14 de nov de 2011

Capitulo 3

Posted by sandry costa On 11/14/2011 1 comment


FORA DO JOGO

“Não sei o que é conhecer-me. Não vejo para dentro.
Não acredito que eu exista por detrás de mim."

(Alberto Caeiro*)

 
Depois de Bella ter tirado o telefone da tomada, desligado o celular e se negado a atender a porta, finalmente Preston tinha desistido de falar com ela e a deixado em paz.
Paz?... Bem, não era exatamente essa palavra que traduzia o estado emocional de Bella. Sua cabeça fervilhava, cheia de pensamentos contraditórios. Queria esquecer os olhos negros de Edward, mas ao mesmo tempo não conseguia parar de se lembrar do momento em que eles estiveram a menos de um palmo dos seus.
Aquele perfume, aquele hálito frio, aquele rosto perfeito bem diante do seu... Por que não sentiu medo? - Se perguntava.
Por que tinha odiado serem interrompidos pelo carcereiro? Onde queria ter chegado?
Eram tantas perguntas sem respostas que Bella decidiu se dopar. Não estava mais agüentando a confusão e dor em sua cabeça.
Bella engoliu o comprimido de Rivotril e conseguiu ter um último pensamento antes de se embrenhar no mundo dos pesadelos.
Definitivamente estou louca, perdi a razão!”

Sonolenta, apertou o botão soneca do despertador esperando a volta do silêncio para poder dormir mais, mas o barulho inconveniente continuou.
Não demorou muito para que percebesse que era o interfone que tocava insistentemente.
Merda, merda!! Não quero ficar consciente!” – Xingou, odiando ter de se levantar.
Nem precisou se trocar, tinha dormido de roupa. Também não precisou fazer muito esforço para adivinhar quem era.
Abriu a porta com a cara toda amassada.
- Jesus, Bella, você está horrível! – Seu chefe falou, verdadeiramente assustado.
- Entre, Preston. O que você quer? - Na situação em que se encontrava, ser chamada apenas de “horrível” soava quase como um elogio.
- Queria me desculpar por tê-la deixado sozinha na cela com o garoto. Mas quero que saiba que por nenhum minuto duvidei que estivesse segura. Eu tinha pleno controle da situação.
- Isso não importa mais... – Bella balbuciou, querendo esquecer o fato.
- Edward Cullen foi solto, Bella. O pai dele foi lá é pagou um milhão de fiança. Você pode acreditar nisso? UM MILHÃO!!!! O FILHO DA P*TA TINHA UM MILHÃO DE DÓLARES!!! - Preston começou a falar alto, com as mãos nas têmporas, numa explícita atitude de desespero. Estava nitidamente colérico.
Aquele grito levou embora o último traço de sonolência que havia em Bella.
- Você não me falou nada sobre ele ser rico, sobre ter uma família. – Estava pasma.
- Nem nós sabíamos! Ficamos tão focados em fazê-lo confessar onde estava os corpos que ainda não tínhamos nos aprofundado na ficha pessoal dele. Eu sei que foi um erro, mas com tanta cobrança e pressão em cima de nós, não tinha como não cometermos erros.
- E se quer saber, Bella, ele não é apenas rico, ele é milionário! Tem pai, mãe, irmãos, cachorro, papagaio...
- Meu Deus, isso é completamente inesperado! Muda todo o perfil dele!
Bella estava realmente surpresa.  Devia ter imaginado que aquele comportamento polido de Edward provinha de uma criação esmerada.
- E agora? – Perguntou. Sem Edward, o que lhes sobrava?
- Agora fudeu tudo, Bella! – Preston perdeu de vez a compostura.
- E?... – Bella nem conseguiu formular uma pergunta completa, sabia que estava em apuros.
- E cabeças rolaram, minha querida!! Infelizmente a primeira foi a sua, Bella. – Falou na bucha. - Eu sinto muito  não ter podido fazer nada. Consegui apenas que parecesse que você já tinha pedido para ser demitida antes, anexando a carta na sua pasta. Pelo menos não terá esse desabono na sua ficha profissional.
- Will também tentou reverter a sua situação, lá de Washington, mas não teve força nenhuma. A Casa Branca está furiosa. O próximo poderá ser eu. – Preston continuou, parecendo bem preocupado.
Bella sentou-se no sofá, incapaz de se manter em pé. Sua vida estava virada de pernas para o ar.
- Aquela sua fuga pegou mal, Bella. Ninguém entendeu nada. Não foi muito profissional. Eles ficaram possessos com sua atitude.
- Eu sei, Preston, reconheço meu erro. Não faço idéia do que está acontecendo comigo. Nem sei te explicar do que foi que eu fugi. Desde que cheguei aqui não estou me comportando racionalmente. Não sei dizer se estou chocada ou feliz com essa demissão. Até alguns dias atrás minha profissão era tudo para mim... Agora nada mais faz sentido.
Bella duvidou se ainda não estava em um de seus pesadelos da noite anterior. Uma nuvem de irrealidade envolvia tudo o que estava acontecendo naquela sala.
Sentia-se completamente abalada depois de ter conhecido Edward Cullen. Ele tinha mexido com suas estruturas, com seu discernimento e com sua capacidade de raciocinar.
- Você tem de ir lá na Agência assinar uns papéis. E também resolver a questão desse apartamento. – Preston avisou. – Desculpa ter de lhe trazer uma notícia devastadora dessa...
- Está tudo bem, não se preocupe. – Bella respondeu mecanicamente. - E agora?
- Agora é o fim... Voltamos à estaca zero. Não temos nada substancial, Bella. Não fornecemos as provas necessárias para decretarem a prisão de Edward Cullen. A promotoria vai nos esmagar se apresentarmos o que temos. É muito pouco... Ele vai acabar se safando dessa.
- Eu estraguei tudo...
- Não, você pelo menos tentou. O caso já era fraco desde o começo. Não temos nem os corpos nem a arma do crime... Esse garoto soube nos enrolar direitinho. Ele é maquiavélico e perigoso.
Preston saiu deixando Bella ainda sentada no sofá, imóvel, absorta em seus pensamentos. Tentando entender o que não tinha explicação.
Há uma semana estava tranqüila. Era realizada profissionalmente e seu passado permanecia adormecido e guardado em um lugar seguro. Tinha tudo sob controle... Agora Bella se via completamente perdida, sentindo-se como se tivesse sobrevivido a um tsunami. Nada mais na sua vida estava no lugar... Nada.
Era como se uma Bella que ela não conhecia estivesse nascendo, submergindo da escuridão... Uma Bella aventureira, destemida, que não se intimidava com o que estava por vir.
Por anos tinha aprisionado suas emoções para não ter de enfrentá-las. O medo, a solidão, a carência... Tudo tinha sido completamente isolado num compartimento secreto em seu cérebro. Mas tivera de pagar um preço alto por essa aparente paz de espírito... Junto, acabou prendendo também a felicidade, a alegria e a capacidade de amar.
E agora um simples garoto punha todo esse equilíbrio, conquistado com muito esforço e sofrimento, a perder, fazendo seu coração disparar com um simples olhar. Fazendo-a se esquecer que eles estavam em lados opostos...
Eram suas defesas que eram fracas ou era Edward Cullen que tinha um poder quase sobrenatural sobre ela? – Bella se perguntava.
Estava aí uma das muitas respostas que não tinha...
Como combinado, à tarde Bella foi à UAC. A sala do chefe estava vazia. Sentou-se e ficou aguardando sua chegada, conforme a secretária tinha pedido.
Ali, de volta à Agência, a ficha começou a cair. Já não fazia mais parte daquele lugar. Estava fora do jogo. Tinha perdido a insígnia que a identificava como “mocinha”. Aquela que a fazia se lembrar de que lado estava.
Bella sentiu medo! Sim, medo do futuro, medo de começar tudo de novo, ou, pior ainda, medo de não ter forças para começar nada novo, de não ter forças para respeitar a linha tênue que separava o bem do mal. A velha Bella estava de volta...
Levantou-se para ir até a janela. Sentia-se mal. O ar começava a ficar pesado e a sala abafada. Ao caminhar pelo cômodo, pode enfim ver a tela do computador de Preston, que antes estava virada de costas para ela.
Lá estava a fotografia de Edward Cullen. A tradicional, aquela tirada na delegacia para identificação do suspeito, quando se é fichado.
Contrariando a regra, ele estava lindo. Geralmente aquela foto revelava a pior e mais feia imagem da pessoa. Ninguém conseguia ser fotogênico na iminência de passar dias em uma prisão. Mas Edward podia... Ele estava deslumbrante.
Bella se aproximou para ver melhor.
Ele trazia um imperceptível sorriso no rosto. Uma expressão de superioridade, de quem estava acima do certo e do errado... De quem estava completamente no comando.
Mas como isso é possível?”
 De onde um garoto de dezessete anos tirava tanta segurança? – Bella se indagava.
Não havia medo em seu olhar...
Sem se controlar, Bella apertou o mouse e viu aparecer os dados pessoais de Edward na tela. Apoiava-se na premissa de que não estava fazendo algo muito errado, afinal ainda fazia parte daquela equipe, pois não tinha assinado os documentos do RH.
Com medo de Preston chegar, leu rapidamente as informações que estavam ali.
Cidade: Forks, Washington.
Ele mora em Forks...”
Bella não entendeu por que deu tanta atenção ao endereço... Ou preferiu não entender.
O barulho de passos a fez mudar a tela e voltar rapidamente para o sofá.
- Oi Bella, você me parece bem melhor hoje. – Preston a cumprimentou, entrando na sala.
- É, consegui dormir um pouco esta noite. E aí, alguma novidade?
- Nada ainda. Estamos parados no mesmo lugar.
- Deve estar sendo muito doloroso para a família dos Gordon. Eu imagino o que os familiares estão sentindo, enquanto esses corpos não aparecem.
- Eu sei que imagina, Bella. Deve ter sido muito difícil pra você, afinal era apenas uma criança... – Preston conhecia sua história.
- É, foi sim, mas já passou, já superei. – Bella mentiu.
- Já? A forma como lidou com este caso me faz parecer que suas feridas ainda estão bem abertas.
- É, não dá mesmo para esconder meus traumas... Eu avisei Will que não estava pronta.
- Nunca estamos, Bella. Nós lidamos com o que há de pior na espécie humana. Sempre será difícil.
- Para mim se tornou impossível.
- Tudo bem, você tentou. Deveríamos ter te dado mais tempo para se preparar.
- As circunstâncias exigiram. Eu fiz o melhor que pude, mas não foi o bastante.
Despediram-se. Bella assinou todos os documentos e deu uma última olhada para trás quando saiu do prédio. Estava encerrando um ciclo de sua vida e não tinha a menor idéia do que iria fazer dali pra frente.
Suas malas já estavam no carro que tinha alugado, pois tinha devolvido o da Agência. Também tinha deixado as chaves do apartamento com eles. Não havia mais nada seu lá.
O plano era voltar para Washington e arrumar um emprego, mas Bella só se deu conta de onde estava quando a placa de sinalização indicou a entrada de Forks.
Que diabos você está fazendo aqui, sua louca?...

1 comentários:

Ai isso já é maldade...
Você tinha que acabar na melhor parte...rsrsrsrs
Estou louca para ver o próximo capítulo.
Não demore muito para postar o próximo capítulo, por favor.
Bjs
Aline

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