2 de nov de 2011

Capitulo 25

Posted by sandry costa On 11/02/2011 No comments



P.O.V – Hellena



Eu andava pelo campus olhando as partituras que Alec me dera algumas semanas atrás, ele tinha razão, eram apenas esboços, mas as notas tinham a total perfeição das outras obras de Mozart.

Era estranho como isso me deixava excitada.

Raios de luz atravessavam o teto de folhas das altas arvores que enfeitavam aquele gramado. Havia jovens para todo lado, fazendo coisas que estudantes de musica fazem.

Ergui meus olhos ate o prédio de dança, o que eu outrora havia freqüentado, e senti tanta falta. Meu peito doeu e eu desejei com todas as forças que aquele tempo não tivesse passado e me deixado para trás.

Ainda me lembrava quando eu saí em um tour que mudaria minha vida, quando eu brigara com Nikki e virei amiga de Quenn. Nikki agora estava morta e Quenn era minha irmã.

Meus dedos se fecharam com mais força nas partituras.

Ouvi vozes se aproximando, e ao focar meus olhos melhor, vi meus ex-colegas se aproximando rindo. Eram as meninas que fizeram aulas de dança do ventre comigo, e com elas vinha... Jesse.

Ah não, ah não, ah não. Jesse era – não, não, foi – meu parceiro no lago dos cisnes quando eu fizera Odile, e ele tipo que me cantou bastante. Ele não podia me ver.

Primeiro porque ele provavelmente ia notar a grande diferença em mim, não em aparência é claro, eu teria esse rosto e dezesseis anos por muito tempo, mas sim por causa da minha aura. Humanos sentem algo diferente quando auras muito poderosas estão por perto. Até porque eu havia me alimentado ontem, de um vampiro.

Segundo, ele ia achar estranho eu ter sumido por três anos e agora voltar para a faculdade, e não para a de dança, mas sim a de musica.

E terceiro, ele ia encher meu saco.

Não tinha para onde fugir. Eu podia voltar e caminhar quilômetros de grama até chegar em um prédio, eu podia me esconder atrás de uma arvore - o que seria patético - virar uma formiga, mas alguém pisaria em mim, ou me ver, ou e quando eu voltasse talvez ficasse nua; e talvez eu podia olhar para cima e subir na arvore.

Ãh, dã!

Girei minha cabeça me certificando que não havia ninguém me olhando, e tomei impulso. Flutuei levemente para cima, como se a gravidade não fizesse parte de mim, e assim, eu estava encostada confortavelmente em uma arvore.

Cruzei minhas pernas e me aconcheguei no galho. Lá em baixo, Jesse e as meninas chegavam agora, e para minha total falta de sorte, eles pararam bem abaixo de mim.

Inferno.

Eu estava alto o bastante para ficar escondidas nas sombras, mas mesmo assim, passar o dia em uma arvore não estava em meus planos para hoje.

Isso me deprimiu.

Joguei os ombros para frente e fiquei de lado, colocando uma mão ao lado da cabeça e fechando os olhos. Como não tinha nada melhor para fazer, me concentrei em ouvir a conversa.

A menina que fizera Odette estava visivelmente dando em cima de Jesse, o que me deixou estranhamente irritada. Súcubos têm essa mania possessiva por machos que estão por perto, ou que elas conhecessem.

Como era o nome dela mesmo...? Molly... Lolly... Lolla... Ok. Seria Odette a partir de agora. Enfim, Odette estava quase jogando os peitos na cara dele, e ate as colegas dela já estavam ficando irritadas.

Suspirei abrindo os olhos e revirando eles. Estreitei-os e franzi as sobrancelhas. Na hora Jesse arregalou os olhos e estreitou a boca, inventou uma desculpa qualquer e saiu correndo.

Eu quase fiz xixi nas calças de tão engraçado que foi. A cara dele foi à melhor, e de Odette também. Mexer com a mente humana era tão divertido e relaxante.

Abafei minha risada com minha mão enquanto as meninas se olhavam confusas e seguiam reto.

Ótimo, agora eu podia descer e seguir meu caminho, mas antes de me decidir da forma melhor de descer, percebi que havia alguém ao meu lado, que eu não havia percebido por estar distraída com os humanos.

Escorreguei pro lado e quase cai com tudo no chão, mas uma mão forte e ossuda segurou meu antebraço me içando para cima novamente. Logo, eu estava na altura de um par de olhos escuros e penetrantes.

-Cuidado com o equilíbrio e a distração súcubo, pode custar sua vida. – era um homem, e era bem quente, quente demais para o meu gosto. E devo comentar que nem um pouco bonito.

Tinha os cabelos feitos em um moicano bem antiquado, descoloridos nas pontas, como se ele fosse um porco-espinho. Seu nariz era grande e fino, e o rosto de queixo pontudo.

-Quem diabos é você? – eu me soltei depois que estava segura e em cima do galho grosso, mas não o suficiente para suportar nós dois. Então supus que ele fosse bem gracioso, pois nem parecia encostar a ponta dos pés.

-Meu nome é... – ele parou pensando um pouco. – Bom, eu não tenho nenhum nome.

-Que conveniente. – sibilei.

-Sou um demônio.

Arregalei os olhos, apesar de ele ser uma das criaturas mais fáceis de matar, eu detestava demônios.

-Tenho de ir. – falei evasiva me preparando para pular.

-Eu vi você no bar vampiro algumas noites atrás. – começou.

-Na verdade, faz algumas semanas, e como me encontrou? – franzi o cenho me virando para ele.

-Foi puro acaso. – sua voz era ríspida como lixa. – Você gosta de mexer com humanos também? – riu de um jeito que mais parecia um grito travado e estridente.

-É... hehehe... – eu ri sem humor. – Mas eu não como eles! – fiquei seria.

-Come sim, apenas uma parte diferente... – tombou a cabeça para o lado.

-Ok. Ok. Eu não mato eles – ergui as duas palmas para ele. – Não na maior parte do tempo. – murmurei a segunda parte. – Quis dizer que não é a carne deles.

-Estranho. – franziu as sobrancelhas femininamente finas.

Ah é! Eu sou estranha! Ele tem cabelos de porco-espinho, é um canibal, e eu sou estranha? Não, eu sou irresistível.

-Ta legal, sem-nome. Eu tenho que ir, tá bom. – não foi uma pergunta, e eu nem esperei resposta, mas ele me segurou com as garras que chamava de mãos. – Que foi?! – gritei.

-Sou o barman daquele bar.

Que ótimo. Demônios têm mania de ficaram atrás de balcões, isso já estava ficando repetitivo.

-E...

-Fecharam o bar recentemente. Acho que foi sua visita que causou estardalhaço, e descobriram que meu senhor fazia negócios com quem não devia... – ele me lembrava Dobby de Harry Potter agora, ele quase ficou fofo.

-Hum...

-Será que seu vampiro Volturi poderia ajudar-me?

-Não acha que seria legal ficar por sua conta agora? Tipo, sem patrões, sendo você seu próprio chefe? Liberdade?

-Faz parte da minha natureza servir, não mandar. – falou no mesmo tom de um elfo doméstico. – Assim como faz parte de sua natureza ser assim, tão bela.

Dei um riso fraco, e algo naquela frase se chocou contra mim. Eu havia aprendido bastante sobre as súcubos vivendo entre elas, mas nunca parei para pensar como todos nos viam. Eu tinha a vaga impressão que não ia gostar muito.

-Vou falar com Alec, talvez ele possa te ajudar. – murmurei discando o numero dele no meu celular. Ele atendeu depois de alguns toques, a voz estava arrastada.

Contei para ele o problema do sem-nome. Alec pensou um pouco e disse que talvez houvesse alguma coisa para o desconhecido em Veneza, isso me deixou arrepiada.

-Muito obrigado. – ele segurou minha mão quando já havíamos descido da arvore. – Tenho uma longa viagem a fazer, ele disse que tenho que procurar por quem?

-Um tal de Edmund, que estará te esperando em um bar chamado Naraka, alguma coisa assim. – dei de ombros. – Acho que é mexicano.

-Os deuses me trouxeram ate aqui.

-Quando você nasceu sem-nome?

-Há bastante tempo senhorita. – falava polidamente.

-Era de alguma nação politeísta?

-Fazia parte dos vikings.

-Uau, você é bem velho, e como virou isso?

-Apenas quem vira demônio sabe. Regra de espécie. Agora tenho que ir.

E ai ele sumiu do nada, tipo assim: Puf.

Suspirei apertando a bolsa em meu ombro.

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