1 de nov de 2011

Capitulo 7

Posted by sandry costa On 11/01/2011 No comments



Eu não sei o que estava acontecendo nem tão pouco como isso era possível mas eu corri na velocidade de um missel até onde um grupo de garotas batiam sem piedade na Nèéka e na Mallê.

Eu sentia tudo girando, mas a única coisa que consegui fazer foi segurar o braço de uma delas e a lançar longe, fazendo seu corpo cair mole no chão, as outras olharam apavoradas para mim já que nem tinham notado minha presença.

Vi que a Mallê havia desmaiado e a Nèéka me olhava, chorando mas ainda sim continuava me olhando como a...Gabi.A mesma Gabi de antes, a Gabriela que ela conheceu.De repente algo dentro de mim muito parecido com uma sirene, parecia me alertar sobre o perigo.Mais rápido do que qualquer coisa eu entendi o que significava e antes que a garota atrás de mim pudesse me desferir um soco eu desviei do seu ataque e um segundo depois ela estava desmaiada no chão com a cabeça sangrando e foi ai que aquele cheiro me atingiu em cheio...

Doce.Atraente.Tão convidativo.

O liquido viscoso prendeu toda a minha atenção fazendo minha boca salivar e uma queimação incomoda na garganta.Dei um passo na direção da garota, hipnotizada, o sangue chamando toda a minha atenção, algo dentro de mim implorava para que saciasse o meu desejo por aquele liquido viscoso e de cheiro tão agradável.

- GABI – um grito agudo e apavorado me fez sair daquele transe e eu senti que lágrimas ameaçavam cair pelo meu rosto.Me virei lentamente e vi uma mulher alta, segurando a Nèéka pelo pescoço com uma faca nele.Eu podia ouvir o coração e o sangue de todas elas bombeando.Fixei m eu olhar na mulher que segurava a Nèéka e...rosnei?

- Solte.Ela.Agora. – falei as palavras pausadamente e vi o restante delas fecharem um círculo em volta de mim.

- O que é você? – uma perguntou.

- Como pode ser tão rápida? – outra.Mas uma perguntou algo diferente.

- Como podemos ficar como você? – era ela quem segurava a Nèéka. – Diga ou a sua amiguinha morre. – ela pressionou mais a faca contra o pescoço dela, que sangrou um pouco

- A única que vai morrer aqui é você – todas riram e então foi a vez de Samanta dar o ar de sua graça.

- Eu não sei o que você é, só sei que seria caçada como um cachorrinho se o mundo ficasse sabendo da sua adorável existência – ela falava com uma falsa calma, por que eu sabia que estava apavorada.Seus batimentos denunciavam isso.

- Você vai se arrepender. – rosnei ficando em posição de ataque.

- Ora ora a cadelinha sabe rosnar? – uma delas provocou.

Eu senti minha temperatura aumentar cada vez mais e tremores percorreram meu corpo.

- Escute bem Gabriela.Eu e minhas amigas temos um novo plano – aquela vaca se aproximou perigosamente. – Nós deixaremos você e suas amigas irem, mas com uma condição: se você não quer que o mundo inteiro saiba do seu “segredinho” vai fazer tudo o que eu mandar, inclusive ficar bem longe do MEU Nathan, ouviu bem? – eu sorri diabolicamente e respondi.

- Você vai sofrer tanto em minhas mãos que em 10m vai implorar pra ir pro inferno por que eu vou te torturar tanto, mas tanto que o inferno vai parecer o mais lindo e confortável hotel cinco estrelas que você possa sonhar – depois disso,eu impulsionei minhas pernas e antes que qualquer uma delas, com exceção da Samanta, pudesse reagir já estavam no chão.

Eu segurei a Nèéka em meus braços e reprimi a vontade de provar do sangue que escorria em seu pescoço, por algum motivo a fera dentro de mim sabia que eu era incapaz de machucar minha melhor amiga.Mas meu coração se partiu ao ver medo em seus olhos.Medo de mim.Do monstro que eu sou.Então seus olhos se fecharam.Ela desmaiou.

Meu sangue ferveu e os tremores ficaram intensos demais pra que eu pudesse controlar.

Ergui meus olhos e encarei a Samanta, parada. Petrificada de medo.

Eu me levantei e fui até ela mas ela pareceu acordar e tentou correr, mas antes de dar três passos eu estava a sua frente.Peguei-a pelo pescoço e virei de costas para mim.

Olhei para o seu pescoço e deixei o mesmo monstro me dominar novamente.Sua jugular pulsava e eu já não conseguia mais me controlar, tentei raciocinar.Minha boca se abriu e nesse instante eu ouvi alguém gritar.

- Gabi.NÃO – mas eu não conseguia me controlar mais.

Senti meus lábios encostarem no pescoço dela quando fui arremessada longe.

Eu bati contra uma parede e ao invés de me machucar e sangrar como eu esperava, percebi que a parede foi quem saiu no prejuízo.

Abri meus olhos e vi meus pais e meu tio Seth.

Ele me encarou com dor nos olhos e deu um passo em minha direção.

- Gabi, você precisa se controlar. Nós prometemos que vamos te explicar tudo, mas antes respire fundo que assim os tremores vão parar. – eu não queria me acalmar.Eu era um monstro, uma aberração.

- Eu sou um monstro – sussurrei sentindo os tremores se intensificarem.

- Não.Não é.Você é a minha sobrinha.Agora acalme-se por favor, eu te ajudo. – ele veio em minha direção mas eu me levante e rosnei.

- Não, eu não quero me acalmar.Eu não quero.Me deixem em paz – gritei e passei correndo por meus pais, que tentaram me impedir mas eu consegui me livrar do seu aperto.Corri na minha velocidade anormal e deixei as pessoas assustadas por onde passei, mas elas nem se quer sabiam o que era aquela rajada de vento passando por elas, então continuei correndo sem rumo.

Ultrapassei os limites da cidade e me embrenhei na mata.

Não faço idéia de quanto tempo eu corri, nem onde eu estava só sei que me sentei em uma pedra a beira de um penhasco.Abracei meus joelhos e chorei, sentindo meu corpo reclamar do cansaço.

Mas tão pouco eu sentei-me eu me levantei com o ruído atrás de mim.

Olhei para a floresta e vi meus pais e tio Seth aparecerem.

- Gabi, nós precisamos te explicar algumas coisas. – papai falou mas eu balancei a cabeça.

- Não, vocês não merecem ter um monstro com filha.Vão embora. – as lágrimas rolavam pelo meu rosto – Vão.ME DEIXEM EM PAZ – gritei

Meu pai veio até mim e eu tentei correr sabendo que ele não me alcançaria mas senti um baque contra o meu corpo e quando vi meu pai parado, me segurando impedindo que eu caísse.

- M-mas... – ele não me deixou terminar.

- Você nem se quer se perguntou como chegamos aqui tão rápido filha?Você não está bem, está desesperada, tente se acalmar - eu não conseguia falar nada, eu apenas o encarava perplexa.

- Não, eu não quero... – tentei me livrar de seus braços mas ele me impediu.

- Desculpa filha mas você precisa saber a verdade – ele começou a falar, enquanto tio Seth amparava minha mãe que chorava compulsivamente.

Meu desespero apenas aumentava a cada palavra do meu pai, as lágrimas banhavam meu rosto com uma cascata e eu me senti como o nada mais fosse real ou importante o suficiente pra mim.

- Vocês...mentiram pra mim. – falei entre soluços

- Filha nós sabemos que é difícil pra você.... – minha se pronunciou pela primeira vez, mas eu a Interrompi

- VOCÊS NÃO SABEM DE NADA.EU CONFIEI EM VOCÊS E VOCÊS ME ENGANARAM, MENTIRAM PRA MIM. NEM MESMO ME PERGUNTARAM SE ERA MESMO ISSO QUE EU QUERIA, SÓ PENSARAM EM VOCÊS MESMOS E EM COMO SERIA BOM TER UMA FILHA SEM SE PREUCUPAR COMO CRESCIMENTO DELA, MAS E EU?COMO EU FICO NESSA HISTÓRIA, HEIN? – meu chão havia sumido.

Normal.Tudo que eu queria ser, era normal.Viver com uma humana qualquer e ser feliz.

Mas eu não era.Nunca fui.

Meus pais mentiram, me enganaram e tudo que eu queria era perdoa-los por terem feito isso apenas pra me proteger dos perigos desse mundo sobrenatural, mas eu simplesmente não conseguia.

Eu encarei meu pai e usando toda a minha força me livrei dos braços e corri.

O mais rápido que eu pude, sem rumo eu apenas deixei o destino tomar conta de mim.

Era apenas isso que me restava.

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