26 de nov de 2011

Capitulo 19

Posted by sandry costa On 11/26/2011 No comments

Por um segundo nenhum de nós foi capaz de falar. Eu encarei Salesiana e não pude conter minha expressão de espanto; ela era alta e magra, seus cabelos ruivos caiam em cascatas por sobre o manto azulado e puído, sua pele era perolada e parecia cintilar em meio àquela luz amarelada... tinha o rosto bonito, mas extremamente frio e sem emoção. Mas o que mais me chamou a atenção foram seus olhos... eram verdes, verdes e luminosos como se emanassem uma aura de luz.
- Eu sou Carlisle Cullen e estes são meus filhos: Edward, Jasper e Kaori. Viajo com meus amigos Garret, Jacob e Seth. Nós não lhes desejamos mal, Salesiana, nossa presença aqui já é prova suficiente disto uma vez que seu encantamento não permite aos hostis entrarem em seus domínios. Tudo o que pedimos é que nos permita contar nossa história...
Salesiana nos olhou demoradamente, parecia tentar perscrutar os reais motivos para estarmos ali, encarou um a um como se procurasse adivinhar nossa força e o perigo que poderíamos representar. Depois disso, sua voz firme soou novamente pelo pântano abandonado.
- Há vários séculos não vemos outros vampiros e há décadas não deixamos os nossos domínios. De que forma nos encontraram e como souberam do feitiço de proteção?
- Soubemos de tudo através de um vampiro chamado Erestor – respondeu Carlisle, ao ouvir o nome, Salesiana se mostrou surpresa.
- Erestor, o Velho – disse baixinho a bruxa – Eu não sabia que ele ainda está vivo, é um dos mais antigos... foi o último vampiro com o qual tivemos contato. Ele nos prometeu jamais revelar o nosso paradeiro.
- Por favor, não tenha uma má impressão de Erestor – emendou Carlisle – Ele apenas nos revelou onde você e sua filha moravam porque sabia que nós não lhes desejávamos o mal. Como eu pedi anteriormente, viemos contar-lhes a nossa história e com isso implorar para que nos auxiliem.
- Muito bem... que assim seja – ela respondeu – Vou permitir que entrem em minha casa uma vez que o guardião lhes deixou passar, mas saibam que não tolerarei qualquer iniciativa de hostilidade para mim ou para com minha filha.
- Você tem a nossa palavra – afirmou Carlisle.

Com isso, Salesiana se virou e entrou na casa, Carlisle a seguiu imediatamente e nós hesitamos por um instante antes de segui-lo, entretanto, já havíamos perdido praticamente duas semanas tentando encontrá-las e não faria sentido não ir até o fim deste grande mistério.
Passamos pela porta um a um e Seth entrou por último tendo o cuidado de mantê-la aberta, apesar de tranqüilo devido ao dom de Jasper, ele ainda não confiava na bruxa. Havia uma sala ampla com móveis velhos e encardidos, estranhos candelabros caiam do teto na forma de galhos de árvores de onde dezenas de velas iluminavam todo o ambiente, mas, apesar disso, a luz era lúgubre deixando tudo num lusco-fusco entediante.
Uma mesa redonda com várias cadeiras estava disposta no meio da sala, era sólida e de madeira escurecida; nas paredes, inúmeras estantes com livros velhos nos observavam com desconfiança e o ar tinha um cheiro estranho de ervas... não havia sinal da outra bruxa.
Salesiana se acomodou na cabeceira da mesa fazendo um sinal para que nos acomodássemos nas cadeiras livres, Carlisle se sentou no outro extremo e Jacob acabou ficando ao lado da feiticeira... eu notei que ele não estava nem um pouco confortável com isso; Seth preferiu ficar em pé e não desviou os olhos da bruxa nem por um instante.
“Onde está a outra?” – perguntou Kaori através de nosso elo mental.
“Não sei” – respondi – “E acho melhor não perguntar, pode parecer grosseria.”
- Então, Carlisle Cullen – manifestou-se Salesiana – Conte-me a sua história e o motivo por ter vindo até mim.

Carlisle contou sua história e de sua necessidade de constituir família, relatou como encontrou todos nós e dos anos em que passamos juntos até nos mudarmos para Forks e eu me apaixonar por Bella. Kaori prestava atenção e absorvia todas as palavras de Carlisle, ela queria saber a história da família que a acolheu e eu ouvia seus suspiros quando algo a surpreendia.
Salesiana, apesar de sua imperturbável frieza, foi obrigada a demonstrar espanto quando Carlisle relatou sobre meu casamento, a gravidez de Bella e o nascimento de Renesmee. Não sei se ela chegou a acreditar em tudo o que lhe contávamos, mas permaneceu em silencio ouvindo com atenção; seus olhos se estreitavam quando o nome Volturi era mencionado e ela ficou lívida no momento em que Carlisle lhe contou sobre a primeira investida deles contra nossa família.
Salesiana encarou Jacob e Seth quando a história falava dos lobos e eu vi que ela ficou levemente tensa, no mundo dos vampiros, os lobisomens eram temidos mesmo depois de sua extinção. Depois do relato de Carlisle sobre o primeiro ataque, houve o período de tranqüilidade que perdurou por pouco mais de dez anos e que a história enveredava para uma época de paz em que víamos Renesmee crescer e acalentar os nossos corações.
Infelizmente, os relatos sobre o segundo ataque foram mencionados e no momento em que o nome de Flávius Aurélius foi evocado, Salesiana fechou os olhos e seu semblante demonstrou uma tristeza infinita; Carlisle lhe contou sobre os Mercadores da Morte e como nossos amigos e irmãos foram mortos e como Alice, Bella, Nessie e Quil foram tirados de nós e escravizados em Volterra.
Percebi que as horas eram imutáveis no meio deste lugar encantado, o tempo não parecia correr e eu percebi que estávamos há horas conversando devido à extensão da história contada por Carlisle; finalmente ele contou sobre meu retorno do mundo dos mortos, nossa busca por Erestor e sobre as revelações que ele nos apresentou.
- No fim das contas – disse Carlisle finalizando – Viemos até aqui para lhes pedir auxílio... precisamos entrar em Volterra e você e sua filha são as únicas vampiras vivas que conhecem os encantamentos que cercam o castelo além do próprio Aro Volturi.
- Sua história e a de sua família são surpreendentes, Carlisle Cullen – falou Salesiana o encarando – Eu jamais havia ouvido falar de um clã tão grande de vampiros e principalmente um clã que se alimente exclusivamente de sangue animal. Há muitas coisas perturbadoras em seu relado, o fato de possuir uma neta meio-vampira já é algo a se impressionar... mas muitas coisas que contou também são perigosas. Os Mercadores da Morte foram quase dizimados na mesma época em que eu fugi da Itália quando meu marido fora morta pelos Volturi; o fato de o poderio bélico dos três irmãos estar novamente em seu auge, é uma notícia muito ruim.
- Eu compreendo sua dor – continuou a bruxa – Eu perdi meu marido Forge devido a uma traição perpetrada pelos irmãos Volturi... compreendo sua ânsia de poder ajudar aqueles que lhe são caros e que estão presos no castelo de Volterra. Porém, infelizmente, eu não poderei lhes ajudar.
- Salesiana... – disse Carlisle – Viemos de muito longe para encontrá-la, nós precisamos realmente que compreenda nossa necessidade...
- Eu compreendo – respondeu a vampira – Mas entenda, Carlisle, a manipulação da magia leva séculos para ser adquirida, atualmente há pouquíssimos vampiros-feiticeiros no mundo... o próprio Aro Volturi levou décadas para aprender; seria impossível ensiná-los os segredos de Volterra. Eu não me recusaria a fazê-lo, mas entenda que o que me pede não está ao seu alcance.
- Creio que não nos entendeu, Salesiana – eu disse a olhando com cuidado – Nós temos consciência de que jamais aprenderíamos, num tempo hábil, a manipular a magia. Exatamente por isso, não viemos aqui para nos ensinar, viemos pedir que viesse conosco para Volterra para ajudar a salvar minha esposa e filha... assim como minha irmã e um de nossos amigos.

Houve um silêncio incômodo na sala enquanto as minhas palavras pareciam reverberar pelas paredes, Salesiana me olhou com interesse como se procurasse medir se minhas intenções eram realmente verdadeiras. Ela então sorriu para mim, sorriu como se achasse graça de minha ingenuidade... como se minhas palavras fossem de tal modo absurdas que a única resposta cabível seria um sorriso educado.
- Eu jamais voltaria à Volterra, Edward Cullen – respondeu Salesiana e o sorriso desapareceu de seu rosto.
- Você é a nossa única esperança – disse Kaori em sua voz triste.
- Os Volturi nos procuram até hoje, se aparecermos no castelo eu estarei condenada, Aro não permitirá que eu viva, afinal, me aprisionar não terá efeito já que sou conhecedora dos segredos das masmorras. Não, eu sinto muito pela sua família, mas não posso arriscar a minha vida ou a de minha filha apenas por terem sofrido e viajado tanto para chegar até aqui.
- Infelizmente não podemos aceitar uma resposta negativa – disse Jacob com um ar sério – Eu sou um guerreiro, não temo ameaça alguma; você se escondeu neste pântano a vida toda com medo de sair, o mundo foi deixado para trás, eu me pergunto qual é a razão desta sua existência limitada e covarde.
- Você fala como um tolo – disse uma voz áspera vinda de trás de Salesiana – Fala de coisas que não sabe.
Nosso espanto diminuiu quando uma vampira saiu das sombras que tomavam o aposento atrás da sala, ela surgiu vagarosamente e se encaminhou até Salesiana se postando ereta atrás da cadeira e cuidadosamente pousou as mãos em seus ombros. Ali estava Charlotte, a segunda vampira-feiticeira.
Era baixa, da mesma estatura de Alice. Tinha uma beleza recatada que só podia ser descoberta após uma observação mais detalhada de seu tosto, tinha traços fortes e nariz pequeno, a boca era desenhada de forma delineada e sutil... os cabelos eram negros e curtos na altura do queixo. Mas seu rosto transbordava de beleza quando admirado em conjunto com os olhos brilhantes, de um verde faiscante assim como os de Salesiana. Charlotte era uma bonita vampira na casa de seus trinta anos de idade, já tinha o rosto maduro apesar de que a juventude eterna podia ser facilmente reconhecida em sua face perolada e séria. Ouvi Seth suspirar alto... talvez até alto demais, mas não dei importância, os humanos sempre se fascinavam com a beleza das vampiras.

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