ser menor que Forks.
De fato... vamos, temos que chegar mais perto para os lobos se transformarem.
Era interessante o silencio estre nós... mesmo com o dom de Kaori ativado nós evitávamos falar uns com os outros mesmo através do pensamento, acho que o trauma foi grande demais e acho que eu parecia demais um fantasma para que alguém tivesse algo a me dizer.
Jake e Seth trocaram de roupa rapidamente logo após a transformação e entramos na cidade quando o dia já havia raiado completamente, com o tempo nublado não precisamos nos esconder e fiquei surpreso por não chamarmos tanta atenção: talvez as pessoas da cidade já estivessem acostumados com mochileiros vindo de todas as partes do mundo para fotografar o vulcão.
Obviamente o pessoal do hotel ficou um pouco espantado... era normal, eu, Jasper, Garret, Carlisle e Kaori tínhamos o charme e a beleza dos vampiros e Jake e Seth eram imensos demais para passarem despercebidos. Os rapazes do hotel se apaixonaram imediatamente por Kaori.
Subimos para os quartos a fim de disfarçarmos nossas intenções reais e alguns minutos depois todos estávamos reunidos no aposento de Carlisle... 
Bem – começou ele – Acho que todos sabem o que fazer não é mesmo?
Sermos discretos? - perguntou Seth.
Exato... não façam qualquer abordagem direta perguntando sobre vampiros – disse Carlisle em tom de brincadeira – Precisamos descobrir se eles conhecem a existência de alguém que parece um ermitão e que habite por estes lugares.
Você acha que ele mora longe daqui? - quis saber Jacob.
Sim, ele não é como nós... Jake – disse Carlisle olhando a rua pela janela – Ainda se alimenta de sangue humano... eu tenho quase certeza, por isso, morar no centro de uma cidade seria perigoso demais; um vampiro que se alimente de pessoas não consegue ficar perto delas sem atacá-las. Se Erestor ainda estiver por aqui... ele mora muito afastado de Chinandega.
Há a possibilidade das pessoas da vila saberem algo sobre ele? - eu perguntei.
Na verdade não... - disse Carlisle – Mas não custa tentar... será mais simples se ouvirmos algum rumor e se este rumor apontar para algum lugar. Eu particularmente não estou inclinado a buscar um vampiro por toda esta região... principalmente perto do vulcão.
O que há de errado com o vulcão? - perguntou Kaori.
Nada – disse Carlisle dando de ombros – Ele só é muito grande.

A cidade não era necessariamente grande, mas tinha sua beleza tendo como pano de fundo a imensidão do vulcão, mas as pessoas eram amáveis e educadas e tinham um sorriso sempre estampado nos lábios. Eu me senti imediatamente inútil. Se meu dom ainda estivesse presente, eu poderia facilmente ler a mente das pessoas para tentar descobrir qualquer vestígio de Erestor... agora, infelizmente, terei de fazer isso manualmente mesmo.
Carlisle determinou que voltássemos ao hotel assim que a noite caísse, mas, muito antes disso, a voz de Kaori tocou minha mente através de seu dom e ela pediu que retornássemos rapidamente para o ponto de origem. Eu acabara de fracassar na tentativa de extrair alguma informação de uma bar que fedia a fumo e álcool e onde todos estavam tão distraidamente intoxicados que eu não consegui qualquer informação coerente.
Disfarçando minha pressa e minha ansiedade por notícias eu fui obrigado a reduzir ao máximo os meus modos vampíricos enquanto agradecia que o tempo estivesse fechado para que minha pele não resplandecesse ao sol. Qual não foi a minha surpresa quando, no quarto de Carlisle onde todos já se reuniam, eu peguei Kaori mostrando aos presentes uma camiseta vermelha escrita “Você visitou o vulcão e saiu vivo!”.
Não é engraçada? - disse ela olhando para o sorriso de Seth.
Onde é que eu compro uma destas? - disse Seth prontamente.
Você nos chamou aqui pra isso? - eu perguntei estarrecido, não acreditei que Kaori havia nos enviado a mensagem apenas pra mostrar uma camiseta.
Mas é claro que não, Edward – disse Jasper – Estávamos esperando por você, obviamente.
Desculpe, Kaori – eu falei e então me senti envergonhado por ter pensado algo precipitadamente, eu realmente estava perdendo o meu jeito de ser.
Não se preocupe com isso, Edward – ela respondeu com um sorriso – Eu sei por tudo o que você está passando... e o melhor é que eu acho ter boas notícias.
O que descobriu? - peguntou Garret.
Bem – começou Kaori se sentando na cama e olhando para todos nós com seus olhos brilhantes – Numa lojinha de artesanatos eu descobri coisas interessantes, as pessoas que trabalham lá são artesões e vivem em lugarejos um pouco distante do centro da cidade. Perguntei por lendas locais e eles me confidenciaram sobre algo que me pareceu muito preciso...
Que seria? - interrompeu Jacob impaciente.
Ao que parece... Chinandega é uma vila totalmente desprovida de violência pois, segundo os moradores, há um bem feitor oculto e muito poderoso que “limpa” a cidade de toda a espécie de bandidagem que possa haver por aqui. Pelo que eu pude perceber, eles consideram este personagem um bruxo ou um homem mágico que os protege e os moradores o tem em alta estima... como se este ser fosse uma espécie de anjo da guarda.
Será o vampiro que procuramos? - perguntou Garret.
Não é um comportamento normal para um vampiro ermitão – eu sugeri.
Talvez sua intenção seja manter a área limpa... - disse Carlisle.
Acho que não... uma cidade com índice zero de violência chamaria mais a atenção nos dias de hoje do que uma cidade com uma taxa ao menos normal de criminalidade – disse Jasper astutamente.
Ah, mas não acaba aí – interpôs Kaori – Existem muitas pessoas pela cidade, e eu notei umas cinco ou seis, que possuem a marca da uma mordida delineada na garganta...
Como é que é? - surpreendeu-se Seth.
Isso mesmo... uma marca de mordida... de vampiro.
Mas o que poderia significar isso, Carlisle? - eu perguntei prontamente.
Eu não sei... nem ao menos consigo especular – ele respondeu pensativo – Um vampiro que protege uma cidade e que suga o sangue das pessoas sem matá-las ou transformá-las? Isso é inédito para mim... nunca ouvi falar de coisa igual. Não sei se este ser obscuro das lendas da cidade se refere a Erestor... deveríamos ao menos tentar especular como estas pessoas conseguem as marcas... seria uma pista.
Então, vocês ficam aqui e eu já volto – disse Kaori de repente se dirigindo para a porta.
Aonde vai? - interessou-se Jacob.
Fiz amizade com a moça da farmácia que tem uma marca destas...
Porque você foi à farmácia??
Ora... comprar protetor solar. É um jeito bom de enganar as pessoas pela pele super clara... - riu Kaori descontraidamente e saiu pela porta afora.
Esta menina está se saindo melhor que a encomenda – riu Carlisle.

Para nosso total espanto, Kaori levou mais de uma hora para retornar... neste tempo fiquei pensando em toda a informação que ela revelou... a falta de bandidos e marginais na cidade, as marcas de mordidas nas pessoas... era um comportamento estranho para um vampiro... ainda mais um fugitivo como Erestor. Finalmente, quando minha paciência estava começando a novamente se evanescer... Kaori surgiu pela porta do quarto trazendo, pelo menos, uma cinco sacolas pequenas com ela.
Minha nossa – suspirou Jacob – A gente aqui morrendo de curiosidade e você vai às compras?
Querido – disse Kaori com os olhos brilhantes – Qual é o melhor jeito de uma mulher puxar assunto com outra? Fazendo compras, eu comprei umas coisinhas enquanto falada de outras... e, além disso, vocês vão precisar de sabonetes nesta viagem.
O que descobriu, Kaori? - perguntou Carlisle com um sorriso no rosto.
Que artigos de higiene são baratos por aqui e... além disso, que encontramos o nosso vampiro.
Você está falando sério? - disse Garret num pulo reunindo todos ao redor de Kaori.
Sim... Maria Helena é o nome da moça da farmácia... e ela me contou como conseguiu a marca no pescoço; Chinandega tinha muitos problemas com bandidos levando em conta que era uma vila afastada dos grandes centros... era uma cidade tratada sobre um regime bem coronelista... até a chegada de um estranho de olhos vermelhos e pele brilhante chamado Erestor.
Ah, só pode ser piada! - exclamou Jasper.
Não... não é – garantiu Kaori – Ao que parece, Erestor se instalou numa região rural longe daqui e passou a expulsar sistematicamente todos os encrenqueiros da cidade, num dia eles estavam incomodando e no outro haviam desaparecido misteriosamente... as pessoas salvas desse modo... aqui o caso de Maria Helena, se dirigiam até a casa longinqua de Erestor para lhe agradecer e lá recebiam O Beijo.
Ai ai ai – gemeu Garret – Isto está ficando cada vez melhor.
Se está! - disse Kaori prontamente – Pelo que notei, a garota é apaixonada pelo vampiro, ela disse que ele lhe pediu para lhe dar o Beijo como gesto de gratidão por ter salvo a sua vida. Enfim, o Beijo, é claro, foi um gole do sangue da menina que, depois disso, ficou completamente enamorada de Erestor. Ela diz para todos ouvirem que ela é uma das Escolhidas assim como poucos na cidade, que ele é refinado e lindo, um anjo enviado para salvá-los e espantar a injustiça da cidade.
Poucos escolhidos? - Interessou-se Carlisle.
Isso, ela me contou que apenas umas oito ou nove pessoas receberam o Beijo e que estas pessoas são consideradas abençoadas pelo benfeitor; elas mesmo se consideram sortudas por terem recebido o Beijo e vêem a si próprias como escolhidas pelo herói e se encontram estre seus favoritos. Para eles é uma sorte.
Qual é? - indignou-se Jacob – O cara escolheu a cidade inteira para ele?
Ao que parece – eu disse sombriamente.
O que você acha? - perguntou Jasper dirigindo-se a Carlisle.
Realmente não sei – ele respondeu depois de um tempo em silêncio – É um comportamento muito estranho, vampiros tendem a se isolar... de fato, a maioria de nós é nômade e evita contatos cordiais com seres humanos. Erestor, ao contrário, fixou-se numa vila humana e adotou as pessoas que habitam aqui até mesmo selecionando algumas para serem sua companhia com mais intimidade, expulsa os invasores e os de má índole para, desta forma, ser adorado pelos cidadãos. Eu jamais ouvi falar de um vampiro ter adotado uma cidade antes.
Então, apesar de não o compreendermos... será possível encontrá-lo? - eu perguntei.
Se é que ele já não sabe que estamos aqui... - ponderou Carlisle – Pelo que compreendi, as informações podem ter sido passadas a Kaori com a autorização dele e provavelmente alguém já o foi informar sobre nossa presença.
Então eles desconfiam que vocês são vampiros? - perguntou Jacob.
Não acho que saibam que somo vampiros – disse Carlisle – Talvez desconfiem que pertencemos à mesma espécie ou família de seu salvador... afinal, a semelhança é grande... temos a pele clara, somos belos e nosso cheiro é convidativo como o dele. Nosso tom de voz, nosso movimento... provavelmente os amados por ele perceberam as semelhanças... acham que somos do mesmo tipo apesar de que a palavra vampiro e o que ela significa esteja longe de seu entendimento ou mesmo de seu interesse.
Mas como diabos ele morde as pessoas sem transformá-las? - indagou Seth verbalizando todas as nossas dúvidas.
Ah, isso eu francamente apenas desconfio... Nós, vampiros, podemos sugar o sangue sem injetar veneno mas o sabor do sangue é tão doce e atrativo que jamais conseguiríamos nos conter antes de matar nossa vítima. Vi isso apenas uma vez em minha vida... apenas um vampiro que conheço conseguiu sugar o sangue sem injetar veneno ou matar a vítima.
Quem? - perguntou Kaori espantada.
Edward – respondeu Carlisle simplesmente – Quando um vampiro chamado James atacou Bella e a mordeu, Edward sugou todo o veneno do corpo dela sem, no entanto, injetar de seu próprio ou matá-la extraindo todo o sangue.
Uau – suspirou Kaori me olhando.
Para você ver o que a gente não faz por amor – eu disse sorrindo.
E agora? - quis saber Garret.
Você descobriu o lugar em que ele mora? - eu perguntei a Kaori.
Sim... a uns 50 quilômetros daqui rumo ao pé do vulcão. Uma espécie de fazendola oculta na mata fechada, bem próxima à cidade se formos analisar, mas, para um vampiro, esta distância não é nada.
Então... estamos esperando o quê? - perguntou Jasper.

E este foi o ponto culminante, esperamos anoitecer para sairmos rumo ao vulcão que preenchia o horizonte e na direção que, supostamente, o estranho vampiro Erestor vivia; isso deixou a todos alerta e em estado de excitação... afinal, iriamos atrás daquele que nos daria a pista para entrar na inexpugnável Volterra.


Mas o que encontraríamos lá? Erestor nos receberia ou fugiria de nós?


E que segredos este misterioso vampiro reserva?


Ao cair da noite nos entregaríamos ao desconhecido, ao incerto... 


Nos entregaríamos ao abraço do obscuro Erestor.

2 comentários:

MUITO BOM, MAS POR FAVOR NÃO DEMORE A POSTAR O PROXIMO CAPITULO

nossa isso é realmente interesante e intrigante;;;;;;;;;;;;
um vampiro bonzinho pra uma cidade inteira isso é novidade.
amei o cap querido e como sempre falo vc é simplismente perfeito com a escrita.
vc é um otimo escritor
parabens pela fic magnifica
beijusss e ate

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