5 de nov de 2011

Capitulo 1

Posted by sandry costa On 11/05/2011 3 comments


OLHOS NEGROS

"Quando você olha demais dentro de um abismo, o abismo olha dentro de você."
(Nietzsche) 

Isabella Swan respirou fundo, abaixou a cabeça e seguiu temerosa o carcereiro pelo longo corredor que despontava à sua frente. Ela só estava ali porque tinha se deixado ser convencida de que era capaz de executar aquela nova função, embora duvidasse completamente que tivesse a mínima condição que fosse de sobreviver àquela primeira manhã na prisão.
Engoliu seco quando viu o que tinha escrito no luminoso, na entrada do corredor: “PRESOS DE ALTA PERICULOSIDADE”
Tentou se desligar das palavras obscenas que lhe eram proferidas pelos jovens detentos, abarrotados de testosterona, e se concentrou na tentativa de não vomitar. Seu estômago revirava e lamentou-se mentalmente por ter tomado o café-da-manhã. Estava preste a colocar tudo para fora a qualquer momento.
O Presídio para Menores não era um lugar onde costumava freqüentar. Era sua primeira vez ali.
Bella, como gostava de ser chamada, estava terminando seu doutorado em Psicologia. Aos vinte e sete anos já ocupava um cargo de respeito no Federal Bureau of Investigation - FBI, em Washington. Apesar da faculdade que cursara, trabalhava na Divisão de Serviços Administrativos.
Sua função até uma semana atrás era exclusivamente de suporte. Os crimes e criminosos com os quais lidava se limitavam a dados estatísticos na tela de seu computador.
Estava confortável em seu posto e exercia muito bem o seu trabalho até que seu chefe entrou em sua sala e lhe anunciou que ocuparia um novo cargo de importância e salário maiores.
No primeiro momento Bella ficou eufórica. Sua carreira profissional era tudo para ela, sua única fonte de alegria e satisfação, uma vez que sua vida amorosa praticamente inexistia. Mas seu contentamento se esvaiu quando soube qual seria sua nova função.
- Swan, queremos que se mude o mais rápido possível para Seattle e se apresente com urgência na Agência do FBI de lá. Será a mais nova agente da UAC – Unidade de Análise Comportamental.  Será treinada para traçar perfis de assassinos. Sua chegada é esperada com urgência. Eles estão com um caso complicado lá e qualquer ajuda é bem vinda. Pagaremos todas as despesas com sua mudança. Leve apenas roupas e objetos pessoais. Um apartamento totalmente montado e equipado já foi preparado para você.
Bella sentiu uma leve tontura e firmou a cabeça com as mãos. Não conseguia assimilar tudo o que William Cotter falava.
- Will, – ela agora falava com ele como amigo e não mais com seu superior - que piada é essa? Sabe que não tenho experiência nem estrutura emocional para lidar com criminosos. Nunca fiz isso e nem pretendo fazer. – Foi direta, acreditando tratar-se de uma simples brincadeira.
- Bella, é sério. Você é uma excelente psicóloga.  Seu perfil e currículo atendem perfeitamente os requisitos exigidos pelo cargo. Foi escolhida entre vários candidatos. Tenho certeza que desempenhará exemplarmente a nova função.
- Como assim? Eu nem sabia que estava concorrendo!
- Pois é... Eles estavam procurando uma nova agente e eu achei que seria bom para sua carreira... E que também seria bom mudar o rumo da sua vida, por isso coloquei seu nome na lista de candidatos à vaga.
- Que rumo? Que vida? Que lista? Fala que você não fez isso comigo! Que brincadeira é essa, Will?– Bella estava preste a começar a gritar de desespero.
Encheu o copo de água e o segurou com as mãos trêmulas, sorvendo rapidamente o líquido em seu interior. Puxou um bocado de ar para os pulmões e tentou se acalmar. Não queria fazer nem falar nada que se arrependesse depois. Conhecia Will desde a adolescência e ele tinha sido o responsável por sua entrada no FBI.
- Will, pelo amor de Deus, você sabe tudo o que me aconteceu! Conhece meus traumas. Eu não consigo... Simplesmente não consigo fazer isso! – Argumentou, fazendo um esforço descomunal para não cair no choro ao lembrar-se de seu passado.
- Eu sei o que te aconteceu, Bella, e o FBI também sabe.  Se eles acham que consegue, então é porque você consegue, querida. Sabe menos de você mesma do que eles, pode acreditar nisso. Eu também acho que será muito bom para sua carreira. Está mais do que na hora de você enfrentar seus medos e sepultá-los de uma vez por todas. Você vai conseguir, eu sei!
Bella sabia que agora tinha apenas duas opções: ou aceitava... Ou aceitava. Pedir demissão não estava nos seus planos. Sem seu trabalho surtaria na primeira semana. Dependia dele para preservar sua sanidade e ter sua mente ocupada. Era uma boa forma de manter seus pensamentos afastados daquele maldito dia que a assombrava há vinte e dois anos.
Não houve escapatória, mesmo sem querer mudou-se para Seattle dois dias depois.
Depois das apresentações e explanações sobre o caso em que atuaria, Bella teria sua primeira “prova de fogo” dois dias depois.
Fez um curso intensivo sobre métodos de abordagem, mas mesmo assim ainda não se sentia pronta, embora seu chefe pouco se importasse com esse detalhe.
~~**~~
Por que tem de ser sempre a última cela do corredor?” – Pensou.
Parecia que já tinha andado quilômetros de distância e nunca chegava.
O carcereiro colocou o polegar no leitor de digital e um barulho de trava se abrindo ecoou pelo ambiente. Seu coração disparou.
A pesada porta de ferro se abriu e finalmente Bella pode entrar no pequeno quarto branco, onde havia apenas uma cama, uma pia e um vaso sanitário. O local estava extremamente limpo, como se ninguém jamais estivesse estado ali. Mas ao contrário disso, um jovem alto e com a pele extremamente pálida estava sentado no chão, com os braços cruzados sobre os joelhos flexionados e a cabeça apoiada sobre eles, escondendo o rosto.
- Levante-se, você tem visita! – O guarda falou ríspido.
Bella olhou mais uma vez para a ficha que trazia em sua mão e leu o nome do criminoso.
- Edward Cullen, podemos conversar? – Pediu, com a voz não tão firme como deveria e gostaria.
O rapaz levantou o rosto lentamente, na verdade quase em câmera lenta, fitando-a tão intensamente que a deixou desconcertada.
O olhar dele era indecifrável e assustador. Os olhos eram negros como uma noite de tempestade.  Um tremor percorreu o corpo de Bella. Ela tinha certeza de já tê-los visto antes, há muito tempo atrás...
Bella se viu mergulhada no passado novamente. Aqueles olhos faziam parte de seu pior pesadelo: o dia em que seus pais foram brutalmente assassinados.
Ela era apenas uma criança de cinco anos, mas as memórias daquela noite terrível nunca mais saíram de sua cabeça, mudando completamente o curso de sua vida.
De dentro do armário da cozinha, onde se escondera a pedido da mãe, viu os pais serem atacados e mortos por algo que não conseguiu distinguir o que era. Na sua imaginação fértil de criança, parecia ser um homem misturado com bicho... Mas nunca teve coragem de contar isso a ninguém, com medo de ser ridicularizada. Tudo tinha acontecido tão rápido que se lembrava apenas de vê-los caídos no chão, sem vida, com um grande corte no pescoço de cada um deles. Pela persiana do armário, de onde assistiu tudo em completo torpor, percebeu o monstro se aproximar, pelo lado de fora. Ele queria mais... Ele a queria! O pavor que sentiu naquele momento ainda ecoava em suas células. Muitas vezes o revivia em seus pesadelos.
Os olhos daquela coisa repugnante eram iguaiszinhos aos do rapaz que a fitava agora. O medo a tinha feito desmaiar naquele dia e não estava longe de isso acontecer novamente.
Nunca entendeu por que ele não a matou... E nunca o perdoou por isso também.
O mesmo medo a dominava agora, mas dessa vez não podia contar com o alento da inconsciência.
Não lhe restava a menor dúvida, já conhecia aquele olhar. Era o olhar da morte...
Sentiu o chão sumir de seus pés e teve de segurar na parede para não cair.
Como aquele menino poderia ser o assassino de seus pais se nem era nascido na época em que foram mortos?
Nos poucos segundos em que todas essas lembranças voltaram à sua mente, Bella manteve os olhos presos aos dele, como se estivesse hipnotizada por aquelas orbes negra e pela beleza do rosto do rapaz. Tudo nele era perfeito e encantador.
Ele se levantou mais rápido do que Bella pode acompanhar.
- Pois não, doutora, em que posso ajudá-la? – Falou numa formalidade e entonação que pareciam vinda de um filme de época.
Bella se assustou novamente com seus modos polidos. Esperava um garoto cheio de gírias e palavrões. Inesperadamente sua voz era extremamente agradável e relaxante.
- Sou agente da Unidade de Análise de Comportamento do FBI e quero saber se foi você quem matou a família Gordon? Se foi, onde colocou os corpos? – Foi absolutamente amadora em suas perguntas. Por alguns segundos esquecera todas as técnicas de abordagem que tinha estudado horas antes. Tinha perdido completamente o foco depois de conhecê-lo.
- Que diferença faz isso agora, doutora? Eles estão mortos e eu estou preso. Seu caso já não está resolvido? – O belo rapaz ironizou.
- É CLARO QUE FAZ DIFERENÇA! AS COISAS NÃO SÃO TÃO SIMPLES ASSIM. – Bella se exaltou.
- Desculpe se a deixei nervosa, Drª Swan, não era minha intenção. – Edward falou com certa preocupação na voz.
Bella se recompôs e lembrou-se que sequer tinha se apresentado. Estava toda atrapalhada e isso a envergonhava.
- A família quer pelo menos poder enterrar seus entes queridos. Não lhe custa nada dizer onde os desovou. – Percebeu que estava quase suplicando ao invés de mostrar domínio da situação.
- Confie em mim, doutora, eles não iriam querer ver os corpos.
Bella sentiu o pavor tomando conta de seu corpo. Nunca vira alguém tão frio e enigmático quanto aquele garoto à sua frente.
- Então está assumindo o assassinato? Você viu e sabe onde estão os corpos?
 - Por favor, não coloque palavras na minha boca. Estou apenas supondo que, passados tantos dias, os corpos devam estar num estado deplorável de decomposição. – Ele se explicou.
O estômago de Bella se contraiu mais uma vez.
- Existem evidências suficientes para condená-lo à prisão perpétua, Edward Cullen. Se colaborar conosco posso sugerir uma redução na sua pena.
Um sorriso se formou no rosto dele.
- Você sabe tanto quanto eu que não têm nenhuma prova contra mim... E, além do mais, já sou um homem condenado, doutora... Quanto à prisão, se conseguirem me condenar, o que eu duvido, sempre há a possibilidade de fuga. – Ironizou.
- No seu lugar não ficaria tão seguro. – Disse irritada. - E que negócio é esse de fuga? Por que diz isso? Acha que conseguiria fugir daqui? – Bella perguntou, rindo sarcasticamente. Era tão absurdo ele pensar em fuga. Era praticamente impossível driblar a segurança daquela prisão.
Ele novamente sorriu torto e balançou a cabeça, sem responder. Parecia um adulto se divertindo com um comentário infantil e ingênuo. Bella se sentiu como uma criança boba diante dele.
Tinha de sair dali o mais rápido possível. Parecia mais uma estagiária do que uma profissional. Não fazia idéia do que fazer. Todos seus anos de faculdade e estudos tinham se diluído diante do olhar misterioso daquele detento.
Por que ele tinha o poder de deixá-la tão confusa? Por que não conseguia parar de admirar sua beleza, ao invés de se concentrar no seu trabalho?
Por Deus, ele é só um garoto!”, Bella tentou convencer-se. O que estava acontecendo ali? - Se perguntava.
- Edward Cullen, já que não quer colaborar, vou embora, mas gostaria que pensasse melhor sobre a minha proposta. É só uma questão de tempo até que a polícia encontre os corpos. Então, se quiser ajudar-nos e ajudar-se, terá de ser rápido.
- Sou bem rápido quando quero, Drª Swan. Você se surpreenderia...
Com muito esforço Bella tinha conseguido por um fim na conversa. Foi então que se lembrou de um detalhe importante que tinha lido na ficha dele, embora ele não demonstrasse o menor sinal de debilidade, a não ser o fato da palidez incomum.
- Ah, fui informada que nunca sai da cela e que não comeu nada desde que foi preso, há cinco dias. Está fazendo greve de fome? Isso seria um problema...
Precisava que ele estivesse em perfeitas condições de saúde para persuadi-lo a colaborar, mas arrependeu-se de ter lhe confessado que temia que sua atitude de rebeldia atrapalhasse seus planos.
Edward Cullen a olhou fixamente, mas não manteve o semblante sério por muito tempo.  Logo esboçou um sorriso, que o tornava mais belo ainda.
- O fato de eu não estar comendo está longe de ser um problema pra você, Isabella. Pior seria se eu resolvesse me alimentar...
Suas palavras tinham um tom de humor e sarcasmo. Bella não entendeu qual era a piada.
- Não pense que vamos nos render às suas birras, rapazinho. Você não está mais no comando. Não sou uma de suas vítimas indefesas, lembre-se disso!
- Não, você não é... Nem imagina o domínio que tem sobre mim, doutora... – Foi tudo o que ele disse antes de se sentar no chão novamente, na mesma posição que estava quando as visitas chegaram.
Bella queria muito acreditar naquilo que ele acabara de dizer, mas a forma como suas mãos suavam deixavam claro que havia controvérsias quanto a quem estava dominando quem naquele momento.
Saiu da cela intrigada e amedrontada. Aquele garoto tinha uma personalidade extremamente complexa. Ela duvidou que tivesse a capacidade de entrar em sua mente.
Seu coração batia descompassado quando passou pela última guarita e entregou o crachá de visitante para a guarda. Estava deixando para trás um grande ponto de interrogação... E levava consigo um maior ainda.

3 comentários:

Adorei o primeiro capítulo.
Estou louca para ver o próximo.
Bjs
Aline

noossa, incrivel, amei
sera se o edward é o assassino dos pais da bella?
otima fic, parabens
obrigada por ter deixado eu postar

UAU!!!!!!
O q será q vai acontecer agora???
ASSASSINO OU NÃO??? ES A QUESTÃO???

Estamos ansioos pelo proximo cap, posta logo.
Débora.

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