26 de nov de 2011

Capitulo 32

Posted by sandry costa On 11/26/2011 No comments


P.O.V – Hellena
Depois de que toda aquela coisa com a grande mãe, os espíritos e a wisp inicial, eu voltei para o castelo e fui direto para o meu quarto, e no dia seguinte fiquei de ressaca.
Dessa vez eu me ocupei em vestir a mim mesma. Procurei uma roupa que não fosse muito elaborada, e que desse para por sozinha. Quando finalmente terminei de fazer o ultimo laço, fechar o último botão, e prender a ultima fivela, sai.
Os corredores rodavam a minha frente. Quando me contaram sobre esse mundo eu imaginava que ele fosse medieval e sem higiene, eu estava enganada.
Imagine um lugar, onde houvesse um pedacinho de cada época, uma escultura egípcia, uma pintura renascentista, uma janela vitoriana, azulejos italianos, cortinas francesas, pedras medievais, carpetes século vinte e um, era como estar em um maravilhoso museu. E apesar da grande mistura milenar, tudo parecia se encaixar.
Atravessei um corredor com grandes janelas e cheios de plantas - as súcubos da terra deviam estar por perto, pensei – quando senti um vento frio tocar meu rosto. Isso era estranho, aqui não costumava ser frio, talvez úmido por estar entre as plantas, mas não frio. Essa temperatura parecia vir do gelo. E então, eu dobrei outro corredor, e cheguei em um salão, que a meu deus... Era uma pista de patinação no gelo! Fala serio! Eu quase gritei de felicidade.
Várias jovens usavam vestidos ate os joelhos e rodopiavam em seus patins lustrosos. Eu não acredito, essas súcubos vivem com estilo.
Entrei no espaço que não havia gelo, e fiquei parada com as mãos nas barras de ferro apreciando a sensação maravilhosa de estar ali. Era como se fosse aqueles shoppings em épocas natalinas, quando montavam pistas de gelo.
No momento em que pensei em pegar patins para dar umas voltinhas, alguém chamou meu nome. Virei meu rosto na direção e vi uma mulher sutilmente conhecida.
–Hellena. – ela me abraçou. Eu retribui, conhecer todas as súcubos era quase uma obrigação para as da realeza, e aquela súcubo foi uma das primeiras que não me chamou de princesa instintivamente.
–Olá. – sorri calorosa. Atrás da mulher, vinha uma jovem de cabelos loiros bem claros que iam ate a metade de seu pescoço de um jeito arrepiado e estiloso. A mais velha trazia ela pelo pulso, e sua expressão era contrariada, percebi pelo seu cheiro, que não era súcubo, ainda.
–Deixe-me apresentar-lhe minha sobrinha, Kenzi. – fez à jovem ir para frente com um puxão.
–Prazer. – estendi uma mão, mas ela não apertou. Arqueei as sobrancelhas e recolhi-a enquanto a súcubo puxava o ar com força e corava de vergonha.
–Meu deus princesa, como me sinto envergonhada. – falou entre dentes.
–Não... Eu gostei de sua sobrinha. – sorri.
–Que bom, majestade, já que você é tutora dela.
–O-O que? – arregalei os olhos.
–Sua mãe disse que esse seria um bom jeito de você aprender a conviver com súcubos, ajudando uma a passar pela transição. – umas horas mais tarde, e dentro do escritório de Donna, a súcubo braço direito de minha mãe, e na sala, havia Trianna também.
–Mas... Mas... – gaguejei.
–Você não tem que fazer muita coisa Hellena, só ensinar-la o que você sabe, ensinar nossa historia, os caminhos do castelo... – fez gestos de mão como se desdenhasse.
–O problema é que eu não sei nada!
–Ensine nada. – ela disse perigosamente. Se tinha alguém que eu temia e respeitava mais que minha mãe, era Donna, ela era uma súcubo do ar bem perigosa, e nem um pouco doce como Quenn.
Trianna que era do fogo era melhor que ela.
–Ta. Ta! – ergui as mãos em sinal de rendição.
Olhei de esguela para a menina atrás de mim. Ela era mais do estilo gótica roqueira, com lápis preto bem grosso acima a abaixo dos olhos, e aquelas roupas escuras.
–Qual será o elemento dela? – suspirei.
–Eu tenho cara de súcubo do espírito? – Donna rugiu.
–Ta, eu já entendi. – repeti meus gestos de antes e voltei-me para Kenzi. – Vamos, tenho coisas pra te ‘não ensinar’. - e andei esperando ela vir atrás de mim, nem esperei, eu não ligava.
–Então você é a princesa. – Kenzi falou com voz arrastada.
–Sou.
–Deve ser chato. – torceu os lábios.
Virei meu rosto para ela, encarando-a frigidamente. Pela primeira vez, alguém falava algo que não elogiasse minha posição, e isso me agradou, ela me entendia.
–Eu disse algo errado? – ela deu dois passos para trás.
–Pelo contrario Kenzi. Venha, tenho amigas a te apresentar.
Levei ela para o meu quarto mandando mensagens pelo celular para as minhas quatro melhores amigas. Depois de algum tempo, estávamos todas reunidas, deitadas em almofadas macias e comendo chocolate.
Meu quarteto contava coisas para Kenzi, enquanto eu fingia ser sua tutora.
Na hora em que as meninas disseram que tinham que sair, senti meu coração afundar, agora eu tinha que dar uma de mamãe da russinha.
–Bom... – eu bati as duas mãos em minhas coxas e sorri amarelo. – E ai?
–Eu queria te perguntar uma coisa... – agora ela parecia constrangida, e eu me senti mal por me sentir aliviada dela estar em um estado pior do que o meu.
–Pode perguntar! – abri os braços.
–Ouvi rumores que você tinha um namorado vampiro.
–Ahn. – resmunguei indo em direção a minha penteadeira.
–Por quanto tempo vocês ficaram juntos?
–O que quer saber de verdade Kenzi? – apoiei minhas mãos em meus quadris.
–Pode parecer estúpido, mas eu não sou muito do gênero uma noite um.
Suspirei aliviada, essa menina era mais parecida comigo do que eu imaginava. Sorri para ela e me sentei na cama segurando suas pequenas mãos frias.
–Súcubos não namoram querida. – murmurei.
–Eu sei... – falou achando que eu era como a maioria delas.
–E se fazem, - acrescentei. – Fazem escondido.
O rosto dela se iluminou.
–Achei que nunca ia encontrar alguém que pensasse como eu!
–Shh... – levei o dedo indicador aos lábios em um pedido de silêncio. – Escute bem, ninguém pode saber disso, mas... – olhei para os dois lados como que me certificando de que ninguém ouvia. – Quando eu estive no outro mundo... Ficamos juntos.
Ela riu e tapou a boca com a mão.
–Sabe, antes de descobrir o que sou, eu tinha um namorado.
E passamos o resto da tarde, e parte da noite, trocando historias e semelhanças. Era maravilhoso ver que eu não era a única súcubo fracassada apaixonada.
Nos dias seguintes a aquele, ficamos juntas a maior parte do tempo, desvendando o castelo juntas, conversando sobre o sentimento que apenas nós duas compartilhávamos naquele lugar, o amor.
Descobri que aquele castelo era muito melhor do que parecia, eu só cuidava da organização dos corredores e das salas, sem saber a maioria dos usos delas, e aprender sobre isso foi maravilhoso.
Kenzi e eu compartilhávamos outro gosto, a mania por patinação. Ela comprou um par para ela, e juntas andávamos por todo o castelo o dia inteiro, quando não andávamos a cavalo, claro.
–Se você gosta tanto assim dele – ela começou a dizer um dia enquanto estávamos sentadas do lado de fora tomando sol – Deveria dar mais uma chance.
Respirei fundo fechando os olhos e erguendo o rosto em direção a grande bola amarela e brilhante que era o sol.
–Eu... Não sei Kenzi. – gaguejei confusa.
–E se... Você visse ele agora aqui, ou soubesse que ele esta vindo, o que você faria? – mordeu o lábio inferior desproporcionalmente maior que o superior.
–Fugiria. – nos duas caímos na gargalhada. – Não, estou brincando. Acho que... – mas uma mensageira em roupas de guerra surgiu em velocidade imortal.
–Perdão princesa, mas acabamos de receber a informação que vampiros estão vindo conversar sobre assuntos políticos e acordos de paz. O porta-voz de cada clã veio.
–Dos Volturi também? – abri a boca.
–Sim.
Dito isso ela sumiu.
–Esta na hora de eu começar a correr Kenzi. – murmurei.
–Por quê? – ela franziu as sobrancelhas.
–Alec é o porta-voz Volturi.

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