7 de nov de 2011

Capitulo 2

Posted by sandry costa On 11/07/2011 3 comments


 EXIGÊNCIAS

..."Contos de fada não dizem às crianças que dragões existem. Crianças já sabem que dragões existem. Contos de fada dizem às crianças que dragões podem ser mortos"...
(G. K. Chersterton)


Bella nem mesmo conseguiu sair do estacionamento do Complexo Prisional. Ali mesmo, com a cabeça apoiada no volante do carro, chorou desesperadamente, colocando para fora toda a aflição e angústia que tomavam conta de seu corpo e mente.
Nem seus conhecimentos em psicologia eram suficientes para que soubesse o que estava acontecendo com ela. Apenas se deixava levar pela vontade louca de por toda aquela dor para fora.
Sabia que tinha posto tudo a perder com sua atuação amadora e medíocre.
Envergonhava-se por ter sido tão fraca e vulnerável diante daquele estranho rapaz. Tinha agido como a garotinha amedrontada dentro do armário. O sentimento de impotência que sentiu enquanto estava naquela cela era o mesmo de vinte e dois anos atrás. A inexorável fortaleza que erguera para guardar seu passado tinha sido impiedosamente arrombada por um par de olhos.
Bella sabia que não tinha experiência nesse tipo de abordagem quando propuseram sua visita a Edward Cullen, mas o que havia acontecido minutos atrás tinha extrapolado sua pior expectativa. Seu desempenho tinha sido sofrível. Agira como uma criança tomada pelo medo.
Tinha se deixado subjugar por aquelas orbes negras.
Assim que se recompôs, já em seu apartamento, depois de um banho demorado e uma xícara de chá calmante, Bella tomou uma decisão importante. Ligou para seu amigo em Washington.
- Will, deu tudo errado, eu não sirvo para esse cargo. Eu estraguei tudo! – A vontade de chorar já a dominava novamente.
- Calma, Bella, por que você está tão nervosa?
- Eu não tinha a mínima idéia do que estava fazendo ali. Ele é tão estranho... Aqueles olhos... Meu Deus, Will, eu não quero mais voltar lá! Nunca mais...
- Bella, você está surtando. Calma, pelo amor de Deus! Não estou entendendo nada do que está dizendo! Não sei por que está falando isso. Eu...
Interrompendo o amigo, Bella deixou clara sua decisão.
- Vou voltar para Washington hoje mesmo. Quero meu cargo de volta. Aquela prisão é horrível, não volto mais lá! Também não quero ver esse tal de Edward Cullen nunca mais.
- Eu não posso te aceitar de volta, querida, sua vaga foi preenchida. Não faz mais parte do nosso quadro. Sou apenas um chefe de setor, Bella, não tenho força nem poder para te trazer de volta. Depois de se acalmar voltará a pensar coerentemente.
- Aqui eu não fico, Will!
- Bella, por favor, tome um calmante e durma. Amanhã conseguirá pensar com mais lucidez. Você está estressada, só isso. Não tome nenhuma atitude impensada. O pessoal da UAC não gosta de rebeldia.
- Eu já tomei minha decisão: ou eles me transferem ou eu peço demissão.
- Por Deus, Bella, isso é loucura. Está sendo infantil! E sua carreira?
- Não tem nada que me obrigue a voltar lá. Não vou reviver aquela sensação de novo... Eu não vou voltar para aquele armário! Não vou, Will, não vou... – Bella começou a chorar de soluçar, totalmente descontrolada.
- Bella, me escute, querida, por favor. Eu soube que o tal Edward quer te ver novamente. Preston me ligou contando. Assim que você saiu, ele resolveu cooperar, mas impôs uma condição: só fala se for com você. Está vendo, não foi tão ruim quanto está supondo... Você conseguiu!!! Ele saiu da concha. Dizem que o rapaz não tinha dito uma única palavra antes de ir visitá-lo. Eles não vão te liberar agora. Você tem de voltar lá e acabar o ótimo trabalho que começou.
Bella ficou atônita.
Como assim, tinha conseguido?”
- Ele quer co... colaborar? Mas eu não fiz nada, eu nem consegui ser uma psicóloga diante dele.
- Alguma coisa você fez, Bella, porque o cara quer falar... E só se for com você. Vai ver você descobriu alguma técnica nova – Will brincou.
O que Edward Cullen poderia querer com ela? - Bella se questionou, sentido um frio na espinha só de pensar em rever aquele olhar.
- Mas não dá, Will, eu não posso ir naquela prisão novamente. Não posso voltar no tempo e reviver todo aquele sofrimento. Os olhos dele... Eles me dão medo... Eu não quero vê-los mais... Eles estavam lá, no armário, naquele dia...
- Bella, que diabos você está dizendo?
Por mais que tudo aquilo fizesse sentido para Bella ela sabia que dificilmente alguém entenderia a forma como aquele garoto tinha mexido com suas emoções.
- Deixa pra lá, Will. Eu devo estar surtando. Eu preciso me afastar disso tudo, senão vou acabar ficando louca. Se é que já não estou.
- Eles vão te pressionar a ficar. A família Gordon era amiga íntima do presidente, Bella. Esse garoto entrou na mansão deles e matou o pai, a mãe e duas crianças. Uma delas era afilhada do presidente. Ele está envolvido pessoalmente nessa investigação. A Casa Branca tá pressionando o FBI. Querem esses corpos e o culpado o mais rápido possível. Não vão transferi-la de forma nenhuma, não agora.
- Então só me resta uma alternativa...
- Você está louca!
- Estou mesmo...

Bella digitou o último ponto final de sua carta de demissão e apertou o botão de imprimir.
Na manhã seguinte apresentou sua proposta de transferência para seu novo chefe, explicando que se não a mandassem de volta, se desligaria da Agência.
- Você bebeu, Swan? Agora que o pirralho resolver falar, você vem com essa história de querer voltar para Washington? O que quer, um aumento? Que tipo de pessoa é você? Nem bem chegou já está botando pressão. Só porque conseguiu fazê-lo colaborar já está se achando em condições de fazer imposições?
- Eu não vou ficar aqui escutando essas barbaridades. Você não me conhece, Preston! Se é isso que pensa de mim, fica ainda mais fácil tomar minha decisão!!
Bella colocou o envelope com a carta de demissão sobre a mesa e já ia saindo quando sentiu uma mão segurar seu braço.
- Swan, desculpe-me! Eu faço o que você quiser, mas pelo amor de Deus, volte lá e faça aquele rapaz dizer onde estão os corpos dos Gordon.
- Eu não posso.
- Pode sim. Ele é só um garoto! Pelo amor de Deus, Bella, o que aconteceu naquela sala para você ter ficado assim? Eu assisti a fita do circuito interno e não vi nada de extraordinário. Tudo bem que você se atrapalhou um pouco, mas o importante é que deu certo.
- São problemas pessoais.
- Tem a ver com seus pais?
- Eu acho que sim.
- Então enfrente esse trauma, Swan. É a única forma de se livrar dele.
- Não dá, Preston. É mais do que eu posso agüentar.
- Pense na família das vítimas. Eles nem puderam enterrá-los. Pelo menos você tem um túmulo para poder visitar seus pais.
- Não faça isso comigo, é muito sórdido usar esse tipo de chantagem! Eu não posso carregar mais esse peso em meus ombros. Vocês devem ter agentes muito melhores do que eu para continuar essa investigação.
- Já tentamos todos. Ele só falou com você.
Bella se sentia tão pressionada que achava que explodiria a qualquer momento.
Se ele só falaria com ela, as coisas realmente estavam se complicando, pensou.
Não sabia onde conseguiria forças para fazer aquilo, mas acabou concordando.
- Está bem, Preston. Eu só vou lá mais uma vez, apenas para pedir que ele fale com outro agente, mas você vai comigo.
O homem fez uma cara de tanto alívio que Bella até sentiu pena dele. Sabia que deviam estar pressionando-o de todas as formas possíveis.
- Sem problemas, eu vou.

O corredor dessa vez parecia mais comprido ainda. Bella ficava repetindo o tempo todo para si que ele era apenas um garoto.
Ele é apenas um garoto, Isabella Swan, apenas um garoto!”
O barulho da trava atrapalhou sua concentração e mais uma vez ela teve de enfrentá-lo.
Lá estava o olhar que atravessava sua alma... O olhar que ela temia... O olhar que tinha sentido falta.
Sentido falta?”
Bella assustou-se com seu pensamento. Como poderia ter sentido falta de algo que a fez sentir-se tão mal?
Não era hora para tentar entender as suas loucuras. Não tinha tempo para isso.
Foco no relevante, Dra. Swan!” - Disse a si mesma.
Ele vestia o mesmo uniforme, mas desta vez estava sentado na cama. Ainda continuava tão belo quanto no dia anterior.
- Você queria falar comigo, Edward. Aqui estou eu.
Bella resolveu chamá-lo pelo nome para criar uma relação menos formal entre eles. Desta vez estava conseguindo ser um pouco mais profissional, apesar de sentir o tremor percorrer todo seu corpo.
Edward olhou para Preston e levantou uma das sobrancelhas.
- Trouxe acompanhamento?... Ou melhor, acompanhante, Drª Swan? – Falou sorrindo.
Mais uma vez Bella não entendeu suas estranhas colocações.
- Este é o Dr. Walter Preston. Ele é meu chefe. Vai assumir daqui pra frente. Eu terei de voltar para Washington. – Teve de fazer um esforço sobre-humano para parecer calma e segura.
- Não vai mais ser você quem vai conduzir as entrevistas comigo? – Ele perguntou como se já soubesse a resposta.
- Infelizmente não, mas o Dr. Preston...
Ele a interrompeu.
- É mesmo uma pena... Eu estava começando a me divertir com isso tudo.
- Divertir? – Perguntou incrédula.
- Não pense que sou um sádico sem sentimentos, doutora. Eu realmente sinto muito pelo que aconteceu, mas sua companhia é muito agradável. Pensei que poderíamos ser amigos.
Bella não acreditou naquela proposta insólita! Amigos? Como aquele ser desprezível podia cogitar a possibilidade de eles terem uma relação que não fosse meramente profissional?  Nem profissionalmente ela queria estar ali, muito menos como amiga dele!
Mas no fundo ela sabia que ele a intrigava. De uma forma que não entendia, sentia que havia uma atração entre eles. Como se partilhassem algo que era só deles.
Will tem razão, estou ficando louca.”
- Não confunda as coisas, Edward Cullen. Eu estou aqui como uma agente do FBI.
- É impressão minha ou está difícil convencer-se disso, Isabella?
“Por algum acaso ele lê minha mente?” - Pensou.
- Como sabe meu primeiro nome?
- Eu sei muita coisa sobre você...
Bella ficou lívida.
- É só uma brincadeira, doutora, eu ouvi um dos carcereiros falando, só isso. – Se explicou.
Bella olhou para Preston em busca de socorro. Estava preste a desmaiar. Aquele rapaz tinha um poder sobre ela que a deixava transtornada. Não conseguia ser imune aos seus comentários dúbios.
- Edward Cullen, - Preston falou pela primeira vez – a Drª Swan não poderá ficar conosco, mas eu espero que possamos continuar conversando...
- Não, não podemos. – Edward foi direto.
- Como? – Bella perguntou.
- Só falo com você, doutora!
- Por quê?
- Porque sim.
- Isso é um absurso! – Bella perdeu a paciência.
- Poderiam se retirar, quero ficar a sós com a Drª Swan. – Olhando sério para Walter Preston, Edward pediu que ele saísse, embora mais parecesse uma exigência.
- Tudo bem, deixaremos vocês a sós. Não faça nada idiota ou irá se arrepender.
O agente saiu, seguido do carcereiro, sem sequer olhar para a cara de Bella, que ficou petrificada no meio da sala, sem acreditar que tinha caído na conversa de seu chefe. Na primeira oportunidade ela a tinha abandonado.
- Preston, eu não posso ficar aqui sozinha, não é seguro! – Ela estava abismada com a que ponto seu chefe a estava colocando em perigo para obter uma informação.
Bella quase implorou para que eles voltassem, mas não foi ouvida. O único som que se ouviu foi o da porta se fechando.
Agora ela estava trancada naquele cômodo minúsculo com aquele estranho.
- Não tenha medo, Isabella, não irei te fazer mal algum.
- E... Eu se...sei... – Ela mal conseguia falar, estava em pânico.
- Então por que está tremendo?
- Não estou tremendo.
- Está sim. – Ele riu. - Eu jamais faria mal a você – ele disse, olhando fixamente em seus olhos.
Bella não entendeu como, mas aquelas palavras soaram tão verdadeiras que pela primeira vez, desde que o conhecera, sentiu-se confortável na sua presença. Estava preenchida por uma sensação de paz que há muito tempo não experimentava.
- Não gosto que sinta medo de mim. – Ele lamentou, ainda a encarando.
- Você matou quatro pessoas... – Aquela frase serviu mais para ver se voltava à razão do que como uma acusação.
- Eu não os matei, Isabella. Eles não têm prova nenhuma contra mim. Hoje mesmo serei solto.
- Solto? Como você sabe disso? Até onde sei não recebeu a visita de nenhum advogado.
- Eu simplesmente sei.
- Você é estranho...
Edward riu alto.
- É, sou...
- Seria tão mais fácil se você confessasse, Edward. – Bella insistiu para ver se punha fim àquele estranho caso. Não estava se reconhecendo mais.
- Não vou assumir um crime que não cometi. Minha função aqui já terminou.
- Então explique o que foi fazer na casa deles horas depois do assassinato? Você foi encontrado lá, com o sangue deles nas roupas. Eu vi as fotos.
- Nem tudo é o que parece, Isabella. Um dia você vai entender.
- Então me diga, pelo amor de Deus, o que aconteceu naquela casa, Edward? Só você pode nos ajudar.
- Eu vou te contar, mas ainda não está preparada para saber.
- Não posso esperar, vou embora hoje. Não sou tão frágil quanto pensa. Acho que agüento ouvir a sua história.
- Isso é o que você pensa, Isabella. Não faz idéia do mal que eu poderia te fazer se eu quisesse.
Bella engoliu seco. Aquilo era uma ameaça? Suas pernas começaram a tremer descontroladamente.
- Desculpe-me, não quis te assustar, foi só um comentário bobo.
- Me diga, Edward, onde colocou os corpos? – Bella sussurrou, dando suas últimas forças àquele caso.
- Confie em mim, é só o que eu peço. – O rapaz implorou.
- Primeiro você precisa confiar em mim, Edward. Vou fazer o possível para diminuir sua pena, eu prometo.
Edward sorriu torto.
- Eu confio... E gosto de você... Não devia, mas eu gosto. Você me faz bem. – Ele falou, se aproximando mais um pouco de Bella.
- Isso pode ser facilmente explicado na psicologia.
Edward a encarou, praticamente hipnotizando-a com o olhar.
- Não estou falando de nenhum sentimento de transferência, Drª Swan. Não me venha com esse papo de que estou te colocando no lugar da minha suposta mãe violenta e abusiva. Não é nada disso... Estou falando daquela sensação gostosa de borboletas no estômago... Da sensação de me sentir flutuando apenas porque ouço seus passos pelo corredor... Daquela certeza de que seu sorriso vai fazer tudo isso compensar quando aquela trava se abrir... Do prazer inexplicável de ouvir sua voz doce e assustada...
Bella ficou muda, presa na escuridão daquele olhar enquanto tentava compreender o que aquelas palavras significavam. Um desconforto no peito a incomodava, mas só conseguia pensar no que acabara de ouvir.
- Respira, Bella!
- Hã?
- Respira! – Ele mandou, trazendo no rosto um sorriso cheio de ternura.
Foi então que Bella percebeu que seus pulmões estavam vazios. Puxou o ar forte e fechou os olhos. Estava difícil acreditar que aquilo estivesse mesmo acontecendo.
 Quando os abriu, assustou-se com a proximidade dele. O rosto de Edward estava perigosamente perto do seu. Dava para sentir seu cheiro delicioso e o hálito agradável que saía de sua boca, que era frio como uma brisa de outono.
- Confie em mim, Bella! – Ele sussurrou.
Quando Bella ia dizer que confiava, sem nem mesmo saber por que se sentia tão bem ao lado de um criminoso, o carcereiro entrou, interrompendo-os.
- Afaste-se dela! – Mandou, levantando sua arma de choque.
Edward deu um passo para trás.
Bella sentiu uma sensação de abandono quando ele se afastou. Queria-o de volta, perto de seu corpo.
O que está acontecendo comigo, meu Deus?”
Ele é um monstro, um assassino frio!”
Eu estou entrando no jogo dele!”
Qual é o jogo dele?”
Ele é só um menino!”
Todos esses pensamentos explodiram na cabeça de Bella, levando-a a uma crise nervosa. Sem saber o que fazer, saiu correndo aos pranto. Nem os gritos de Preston, exigindo sua volta, a fez parar.
Só quando estava na segurança de seu carro, Bella entendeu o que tinha acontecido.
Não era ela quem estava entrando na mente dele. Era Edward Cullen quem tinha entrado em sua mente. Ele era muito mais perigoso do que ela tinha imaginado... Sua arma era invisível e... letal.

3 comentários:

O que será que vai acontecer?
Enquanto não descobrindo vamos fazer alguns palpites de quem é o assassino.

Muito legal a fic.

Débora

Amei, esse capítulo.
O Edward está mais misterioso, mas eu gosto. Tudo que é proibido é melhor.
Coitada da Bella como será que ela vai conseguir lutar contra o amor que sente pelo Edward.
Estou louca pelo próximo capítulo.
Bjs
Aline
PS: Me palpite é o James, ele sim é o bad boy.

aai aai eu to apaixonada pela fic meus parabéns,
está muito muito boa.
To mto ansiosa pra saber o que vai acontecer, não demora muuito pra postar vaai *---*
beijobeijo"

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