13 de jun de 2010

Capitulo 9

Posted by sandry costa On 6/13/2010 2 comments


 Lar

O restante da viagem passou num borrão – literalmente. Quando chegamos aos arredores de Port Angeles, a luz difusa do sol já se despedia sob a constante camada de nuvens da península de Olimpic. Jacob e eu discutíamos sobre como deveríamos chegar. Sujos e cansados como estávamos, ou limpos, arrumados e descansados. Não seria uma surpresa muito agradável para Billy se visse seu filho naquelas condições, ainda mais depois de tanto tempo sem vê-lo. Jacob disse que comunicou a Sam que ele estava a caminho, sem maiores explicações. Provavelmente La Push inteira já sabia a essa altura. Não seria fácil explicar como fomos parar lá – e do que tínhamos fugido. Ademais, eu ainda tinha um mistério nas mãos. O plano original seguiria de acordo com o combinado, afinal, era o real motivo para toda aquela confusão.
***
A dor aguda me acordou abruptamente. Agradeci aos céus que nenhum humano estivesse sentado perto de nós. Jacob estava acordado e me olhava preocupadamente. O ônibus deslizava ruidosamente pelas ruas molhadas de Forks. Nós desceríamos alguns quarteirões a frente. Vesti um moleton e passei as alças da mochila nos ombros. Jacob se alinhou no bando, esticando as pernas longas.- Pesadelo? – Perguntou ele sério.- Pra variar um pouco – Eu disse sorrindo para ele. – Você dormiu?
- Não, não consegui – Ele bocejou e passou o braço por meus ombros. – Nossa, eu realmente senti falta desse verde todo. – Jacob olhava pela janela com uma alegria emocionada nos olhos. Tive que admitir que também me sentia feliz em voltar. Aquela cidadezinha inócua e verde era o lugar que eu considerava meu lar, de muitas maneiras diferentes, minha história nascera ali, como a de meus pais. Era estranho – um pensamento irônico – que uma cidade tão pequena e tão improvável abrigasse tanta magia, tantos segredos. O ônibus parou no meio fio e nós descemos. Uma garoa fina e gelada caía do céu cinzento. Ficamos parados ali, na chuva, admirando a paisagem. Não era nada demais, apenas uma rua normal, alguns carros velhos estacionados, algumas pessoas andando apressadamente com seus grandes guarda-chuvas. Nada demais, mas mesmo assim era bom estar de volta.
Jacob pediu meu celular emprestado e discou um número que eu não conhecia. Chamou duas vezes e uma voz rouca atendeu.
- Alô – O garoto tinha uma voz de quem acaba de ser acordado.- Seth? Sam está te proibindo de dormir? – Jacob sorria largamente ao ouvir a voz do amigo.- Jake? Ei cara, como estão às coisas por aí – Seth perguntava animado, como sempre fazia quando nos ligava.
Bem, Forks não muda muito, mas acho que está…chovendo. – Jacob brincou.- Quê? Forks? Como assim? Você está em Forks Jake? – Seth parecia ter acordado completamente e se eu não estava ouvindo coisas, ele parecia estar quicando.- Sam não contou que eu estava vindo? – Jacob me olhou confuso.- O quê? Não, ele não disse nada. Quando você contou a ele? – Seth parecia aborrecido.- Ontem à noite.
- Ah, era minha folga. Droga. Ninguém me falou nada, aposto que a matilha inteira já sabe.
- Seth, você pode pedir para alguém vir nos buscar?
 – Jacob já estava impaciente, a chuva começava a apertar.- Claro, só preciso achar minhas chaves, chego aí em cinco minutos Jake. Ei, espera aí. Você disse “nos buscar”?

- Disse. Ou você quer que Nessie vá a pé?
 – Jacob piscou para mim e eu não pude deixar de sorrir, apesar da dor fraca, mas irritante em meu braço.- Nessie veio também? Que ótimo, como está aquela pestinha? Será que ela ainda gosta de apostar quem caça o maior? – Seth já começava a fazer planos, obviamente se esquecendo de que, apesar dos sete anos, eu provavelmente tinha vinte.- É ela ainda adora se exibir com a caça. – Eu mostrei a língua para ele. - Seth, ande logo, eu quero ver meu pai. – Jacob não conseguia esconder a satisfação em seu rosto. Quanto tempo ele esteve esperando para estar em casa? Senti uma onda de remorso me atingir. A culpa de toda aquela distância era minha.- Certo. Nos vemos daqui a pouco, Jake. – Seth desligou.- Esse garoto não mudou nada. – Jacob balançava a cabeça, sorrindo, parecia estar falando consigo mesmo.- Vocês não envelhecem mais do que nós Jake. Estão paralisados no tempo esqueceu? – Tentei sorrir para ele, mas senti que minha tentativa tinha falhado.- Você deveria ligar para eles. Sua mãe deve estar louca. – Jacob sempre fazia isso. Não importava o quanto eu me esforçasse para parecer bem, se algo estivesse errado, ele sempre saberia. Às vezes eu desconfiava que Jacob conhecesse melhor minha mente do que meu próprio pai.- É, você deve estar certo. – Olhei fixamente para ele – Jake, você não se esqueceu do…
- Não. Eu sei para quê viemos.
 – Ele me encarou com os olhos semicerrados, a testa vincada de preocupação. Eu aquiesci e pressionei o braço direito. Jacob percebeu.- Está doendo? – Ele olhava a cicatriz prateada em meu antebraço. – Você conseguiu uma cicatriz igual a da sua mãe. – Jacob acariciou o contorno da cicatriz.- Não era para estar doendo, já cicatrizou. – Eu olhei para o braço. – Vou ligar para minha mãe.
***
A ligação para minha mãe foi mais um monólogo do que uma conversa. Jacob tinha razão, ela estava pirando. Fui repetindo as mesmas frases tranqüilizadoras para o resto da família, à medida que o aparelho passava de mão em mão. Todos eles se desculparam por terem me tratado como um bebê, desejaram um bom fim de semana, mandaram lembranças para Charlie e Billy, mas ninguém tocou no nome de meu pai, nem em seu súbito descontrole com Jacob. Eu queria falar com ele, mas ele não pegou o telefone, então eu não pedi.
Quando desliguei o celular, Seth acabava de encostar uma caminhonete velha e barulhenta – que era de Sue – no meio fio. Ele pulou do carro e atravessou a rua com um sorriso de orelha a orelha. Pegou Jacob num abraço tão apertado, que ouvi sua coluna estralar, depois Seth me ergueu do chão e me girou no ar. O garoto ainda tinha o mesmo sorriso doce e inocente, o que era realmente desconcertante naquele enorme corpo moreno.
A recepção em La Push foi calorosa. Jacob foi recebido pela tribo como um combatente que volta da guerra. Eu me sentia em casa, me sentia parte da família, apesar de ser uma vampira entre um bando anormalmente grande de lobisomens. Surpreendi muitos olhares perplexos me fitando com incredulidade, a última vez que muitos deles me viram, eu era apenas uma garotinha de – aparentemente – sete ou oito anos. Agora, eu podia facilmente me passar por uma moça de dezoito anos. Eu cresci alguns centímetros a mais que minha mãe, – embora ainda ficasse muito pequena ao lado de Jacob e de seus irmãos gigantescos – meu cabelo acobreado clareou até um tom de vermelho sangue e cresceu em cachos até a cintura, e meus olhos, bem, ainda eram os olhos chocolate da Bella. Depois que o espanto de todos se dissipou em risadas e conversas descontraídas, eu parei para observar os rostos familiares e tão parecidos que pairavam sobre a roda que se formou no quintal de Billy.
Seth, Embry e Quil continuavam exatamente iguais, a pequena Claire agora tinha mais ou menos nove anos e Quil ainda era a fiel babá da garota. Sam e Emily se casaram há alguns anos e o filho deles, o pequeno Henry estava com onze meses – me lembrava muito bem do batizado do garoto, quando Jacob teve que ficar fora uma semana para exercer seu trabalho de padrinho. Paul e Rachel se casaram na primavera seguinte ao batizado, e para evitar que o noivo se descontrolasse e explodisse dentro de seu smoking, os vampiros não compareceram a cerimônia. Jared e Kim estavam de casamento marcado e Leah, bem… Leah não voltou pra casa. Como ela mesma disse a Jacob quando se separou da matilha de Sam, Leah matriculou-se numa universidade, ás vezes visitava Sue e Seth, mas algum tempo depois, não voltou mais para casa. Raramente se transformava e Jacob teve cada vez menos notícias suas. Apesar da deserção, todos estavam tranqüilos por Leah finalmente estar feliz com sua vida. Billy e o velho Quil Ateara continuavam os mesmos, os anos que passaram tão rapidamente não tiveram muita influência sobre os anciões quileutes – além de uma respeitosa cabeleira grisalha e marcas de expressão, que eram ligeiramente disfarçadas pela pele arruivada.
A noite estava clara e fria. Uma brisa leve soprava da praia, trazendo o cheiro da maresia. Aos poucos, os convidados foram deixando a pequena casa dos Black, que lá pela meia noite já estava completamente silenciosa. Apenas Jacob e Billy permaneceram absortos em suas conversas – que eu parei de tentar acompanhar. Havia algo dentro de mim, algo inquietante. Algo que pinicava em minha mente como agulhas pontudas. E eu sabia o que era. Eu precisava fazer o que tinha vindo fazer. Precisava continuar.
Levantei do degrau em que estava sentada, perto da entrada da casa, e chamei Jacob num sussurro que ficou bem audível no silencio da madrugada. Eu não queria interromper a conversa dos dois, mas eles encontravam assuntos intermináveis para discutir, parecia que nunca ia ter fim. E eu, decididamente, precisava ir a um certo lugar.
- Jake, preciso ir a minha casa. – Disse a ele quando estávamos fora do alcance dos ouvidos de Billy. Ele acenou levemente com a cabeça, e no escuro eu pude ver seus olhos faiscarem nos meus.- Me dê um minuto. Vou ajudá-lo a se deitar e já vamos. – Jacob beijou o alto da minha cabeça e se afastou silenciosamente.
Alguns minutos depois ele voltou, e usava apenas uma bermuda velha. Eu o observei se aproximando com passos largos e suaves, a pele morena reluzindo sob a luz do céu noturno.
- Vejo que você pretende se transformar. – Olhei com reprovação para seu short esfiapado e para a cordinha que nunca saía de seu tornozelo. – Ou só está com calor?
- Nunca se sabe. 
– Disse ele dando de ombros e sorrindo de leve.
Eu já estava me preparando para uma longa caminhada pela floresta, quando Jacob pôs uma mão em meu ombro e me fitou com um sorriso torto.
- Ei, vamos de carro. – Ele pegou minha mão e me conduziu pelo quintal escuro.
Escondido entre as árvores, em um terreno desigual nos fundos da pequena casa dos Black, havia uma pequena oficina improvisada. Se minha visão não fosse anormalmente boa, teria sido difícil saber o que realmente tinha ali. Mas foi fácil distinguir o carro estacionado entre pilhas de sucata, armários velhos e ferramentas espalhadas por toda parte.
- Droga, Paul andou mexendo nas minhas coisas. – Bufou Jacob quando se deparou com todas aquelas coisas empilhadas de qualquer jeito. – É só eu virar as costas que isso aqui vira um chiqueiro. – Jacob abria caminho pela garagem, empurrando ferramentas e caixas de papelão repletas de peças de carro. Eu observava em silêncio, achando graça nas caretas e reclamações de Jacob. Enfim ele abriu espaço suficiente para abrir a porta do carro vermelho que jazia na garagem bagunçada. Se jogou no banco do motorista e girou a chave na ignição. O ronco do motor cortou o silêncio da noite e uma nuvem de poeira subiu com o ronronar do escapamento. Ele deu marcha ré no carro e parou-o a meu lado.- Posso lhe oferecer uma carona senhorita? – Ele sorriu e estendeu a mão para mim.- Tudo bem – Balancei a cabeça, tentando entender como ele conseguia fazer aquilo. – É um Rabbit Jake? – Perguntei analisando o painel. Meu pai e Rosalie sempre foram os mais interessados por carros na família, mas eles nunca me ensinaram muita coisa a respeito. Meu grande professor no assunto sempre fora Jacob. Me lembrava das muitas vezes que fiquei observando ele mexer em peças e consertar os carros na nossa garagem sempre cheia. Eu o enchia de perguntas sobre modelos, motores, divergências entre marcas, e ele sempre respondia com muita disposição.- Sim, 1986, um clássico. – Disse ele acelerando o motor que trepidava sob nós. Os olhos brilhando. – Eu mesmo montei. Comecei quando sua mãe veio morar em Forks, eu nem tinha idade para dirigir. – Jacob encarava o nada, absorto em lembranças de uma época em que eu nem mesmo ousava querer pensar. Seus olhos assumiram um brilho distante. Ele com certeza sentia saudade daquela época de sua vida.- Hum. – Foi só o que consegui dizer. Fiquei imaginando quantas vezes ele e minha mãe passearam naquele carro. Era um pensamento doloroso para manter em foco, então, rapidamente me forcei a pensar no que me esperava em minha antiga casa.
Jacob dirigia rápido pela estrada rodeada pela floresta densa e escura. Com a velocidade e a escuridão, não se podia enxergar muito do lado de fora, mas mesmo assim eu enxerguei os vultos enormes entre as árvores. As silhuetas de dois lobos acompanhando o carro em alta velocidade.
- Seth e Quil estão fazendo a ronda hoje. Que ótimo. – Jacob bufou e acelerou o carro.- Algum problema? – Perguntei, saindo de meus devaneios.- Não, só que eles vão fazer perguntas. – Jacob encarava a estrada a sua frente, vincando a testa.- Nós vamos pensar em algo depois. – Eu não conseguia me concentrar em mais nada naquele momento. Uma sensação estranha me assaltou, era quase um enjôo. À medida que nos aproximávamos da grande casa branca, eu me sentia cada vez mais fria. Mas eu não estava com medo. Não por mim, pelo menos.
De qualquer forma, eu teria algumas respostas aquela noite. Eu realmente queria que eu estivesse apenas enlouquecendo, mas algo dentro de mim teimava em afirmar o contrário. A luz que se acendeu em algum canto remoto de minha mente não queria ser apagada. Ela piscava e piscava. E hoje eu saberia o porquê. Essa era a minha melhor pista.

Fanfic escrita por Anna Grey

2 comentários:

Muito dez! :c

Continuaaaaaa! :n


by~: Aya/Bruh...

Vc escreve muito bem^^
PARABÈNS!!!! :t

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