7 de nov de 2011

Capitulo 27

Posted by sandry costa On 11/07/2011 1 comment


P.O.V – Hellena

Respirei fundo o ar, agora menos quente, da noite. O cheiro de grama me agradava e fazia com que eu esquecesse um pouco de meus problemas.
-Esse lugar virou mais como um solo sagrado, aonde venho sempre que tenho que esclarecer certas coisas. – falei quando senti a presença de Alec se aproximando. Ele cheirava tão bem, era um cheiro conhecido, confortável. Era uma fragrância familiar.
-Tem coisas a serem esclarecidas? – quando ficou no meu campo de visão possuía um rosto curioso, chegava ate a ser, duvidoso. Por um momento achei que ia ceder a ele, mas a força veio em uma torrente. A coisa certa a fazer.
-Tem sim Alec. – prensei meus lábios olhando em seus olhos. Eu não fraquejaria, se olhasse bem fundo nos olhos dele, ele saberia que eu não mentia. – Vou voltar para o mundo oculto.
-Mas... – gaguejou confuso.
-Não tem mais Alec. Eu vou voltar e cumprir minha missão como futura rainha. Vou dar a luz a uma herdeira, e subir ao trono. E sinto muito, mas não a espaço para você na minha nova vida. – minha voz saiu dura.
Eu sentia os espíritos por perto sussurrando em meus ouvidos coisas tão baixas, que não passavam de cócegas. Abanei minha mão em meu ouvido, como se quisesse afastar mosquitos de mim.
-Essa brincadeira não tem graça. – estreitou os olhos.
-Não estou brincando Alec. Minha mãe foi me visitar hoje, e ela me disse muitas coisas. Coisas que me fizeram... Querer você mais. – afinei meus olhos, pensativa. – Katherine é o fruto de um amor, um lindo amor que acabou em tragédia, como todos sempre acabam.
-Dês de quando você se importa com o que sua mãe diz? Nem mesmo chama ela de mãe. – ficou mais próximo. Tombou a cabeça levemente para o lado.
-Meu dom é ver a verdade Alec, ver o certo, e eu vejo que o que esta acontecendo entre nos não é certo. Foi tudo uma brincadeira de criança, uma diversão proibida, mas que tem que acabar. – balancei a cabeça descrente.
Ele parou um pouco analisando meu rosto. Apesar de minhas rígidas feições, ele podia sentir a verdade. Mentir para ele era quase tão difícil quanto pegar fumaça. Pegar fumaça com as mãos.
-Para uma súcubo com o dom para a verdade, você é uma péssima mentirosa. Diga-me a verdade. Você nunca quis subir ao trono, muito menos procriar com seu meio-irmão.
-Você não entende Alec, porque você nunca conviveu em uma sociedade assim. Nos somos uma família, e nos preocupamos umas com as outras, e que tipo de líder vou ser se não fazer o bem para meu povo? – comecei a fazer gestos de mãos típicos de alguém nervoso.
-Para fazer o bem para o seu povo, tem que fazer o bem para si mesma.
-Não Alec, eu não sou mesquinha a esse ponto. Elas precisam de uma nova princesa, e eu sou a única que pode concedê-las uma. Ter você ao meu lado só vai atrapalhar. Não vou conseguir fazer o certo tendo você por perto.
-Então, a culpa é toda minha?
-Não Alec. – repeti. – Era para ser assim dês do inicio, mas eu lutei contra meu destino. Você é a prova viva de que não podemos fugir dele. A profecia dizia que ficaríamos juntos, e ficamos. Foi bom enquanto durou Alec, mas chega de nos escondermos.
-Hellena. – disse meu nome quase como uma suplica, segurou meu rosto. – Não pode fazer isso conosco, não pode me abandonar depois de tudo. Não de novo.
-Você vai me esquecer, assim como eu um dia irei. – soltei suas mãos de mim dando um passo para trás. – O tempo passara, e quando olharmos para trás, veremos que foi o certo.
-Não desistirei de você assim. – praticamente rosnou.
-Tenho de voltar agora Alec. – olhei o sol que já nascia. – O tempo passa rápido. Imploro para que não venha atrás de mim. – ele segurou meu rosto novamente e me beijou. – Pare... Por favor.
Abaixei o rosto, mas não chorei.
-Hellena... Não, por favor... Hellena. – repetia meu nome como uma prece.
-Alec. – eu própria repetia o seu nome. Dessa vez fui eu segurei seu rosto. – Eu estou muito assustada, não me deixei mais. – minha voz tremeu, mas nenhuma lagrima caiu de meus olhos.
-Não posso deixar que você vá.
-Cumprirei as regras, e nos veremos novamente. Voltarei para você Alec, se me ama, me esperara. E não vira atrás de mim. – comecei a negar com a cabeça.
-Não posso garantir que farei isso.
-Não me obrigue a forçá-lo a isso. – falei impetuosamente.
Ficamos parados em silencio, um olhando para o outro. Parecia um jogo, uma luta em que quem desviasse o rosto primeiro, perderia. Ele era tão teimoso quanto uma mula, e não posso negar que eu era teimosa de uma forma parecida.
Nós combinávamos.
Engoli em seco enquanto escorregava meus dedos por seu rosto liso e perfeito de porcelana pura.
-Dizer adeus nunca é fácil meu amor. – cantarolei quando percebi que de seus olhos rolavam lagrimas. Ver-lo chorar era mais doloroso do que qualquer coisa que já senti.
Passei a ponta de meus dedos por seus olhos, secando as lagrimas salgadas, mas para minha surpresa, elas não cheiravam a sal.
Minhas lagrimas eram salgadas, e desciam por meu rosto, banhando meus lábios com o gosto mais amargo que já senti em minha boca. Segurei seu rosto levando meus lábios para suas lagrimas, o gosto delas era suave.
-Eu te amo. – murmurei com a boca em sua bochecha. – Diga que vai me perdoar. – falei embargadamente. – Diga que vai me deixar ir, mas que não me odiara para sempre.
Puxei ar separando meu rosto do seu.
-Não consigo mais viver sem você Hellena.
-Mas você tem que aprender Alec. – disse firme. – Mesmo que isso um dia acabe, e fiquemos juntos, não poderei viver entre sua família. Tem que ser forte meu amor, você é forte. Um dos Volturi mais poderosos... Vai doer no inicio, mas passa. Um dia passa.

P.O.V – Alec Volturi

Sentia-me envergonhado de estar agindo como um estúpido em sua frente, chorando como uma criança, há quantos séculos eu não chorava, acho que dês de que nasci.
Mas ficar sem ela não era uma opção que eu cogitava. Eu não podia.
O ar trava em meu peito, esse não podia ser o adeus, não podia. Eu havia me entregado totalmente a esse sentimento novo, esse sentimento que só causa sofrimento, mesmo quando se tem que ama ao lado, você sofre.
Sofre quando não esta junto dela, sofre quando a olha sorrir para outro, mesmo que não seja ninguém. Amor é sofrimento. Puro sofrimento. Não queria sentir isso nunca mais, eu queria esquecer que esse sentimento existe e que uma vez na minha vida ele aflorou em mim.
-Não Alec, por favor, não... – ela implorou, chorava como eu. – Não pode esquecer isso, não pode me odiar.
-Isso só fere Hellena. – falei sentindo magoa transbordar em meu peito.
-Você disse que nunca deixaria de me amar.
-Você disse que nunca me deixaria. – a mágoa agora subia para minha voz.
-Qualquer um precisa de um motivo para viver. Você é o meu! – segurou o colarinho de minha camisa.
-Não, o seu motivo é seu povo, assim como o meu é o meu povo. – minha voz estava irritada agora.
-Não Alec... – ela se agarrou com mais força em mim, chorava copiosamente, tanto, que manchava sua roupa. – Me prometa que não deixara de me amar.
-Para que? Você não disse que iríamos nos esquecer? – respirei fundo.
-Pare de ser infantil. Isso é maior do que nós dois! – gritou.
-Será?
-Largaria os Volturi por mim? Ham? Responda! – suas mãos eram punhos cerrados, que agora não mais seguravam meu colarinho, mas sim davam socos.
Eu não respondia, ela tinha razão. Eu estava sendo mesquinho.
Suspirei sem palavras para responder-la, sem saber como me desculpar, ou o que dizer para que ela não me odiasse. Pela primeira vez queria que ela lesse as frases em minha mente que não desciam para os lábios, como Aro fazia tanto comigo, mas ela não leu minha mente naquele momento.
-Adeus Alec Volturi, e espero do fundo de meu coração, que não cruze meu caminho novamente. Você não merece tanto sofrimento, pensa apenas em si mesmo, sempre foi assim.
Ela me deu as costas.
Corri e segurei seus ombros, mas eles se dissolviam por baixo de minhas mãos como fumaça, e naquela hora, ela virou pura fumaça, sumindo diante de meus olhos. Deixando para trás apenas um rastro de seu perfume, e o leve lampejar do anel que eu dera para ela.
Desesperei-me naquele momento. Ela não foi para o mundo oculto agora, queira deus que não. Deveria ter ido para casa. Só podia ser isso, eu precisava me apressar.
Joguei-me da mureta me transformando no salto e voando atrás dela.

1 comentários:

Nossa, nunca pensei que a Hellena fosse capaz de fazer isso. Mas, já q fez vamos torcer para que o Alec a esqueça!!!
Ou será que não?

Débora

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