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13 de dez. de 2010

Capitulo 33

Posted by sandry costa On 12/13/2010





celebrações


Bella








- Talvez esteja na hora de voltar. Alice deve mandar alguém atrás de nós a qualquer momento. – murmurei, desejando por ficar ali por mais, muito mais tempo.


Estávamos em nossa campina desde a primeira hora da manhã. O sol já estava se pondo e os únicos movimentos registrados eram da leve brisa e de nossos lábios.




A idéia foi dele... aproveitar um pouco mais nosso pequeno lugar, considerando que aquelas eram nossas últimas semanas ali.


- Alice está ocupada demais e Nessie também. – ele respondeu contra minha pele.


Não queria voltar. Queria fugir de Alice.


Ela estava decorando a casa para o Halloween, mas esse não era o único motivo de querer ficar ali.


Poderia passar dias, semanas, até mesmo meses sozinha com ele, longe de qualquer contato, completamente isolados do mundo. Era assim que estávamos naquele momento.


Isolados.


Durante todo o dia, ninguém nos incomodou. O celular não havia tocado nem sequer uma vez. Estávamos conversando e fazendo
planos - sobre tudo que poderíamos e queríamos fazer de agora em diante - e rindo e nos tocando...
ele sempre muito carinhoso e brincalhão.


Aquele momento me fazia recordar as noites que ele passou em meu quarto. Uma época em que havia certas limitações. Esse pensamento me fez pensar em algo.


- Acha que ela vai se importar se a gente ficar aqui e esquecer da festa? – perguntei um pouco antes dele apertar seus braços ao meu redor. Seus lábios tocavam cada centímetro de meu
rosto.


- Podemos ficar aqui e descobrir. – Edward sussurrou em resposta.


Ele passou uma de suas mãos por meu pescoço. Um toque muito suave, mas ainda assim, me prendendo contra ele.


Sabia que Edward era o homem perfeito. Um fato comprovado há muito tempo. Sempre cavalheiro, carinhoso, atencioso. A forma com que ele usa as
palavras, tão bem colocadas, tão eloqüentes. Não é novidade para ninguém, mas sempre admirei tudo que ele
faz. Até mesmo sua forma de respirar é diferente. Mais bonita, mais pura.


Quantas mulheres podem dizer isso de seus namorados ou mesmo maridos e realmente estarem certas? Eu não estava vendo apenas o que
queria. Esse era meu Edward.


Quantos maridos ou namorados colocam suas respectivas parceiras em primeiro plano? Ok... não era justo comparar homens normais com Edward. E quando
digo normais, não quero necessariamente dizer
humanos. Porque mesmo quando humano – e eu posso apostar minha vida nisso – ele
era diferente, especial e único.


Edward nunca foi um homem normal.


Ele riu delicadamente quando puxei o colarinho de sua camisa e encostou sua testa na minha.


- Vou sentir falta desse lugar. – falei, respirando fundo e absorvendo seu doce perfume, perfume que ficava ainda mais marcante combinado com as pequenas
flores silvestres que nos cercavam.


- Eu também, mas não muito. Não é necessariamente o lugar que me agrada.


- Você sabe o que quis dizer.


- Eu sei. – ele sussurrou e me beijou novamente.


Eu estava no céu. Paraíso.


Pássaros começaram a cantar – longe de nós.


- Isso... é tão perfeito – o momento – que quase me deixa triste, porque agora parece que... ser mais feliz é impossível e que a
qualquer momento teremos que nos levantar e ir embora.


Ele sorriu as minhas palavras.


- Então... basicamente, eu estou te deixando deprimida? – ele perguntou em um tom delicado e brincalhão.


Ri da impossibilidade daquilo.


- De certa forma, sim, mas somente porque tudo está perfeito, entende?


Ele passou a mão por meus cabelos, descendo-a lentamente até minha cintura e parando alí.


- Sim, eu nunca vou conseguir me acostumar com tamanha perfeição. – ele disse com um pequeno sorriso nos lábios. - Sabe o que poderíamos fazer?


- O que? – perguntei, incapaz de esconder o reflexo de satisfação ao olhar diretamente em seus olhos.


- Conseguir um dormitório. No campus. Só para nós. Para quando for necessário estudar com outras pessoas no meio da tarde. É uma boa
desculpa.


- Aham, é por isso que você lembrou do dormitório agora... para estudar.


Minha voz pesada com sarcasmo. Ele riu.


Era tão gratificante vê-lo animado com toda essa história de faculdade.


Foi assim o dia todo. A todo o momento – ele ou eu – lembrava de algum pequeno detalhe.


- Não está um pouco tarde para isso? Quero dizer... todos já devem estar ocupados.


- O que acha? – ele perguntou, ignorando minha pergunta.


- É uma boa idéia. Acho que não tem como correr dos. De alguma forma vamos ter que nos socializar.


Já havia imaginado isso. Especialmente porque me increvi em duas aulas que ele não cursaria e se por algum motivo os professores passassem alguma atividade com algum outro colega, seria ideal ter um quarto no campus.
Uma desculpa para não precisar sair de lá.


- Não. É por isso que sempre vamos juntos, para minimizar qualquer contato, não que socializar com os outros alunos seja problema, mas é uma forma de evitar que as pessoas se
aproximem demais e comecem a fazer perguntas... você conhece bem o esquema.


- Mas não é um pouco tarde?


- Eu dou um jeito. - e então ele suspirou. - E... você está certa, temos que voltar.


Nem sequer perguntei o que ele ouviu. Só me levantei resignada.


Ele pegou minha mão.


- Já está ficando mais triste? – ele estava rindo.


- Deprimida. – respondi com o mesmo tom brincalhão.


Quando chegamos o chalé estava vazio. E em cima da cama havia duas caixas, logas e finas.


- Não precisa usar se não quiser. – ele disse colocando as caixas de lado. – Eu não vou usar também.


- Você realmente não gosta de Halloween.


- Assim como você.


Eu ri.


- Eu não tenho problemas nenhum com o feriado, só não gosto das festas. Renée costumava comprar uma loja inteira de doces... só para nós. – sorri para mim mesma com a lembrança.


- Mas você quase não comia doces. – ele questionou sorrindo enquanto me observava da cama – eu estava juntando as peças de roupas que estavam
espalhadas pelo quarto. Edward sempre se interessava por pequenos detalhes de
minha vida e esse era um que nunca havia mencionado.


- Não comia mesmo, exceto no Halloween. Era uma tradição nossa. A gente passava tanto mal no dia seguinte. – suspirei. – Agora é a vez de Nessie. Espero que ela não passe mal. – disse para mim
mesma. – Ela corre o risco de se empolgar...


- Ela está ansiosa como sempre fica antes de qualquer coisa. Alice conseguiu deixa-la agitada.


- Estou literalmente com medo da sua casa.


Não queria nem pensar.


- Nossa casa. E... acredite, estou medo também. – ele franziu a testa. Edward nunca reclamava das festas da irmã. Sempre suspeitei que ele até a
incentivava às vezes. Ele parecia apreciar todas. Todas menos essa.


- Qual o problema... com Halloween? – perguntei.


- Não consigo ver a lógica. Celebrar uma data, onde supostamente os espíritos dos mortos voltam a terra para possuir corpos. As pessoas comemoram coisas ruins no dia de hoje. Bruxas,
monstros, vampiros. – ele riu. – Sei que pode parecer hipocrisia, mas ainda não faz sentido. E também entendo que quase ninguém sabe o significado
real da data e que esse tipo de festa permanece por causa da tradição, doces e
das fantasias. Entendo isso. Mas eu
sei. Então... não faz sentido para mim.


Sorri ao seu pequeno discurso.


- O mundo está de cabeça para baixo. A humanidade deixou de se importar com o fato de que hoje todos deveriam se esconder dos espíritos e em troca de que? Doces!


Ele riu alto de meu tom descrente.


O telefone de Edward tocou. Vi o nome de Alice no visor e me antecipei em dizer:


- Estou indo para o banho. Você lida com ela. - joguei a bomba para ele – Edward sabia fazer isso melhor do que eu.


Ele franziu a testa e atendeu.


Segui para o banheiro. Meu cabelo estava cheio de pequenas folhas e poeira e após lavá-lo minuciosamente, voltei para o quarto sem ter idéia do que usar.


Edward estava colocando a carteira no bolso da calça.


- Saindo? – perguntei.


- Vou buscar Charlie. Ele está tendo problemas com o carro.


- Oh! Posso ir.


- Eu vou. Além do fato de ser o único com autorização para vê-la de toalha, não acho que seria apropriado ou memso seguro para você andar pela cidade assim.


Revirei meus olhos para ele.


- Só dois segundos, me visto rápido.


Ele me beijou de leve e sorriu.


- Prometo não demorar.


Bufei.


- Se você demorar mais de meia hora, vai se ver comigo depois. – ameacei. Não queria ser vítima de Alice sozinha. Estávamos nessa juntos.


Edward se aproximou e falou contra meus lábios.


- Não vou demorar. – ele disse novamente.


- Tudo bem. – resmunguei. E ele se foi... sorrindo.


Segui para o closet e olhei para as dezenas de vestidos que nunca havia usado e que provavelmente nunca usaria.


Qual a roupa apropriada para uma festa de Halloween? A resposta era simples e me fez encolher os ombros. Abri a caixa que Alice deixou na cama. Estava preparada
para algo absurdo e acabei surpresa ao perceber que não era tão ruim. Pelo menos dobrado.


Retirei - o que parecia ser um vestido - e o abri em cima da cama.


Não era tão ruim, mas ainda era algo que nunca usaria.


Normalmente não usava vestidos por conta própria.


Suspirei e decidi que não era o fim do mundo. Nenhum dos outros que estavam no Closet pareciam usáveis. No fundo da caixa havia um
bilhete – surpreendentemente com a letra de Rosalie - dizendo que o cabelo
também precisava ser apropriado.


Voltei para o banheiro com o intuito de secar o cabelo. Essa era uma das coisas que sendo humana ou vampira, demorava a mesma quantidade de tempo. Eu tinha muito
cabelo.


Com eles secos e lisos, voltei para o quarto e coloquei o vestido. Era de estilo oriental – preto - um dedo apenas acima do joelho, com detalhes vermelhos
discretos. As costas eram livres.


Ok, poderia ser muito pior. O cetim aderiu ao meu corpo como uma segunda pele.


- Justo demais. – resmunguei.


- Não é. – Rosalie disse, aparecendo atrás de mim. Assustei-me um pouco. Não a ouvi se aproximar.


- Me desculpe. Achei que fosse precisar de ajuda com o cabelo.


Ela estava linda. Perfeita. Seu vestido era curto – e não tão justo - e ela usava sapatos com salto fino.


- Você está ótima. – disse o obvio.


- Obrigada. Você também. Alice sempre acerta nessas coisas – ela se aproximou e colocou as mãos em meus cabelos – Ótimo, você já secou. Sente-se aqui.


Rosalie não demorou mais do que quinze minutos para fazer um coque elegante e elaborado.


- Prontinho. – ela anunciou e suspirou. – Edward vai ficar em cima de você hoje. Não que ele faça outra coisa na vida. – ela gargalhou
baixinho.


Sorri para a mais belas das Cullens. Não era mais estranho.


- Acho que temos que ir, então. – murmurei.


- Não será ruim. Pelo contrário, será divertido. Só nós e o lobo. – ela franziu o nariz.


- E Charlie.


- Charlie faz parte do “nós”.


Particularmente gostei de ouvir essas palavras saírem de seus lábios.


A algum tempo ele passou a fazer parte do círculo fechado dos Cullens. Claro, ele não sabia nem da metade, mas
estava aceitando tudo muito bem. Charlie se sentia confortável agora.


Sorri orgulhosa de mim mesma.


- Sapatos? – perguntei a ela. Rosalie já estava alí, ela poderia escolher o par mais apropriado.


- Oh! Só um segundo. – ela disparou graciosamente para o closet e voltou com um par de stilletos pretos de sola vermelha. – Esses ficarão
perfeitos.


Quando chegamos a casa, meus olhos se arregalaram. Tudo estava escuro – claro que estava vendo perfeitamente – com algumas luminárias
avermelhadas e outras azuladas espalhadas, desde a entrada principal, até a
cozinha. A sala deveria ser o pior cômodo de todos, com luzes piscando
“assustadoramente”. Pelo menos ela não teve o mal gosto
de colocar nenhuma caveira ou algo do tipo, pendurado pelo lugar.


Para ser sincera, eu estava esperando algo pior.


- Mãe! – gritou Renesmee. Ela desceu a escada correndo. Jacob a seguiu em passos mais lentos. – Você ta linda!


Havia fica o dia todo longe de minha pequena. Renesmee estava agitada demais com a festa, por isso ficou aqui para ajudar.


- Obrigada. Você está linda também. Tão perfeita.


Ela estava usando um kimono branco, bem oriental. Seus cachos presos em um coque elaborado com uma pequena presilha em formato de
leque dando o retoque final.


- Não disse? – murmurou Jacob para ela. Nessie fez careta para ele.


- Você não está fantasiado. – disse.


Eu provavelmente teria uma crise de risos se o visse em uma.


- Não.


- Vai aceitar isso? – perguntei a Nessie.


- Eu falei, mas ele não me ouviu. – ela reclamou.


Eu tive que rir. Isso ele não fazia por ela.


- Você está ótima, Bells. – ele me elogiou. – Aparentemente é a “noite asiática” para alguns dos Cullens.


Sorri em retorno e comecei a imaginar o que Alice poderia ter escolhido para Edward usar.


Meus olhos percorreram o ambiente, não conseguia vê-la, nem Jasper. Nem mesmo Emmett. Rosalie havia subido.


- Onde está todo mundo?


- Papai foi buscar vovô Charlie, Alice e Jasper foram pegar os doces e eu não sei onde Emmett está.


- Ela está irritada com você e Edward. – Jacob falou.


- Ela está? Por que? – perguntei. Eu quase não reclamei com Alice.


- Papai ia comprar os doces, mas vocês ficaram fora o dia inteiro.


- Oh. Edward não comentou nada comigo. – disse defensivamente.


E ele realmente não havia comentado nada.


Alice e Jasper apareceram alguns minutos depois. Ela me lançou um olhar irritado. Eu estava me comportando. Não entendi o mal humor.


Em poucos minutos toda a casa estava cheia de doces.


“Decoração necessária” havia dito ela.


- Agora está tudo perfeito! – Alice cantou, novamente de bom humor.


- Duas toneladas de balas. Ótimo. – resmunguei.


Ela se virou para mim.


- Estou surpresa que esteja usando a roupa que escolhi. – seu tom era seco.


- Surpresa, sério? Essa é nova para você.


Jacob e Renesmee riram.


Ela revirou os olhos. – Muito engraçado, Bella. – então ela se virou e continuou a organizar a sala que já estava
organizada.


Estranho.


Balancei minha cabeça, tentando clareá-la. Por que ela estava chateada comigo? Seria uma daquelas coisas de casais? Edward apronta e eu também sofro
as consequências?


Ouvi o carro de Edward se aproximar.


- Diga a seu marido “obrigada” por toda ajuda. – ela falou sem tirar os olhos do vaso de flores que parecia perfeitamente cheio de rosas. Segurei uma risada. Alice
estava brava com Edward e comigo como conseqüência.


- Acho que ele te ouviu. – disse seguindo para a entrada principal. O som do motor cessou.


- Pai. – chamei descendo as escadas da varanda.


- Hey, Bells, wow! – ele disse, legitimamente surpreso. Sabia que o tom era devido a minha “fantasia”.


- Alice. – disse. Ele entendeu imediatamente. – Nessie está ansiosa e te esperando.


Ele começou a subir as escadas e eu a descer. Ele parou de repente quando nos cruzamos. Pude ver Edward encostado na porta do carro. Olhando para mim.


- Você vê algum problema se eu sair com ela para pedir doces, quero dizer, essa é a tradição, certo?


- Oh, não. Claro que não.


Charlie e eu nunca fizemos isso juntos, então não ia negar isso a ele.


- Infelizmente vai ter que levar o comboio com você. – Edward disse a ele. Nem Rosalie, nem Jacob ficariam para trás. No embalo que Alice estava,
ela provavelmente iria também.


Bom... eu era a única que não podia andar pela cidade com minha filha. Na realidade eu não poderia andar pela cidade
abertamente de forma alguma.


- Imaginei. – Charlie respondeu. – Oh, Bella? Advinha... Ângela Webber ligou hoje. Ela queria notícias suas.


A notícia me pegou de surpresa. Nunca imaginei ter notícias de qualquer um de meus antigos amigos, muito menos imaginei que um deles que procuraria.


- Oh! – exclamei sem saber o que dizer.


- Disse que você estava no Alasca e que a vi em setembro. Também disse que tudo estava bem. Que você e Edward estavam firme e forte. E foi isso. Ela está na cidade para o feriado, por causa dos gêmeos. Eu, ham,
fiz certo?


- Sim, pai. Obrigada. – Teria que enviar um e-mail para ela mais tarde.


Ele sorriu e seguiu para a casa. Voltei-me para Edward.


- Ela dificilmente iria se esquecer de você tão rápido. – Edward comentou quando me aproximei.


Apenas sorri e comentei:


- Você chegou a tempo.


Ele me ignorou. Seus olhos suaves presos em meu rosto. Ele estendeu a mão para mim.


- Você é perfeita. – ele sussurrou em meu ouvido.


- É o vestido. – respondi.


- Não... tenho certeza que é você.


Ele beijou meu pescoço e se afastou rapidamente.


- Tenho que ir me vestir. Alice já está irritada o suficiente comigo.


- Sim... ela está. Você a deixou na mão hoje.


Ele riu.


- Só um pouco.


- Então fez de propósito?


Ele balançou a cabeça confirmando. Ouvi Alice bufar.


- Achei que ela fosse “ver”, mas aparentemente estava errado. Ela estava ocupada demais. Era o momento perfeito para ficar sozinho com você e eu não iria deixar passar.


- Bom... ela irá te perdoar... eventualmente. – disse, passando meus dedos em seus cabelos e o beijando rapidamente. – Agora vá, antes que as coisas fiquem pior para seu lado... e para o
meu.


- Volto logo. – Edward me garantiu, olhando-me dos pés a cabeça. O sorriso torto mais lindo mundo em seus lábios.


- Talvez passe a gostar mais de Halloween de agora em diante.


Depois de mais um beijo rápido, ele correu graciosamente floresta adentro.


Suspirei e voltei para a casa.


- Sinto muito. – falei somente para Alice, quando me encostei ao lado da escada, onde ela ainda organizava as flores.


- Está tudo bem, agora, pelo menos. Mas poderia não ter encontrado nenhum doce. E uma festa de Halloween sem doce não é uma festa.


- Eu sei, Alice. Sinto muito. De verdade.


- Não se preocupe...


- Acho que devemos ir. – Charlie a interrompeu. – Vai acabar ficando tarde demais para bater na porta dos outros.


As pessoas normalmente passavam a noite em claro nessa época, mas Charlie pareceu não se lembrar... ou se importar. Era como se ele estivesse se obrigando a fazer aquilo.


- Sim, vamos! – Renesmee havia ficado ainda mais animada com os planos de Charlie.


- Ham... pai...


Tínhamos que manter a aparência, então existia coisas que não podiam ser ditas em público. Os moradores de Forks não podiam saber que tinha uma filha. Apesar da história “pública”, não gostaria que o povo de Forks soubessem que Edward e eu a “adotamos”, daria muito o que falar.


- Já expliquei a ele. – Alice se adiantou. – Se alguém perguntar, ele saberá o que dizer. Nós vamos também, claro, mantendo distância... e tirando fotos. Estaremos de volta em uma hora.


- Oh, tudo certo, então.


Renesmee acenou antes de sair pela porta com Charlie e Jacob.


- Uma hora... por favor esteja decente quando voltarmos. – Emmett disse aparecendo do nada e gargalhando ao passar por mim.


Charlie franziu a testa com o comentário, mas seguiu com Renesmee.


Ele não tinha jeito. Caso perdido a dezenas de anos.


Todos se foram.


Sentei-me no sofá e contemplei o ambiente. Esse era um dos lugares que mais sentiria falta. Tanto aconteceu aqui. De uma forma diferente, considerava essa casa mais
um lar do que a de Charlie. Como um refúgio.


Claro... sabia que um dia – depois de muitos anos – nós voltaríamos.


Suspirei.


- Você está bem? – perguntou Edward, atrás de mim - não o ouvi se aproximar. Ele contornou o sofá e se sentou ao meu lado.


- Sim, só estava pensando. Como sempre. Não precisa ficar frustado ou preocupado, não era nada importante. – me apressei a dizer.


- Sempre fico frustado com isso, não há nada que possa fazer. – ele me disse e então seus olhos varreram o ambiente. Seus lábios franziram.


- Não ficou tão ruim. Não tem nenhuma caveira ou caixão pendurado em lugar nenhum. – expressei o que havia pensado antes.


Sua testa vincou.


- Isso seria de um mau gosto sem precedentes.


Eu ri. - Você está se comportando exatamente como eu. – disse, impressionada. Normalmente era de minha natureza fazer “bico” nesses momentos.


- Isso tinha que acontecer em algum dia. – ele disse.


Balancei a cabeça concordando.


Edward usava uma camisa social cinza, sem a gravata e uma calça social preta. A camisa estava por fora.


Afastei meu corpo, como para olhá-lo melhor.


- Ham... não foi isso que Alice escolheu para você – afirmei, ele estava bem despojado. - Mas ainda assim ficou perfeito.


Não que ele já não fosse perfeito.


- Obrigado. Estou me rebelando contra a “tirania”de Alice hoje. Ela ehavia escolhido um smoking. Acredita nisso? Como se hoje fosse alguma ocasião de
gala.


- Você gosta Smoking. – afirmei.


- Sim, mas hoje não requer um gravata borboleta.


- Não vejo porque não. Você fica lindo todo formal.


Ele riu.


- Agradeço novamente, Sra. Cullen. – ele respondeu muito formalmente.


Ficamos sozinhos por menos de quarenta minutos. Tempo o suficiente para me encantar com o som de suas novas composições.


- Espero que estejam decentes... criança entrando. – dessa vez foi Jacob quem brincou.


Estava encostada no piano enquanto Edward tocava para mim.


- Voltaram cedo. – comentei. Edward sorriu amplamente, seus olhos em Nessie.


- Concordo. – ele respondeu algum comentário feito mentalmente por ela.


Renesmee seguiu em nossa direção e sentou-se ao lado de Edward no piano.


- Humanos são estranhos. – ela sussurrou para Edward. Charlie ainda nem sequer havia entrado em casa.


- Aposto que Charlie odiou também. – comentei com ela, certa do que havia acontecido.


Essa era uma das épocas que a polícia mais recebia reclamações de jovens pertubando os moradores de Forks. Ele sempre teve muito trabalho nessas noites. Fiquei surpresa quando ele disse que não trabalharia.


- Ele odiou. – ela confirmou. – Ele não disse, mas sei que odiou.


- Como foi, Charlie? – perguntei quando ele entrou.


- Hum... bem, eu acho. – ele respondeu sem entusiasmo. Renesmee riu.


- Foi péssimo. – ela disse para olhando para ele e depois se virou para mim. – As pessoas corriam na rua, tentando assustar as outras com fantasias estranhas e
algumas casas tinha cada coisa feia na entrada. Papai estava certo. Halloween é
horrível. – Renesmee concluiu.


- Parabéns, Edward, espero que esteja satisfeito. Você conseguiu convertê-la. – disse Alice amargamente.


- Não sei quanto a “satisfeito”, mas estou um pouquinho feliz.


Ele sorriu para Renesmee que retribuiu.


Até mesmo Alice – a sempre empolgada Alice – pareceu esfriar um pouquinho depois que chegou.


Era como se todos tivessem esquecido do motivo de estarmos ali, vestidos em fantasias.


Rosalie e Emmett iniciaram uma conversa particular e esqueceram de todos. Alice e Jasper desapareceram sutilmente. Edward, Renesmee, Charlie e eu, iniciamos nosso
próprio tópico. Bom... diversos tópicos. Desde o problema no carro, até os horários
de estudo de Renesmee.


- Ainda não podemos matricula-la em uma escola. – disse Edward a ele.


- Estou tendo aulas com papai por enquanto.


- E quanto a você, Bella, não pretende ser uma das tutoras de Renesmee? – Charlie perguntou.


- Com quem você acha que ela aprendeu a ler tantos livros? – repondi.


Ele sorriu.


– Faz sentindo.


Levei Charlie para casa um pouco depois das onze.





A vida passa tão rápido. Especialmente quando se está tão feliz. Em meiados de novembro, Edward e eu levamos
Renesmee para conhecer a Space Needle em Seattle. Aquele dia foi muito
engraçado. Jacob também não conhecia o lugar e a forma
como ele e Renesmee se comportaram me fez lembrar em como me animava ao
conhecer novos lugares com Renée.


Como duas crianças. Claro, nos comportando assim apenas entre nós.


Edward parecia sentir a cada dia mais orgulho de Renesmee, especialmente com comportamento compreensivo dela em relação a Jacob.





Quando dezembro chegou, Renesmee havia crescido pouco mais de meio centimetro. Da forma que estava, Renesmee poderia alcançar a maturidade com a mesma quantidade
de tempo que Nahuel, mas também poderia acontecer antes ou depois.


Não havia um padrão em seu desenvolvimento.


Nessie começou a estudar. Em casa. Dessa vez oficialmente – com horários e tudo mais. Ela não queria esperar. E Edward não era mais seu único
professor. A cada dia ela aprendia uma coisa nova. Não precisavamos repetir, mas precisavamos ter argumento.
Muitas coisas eram questionadas.


A ligação entre pai e filha parecia ficar a cada dia mais forte. De todos, Edward era o favorito. Eles passavam horas juntos – ambos concentrados no assunto. Existiram dias que nem sequer saimos do chalé. Jacob passou a ficar
conosco lá.


Caçavamos regularmente. E a cozinha passou a ser um dos comodos mais visitados. Renesmee tinha um paladar mais exigente que Jacob.


Ela não comia qualquer coisa.


Edward passou a ceder um pouco mais aos apelos dos irmãos e passou a caçar com eles com mais freqüência.


Depois de tanto tempo vivendo com os Cullens e sendo uma, percebi que todos, apesar de serem incrivelmente apaixonados, tinham atividades diárias longe um do outro. Não eram
atividades longas, mas eles se separavam.


Edward e eu não éramos exatamente assim.


Quase tudo o que fazíamos, fazíamos juntos. Rara às vezes em que eu precisava sair – sozinha. Ainda eram poucas às vezes ele saía para caçar
com os irmãos. E eu com minhas irmãs.


Todos pareciam entender. Ninguém nunca questionou. Não em voz alta.


Alice e Rosalie gostavam muito de conversar sobre os meninos. Sentia-me em um verdadeiro clube da luluzinha.


- Bella, se dependesse exclusivamente de Edward, Renesmee iria para um convento. – Alice comentou uma tarde após caçarmos, o assunto mudava
tanto que as vezes me sentia perdida.


- Você o culpa por isso? – Rosalie disse secamente.


- Oh, pessoal, ele não é assim. – o defendi.


- Ele também não é exatamente mente aberta.


- Com relação a Nessie, eu também não sou. E imagino que nenhum de vocês será também. – completei.


- Oh, Bella, querida. Ele vai surtar quando Renesmee crescer, mais do que qualquer um de nós. Edward é tão superprotetor com ela quanto é
com você. – Alice completou. – Além do mais, ninguém pode prever a reação de um vampiro com uma filha biológica. – ela gargalhou baixinho.


- É questão de personalidade. Só não quero estar por perto quando ele começar a reclamar. – continuou Rose.


- Aham, como se você fosse ficar quieta também. – Alice acrescentou.


Rosalie não respondeu seu comentário.


Suspirei.


- Talvez fosse melhor afastar aquele cachorro fedorento dela...


- Não vamos fazer isso, Rosalie. – a interrompi.


- É só uma sugestão. – ela se defendeu.


- Essa sua birra com Jacob está ficando cansativa. – Alice foi quem falou.


- Perdão?


- Ele não é tão ruim assim. Você deveria dar um descanso a ele.


Alice o estava defendendo. Essa era nova. Sabia que ela gostava dele – até certo ponto. Mas vê-la fazendo isso era... estranho.


- Quer saber, esquece. – Rose dispensou o assunto.


- Já acabamos por aqui, talvez devêssemos voltar e ir fazer compras.


- De novo? Alice, eu tenho dezenas de roupas que nunca usei ainda.


- Sim, mas os meninos não. E eles nunca saem para isso. Além de tudo, não precisamos comprar roupas, existem muitas outras coisas.


- Todos estariam perdido sem nós. – Rosalie completou.


- Oh, vamos, Bella. Anime-se. Não tem vontade de entrar em uma loja e comprar coisas para Edward? – ela cantou. – Quero dizer... você nunca
fez isso... com a gente.


- Verdade. – respondi. – Acho que se for para comprar para ele eu topo.


- Yay! Vamos, então.


E passamos o restante do dia seguindo os planos de Alice.


Eu era muito inocente? Realmente acreditei quando Alice – minha irmã, viciada em compras – disse que não compraria nada para mim? Ou para ela? Ou para Rosalie?


Bom... em uma coisa ele estava certa. Foi divertido entrar em uma loja e ver algo que era “a cara” de Edward e comprar.


E melhor ainda, foi ver como ele parecia satisfeito com um gesto tão simples.





Esme passou a ligar todos os dias.


A princípio ela achou que incomodaria, mas insisti que sentia falta dela e Renesmee também. As duas conversavam por horas.


Minha filha adorava fazer qualquer coisa, com qualquer um de nós. Até mesmo jogar. Algo que sempre que possível todos se reuniam para fazer – era uma forma divertida de se passar o tempo. Carlisle e Esme não estavam alí para completar o time, então –
dependendo do jogo - Renesmee e eu assumíamos essa função.


Claro... quando chegava a vez dela rebater, todos amaciavam a mão – não que fosse necessário. Inclusive Emmett. Isso a deixava irritada.


Surpreendi-me ao perceber que gostava – um pouco - de jogar basebal. Bom... como vampira tudo era mais divertido.





Não havia muito o que organizar para o Natal e Alice não colocaria as mãos nessa data.


Percebi um pouquinho tarde que nunca havia preparado um jantar de Natal em toda minha vida.


- Hum... nunca preparei um Peru antes. – comentei enquanto lia um livro de receitas incrementado que havia comprado a uns dias atrás. – Acho
melhor encomendar um e não correr riscos.


- Você consegue fazer. Seria mais fácil se me deixasse ajudar. – Edward disse. Ele játinha oferecido para cuidar do jantar dezenas de vezes.
Expliquei que queria fazer isso sozinha, então ele passava seu
tempo quase todo na cozinha comigo – Nessie e Jacob eram minhas cobaias. Às
vezes nem mesmo Seth escapava.


Havíamos pulado o Dia de Ação de Graças, pelo menos como “comemoração especial”.


Há apenas uma semana do natal, decidi fazer um pequeno “jantar teste” com Jacob e Seth.


Era necessário, pois eu não tinha o senso apropriado de paladar – não mais. Sempre questionei o fato de Edward saber cozinhar tão bem. Já tentei fazê-lo admitir que esse era um talento adquirido
quando humano. Ele jurava que não.


- Espero que não esteja sem graça como da última vez. – comentou Jacob.


Ele havia experimentado o primeiro Peru recheado que tentei fazer. Aparentemente fui reprovada. Fiquei extremamente insegura e Edward garantiu que ele estava apenas
me provocando.


Não era difícil memorizar ingredientes, saber o tempo ideal de cozimento e qualquer outra tecnicalidade da cozinha, mas sempre tive problemas quando estava aprendendo como cozinhar um prato específico. Era por isso que os pratos que fazia para Charlie –
quando ainda morávamos juntos – eram simples e algo
em que tinha prática.


- Você comeu tudo, então não estava sem graça. – Renesmee apontou.


- Ok. – disse colocando a última grande travessa na mesa – o restante já estava posto.


– Ataquem.


E assim eles o fizeram. Renesmee assistia sorrindo.


A mesa estava do lado de fora do Chalé. Minha pequena casa de conto de fadas não parecia ter espaço o suficiente para meus amigos lobos.


Encostei-me em Edward - que estava sentado ao pé de uma árvore próxima, com um livro em mãos – esperando o veredicto.


- Se não der certo dessa vez, passo o bastão para você. – anunciei, observando os meninos devorando tudo. O fato deles estarem comendo não queria necessariamente dizer que estava bom.


- Deu certo da primeira vez e Seth parece estar gostando.


- Seth vai adorar qualquer coisa que qualquer um de nós fizermos. Ele é um garoto doce. – sussurrei para ele.


- Verdade.


Para minha alegria, tudo foi um sucesso.





Era o final de uma tarde de sexta feira. Faltava apenas dois dias do natal. Jacob, Nessie e eu, estávamos próximos a La Push – longe da rodovia - esperando por Charlie
que estava a pé de novo. Um de seus oficiais o deixou ali. Sua viatura parecia
ter atingido a data de vencimento e como nada funcionava da forma correta próximo aos grande feriados de final de ano, somente no início de Janeiro ele teria outra.


- Por que você não simplesmente encomenda o jantar? Você tem dinheiro para isso. Não precisa se incomodar em fazer. – Jacob perguntou, enquanto esperávamos por Charlie. Ele estava encostado casualmente contra
meu carro.


- Eu quero fazer. Nunca cozinhei refeições importantes antes. E essa é muito importante. E eu não tenho dinheiro para nada. Não trabalho.


- Bom... Não precisa se preocupar. Charlie vai gostar. E se seu marido tem dinheiro, você também tem. – ele disse.


Levantei os ombros dispensando esse trecho do assunto.


- Está antecipando que você não irá gostar? Estava tão ruim assim?– perguntei.


Jacob riu.


- Vou passar o natal com meu pai... E estava ótimo. Ainda não percebeu como adoro te encher a paciência?


- Oh! Estava contando com você. Podia ter me avisa isso antes.


- Não disse nada porque vou aparecer mais tarde, sem dúvidas. - Ele piscou para Renesmee.


- Tudo bem, guardo metade da comida para você.


- Tem que ser mais da metade. – Renesmee complementou.


Ficamos em silêncio por um momento. Apenas ouvindo o som da brisa tocando asárvores. Isso até Jacob resolver mudar aquilo.


- Então... – ele começou.


- Então?...


- Está tudo pronto... para Hannover?


O assunto ela claramente doloroso para ele e mesmo tentando ele não conseguia esconder.


Renesmee apertou sua mão.


O olhei atentamente antes de responder.


- Sim... acho que sim.


- Oh! Qual é, Bells, você pode falar sobre o assunto comigo. – ele sentiu minha relutância.


- Bom, todas as vezes que achamos que tudo está pronto, algum outro detalhe de alguma coisa inacabada acaba aparecendo.


- Mas no geral...


- Estamos prontos.


- Isso é bom. – ele disse.


- Você vai me visitar. – Renesmee disse, tentando animá-lo. Ele entendeu como uma pergunta.


- Claro que vou.


- Eu vou vim te visitar também, certo mamãe? – acenti - Vai passar muito rápido. E eu tenho que estudar, então não ia poder ficar a tarde toda com você.


Ele sorriu para ela.


Renesmee tinha o coração enorme.


- Prontos para ir, crianças? - Charlie falou se aproximando.


- Prontas. Te vejo amanhã, Jake. – me despedi entrando no carro e ligando o motor.


Charlie pareceu captar atmosfera e quando deixamos La Push, ele perguntou:


- O que há de errado com ele?


- Jake está meio triste com a mudança e tudo mais.


- Vamos sentir falta de vocês. – ele disse baixinho. Sua voz pesada de emoção. Nessie agarrou seu pescoço. Ela estava no banco de trás.


- Eu sei. – murmurei.


- Falando nisso, onde está Edward? Achei que ele viria também.


- Oh, ele saiu... foi comprar algumas coisas. – respondi.


Edward e Jasper haviam saído a mais de duas horas, com a promessa de voltar portando surpresas.


- Presentes! - a voz de Renesmee ecoou no carro.


Deixei Charlie em casa e segui com Renesmee para Port Angeles. Nós estavamos matando tempo.


- O que quer comer? – perguntei após algumas horas de compras – compras de Renesmee.


- Mmmm...


Antes que ela pudesse responder, meu celular vibrou. Sorri ao reconhecer o número.


Nunca deixaria de me sentir como uma adolescente loucamente apaixonada. Ainda sorrindo, levei o telefone ao ouvido.


- Edward?


- Sorvete. – Renesmee respondeu antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, apontando para uma sorveteria.


- Você não gosta de sorvete. Só quer porque o da foto é rosa. – rebati. Ouvi Edward rindo no telefone. Ele esperou.


- É... tem o gosto estranho mesmo. – ela recordou fazendo careta a memória.


Gargalhei baixinho voltando minha atenção a ligação.


- Me desculpe. – disse. – Acabou de chegar?


- Sim. Onde estão?


- Port Angeles, já estamos indo para casa, ela já comprou tudo que precisava.


- Isso é bom. – ele falou.


- Não vamos demorar. – prometi.


- Não precisam se apressar por mim.


- Eu quero me apressar.


Ele riu.





Como Renesmee ainda não havia decidido o que jantar, a levei no mesmo restaurante italiano que jantei com Edward pela primeira vez - em minha quase desastrosa noite em Port
Angeles a mais de dois anos atras.


Contei a história a Nessia que se mostrou muito interessada. Até comeu o mesmo que eu, fazendo incessantes perguntas.


Ficamos mais uma hora na cidade e chegamos a Forks um pouco depois das nove da noite. Edward estava nos esperando na varanda.


Ele sorriu ao nos aproximarmos e levantou o dedo para mim, pedindo para que eu esperasse e seguiu para o lado do carona, onde Renesmee estava. Ele abriu a porta para ela.


- Obrigada, papai. – ela o agarrou pelo pescoço - algo que adorava fazer e tocou sua bochecha com uma das mãos.


Os olhos de Edward se suavizaram – ainda mais – e ele a abraçou forte.


- Senti sua falta também. Muito.


- Eu sei. – ela disse com simplicidade.


Naquele pequeno segundo, senti como se meu coração pudesse voltar a bater – essa sensação me acometia com
freqüência. A interação entre os dois era sempre tão
especial... tinha uma pequena impressão de que o
relacionamento já havia passado de paternal a
amizade.


Renesmee sorriu e desceu de seu colo e correu para dentro da casa.


Seus olhos a seguiram por um instante e se voltaram a mim.


Ele foi até minha porta, a abriu e passou um dos braços por minha cintura, me levantando antes mesmo que pudesse fazer o movimento.


Um pequeno sorriso – tão lindo, que poderia fazer meu coração saltar pela boca – apareceu instantes antes de seus lábios
tocarem os meus. Foi um beijo lento, suave mais crescente. Ele me colocou no chão sem interromper o beijo e seus dedos se entrelaçaram em
minhas costas, me prendendo a ele. Me empolguei – como sempre fazia e passei
meus braços ao redor de seu pescoço.


Ele riu em meu ouvido antes de dizer,


- Oi.


Não respondi, apenas o beijei novamente.


Não era necessário dizer o quanto senti sua falta, meus atos estavam fazendo isso. Sabia que ele sentia o mesmo.


Ele afastou seus lábios dos meus e me olhou em silêncio com aquele pequeno sorriso por vários minutos.


- Quero te dar uma coisa...


- Mmmm?


- Um presente.


- Não vai esperar pelo natal?


- Seu presente de natal está guardado a sete chaves. É outra coisa.


- Você nunca vai parar com isso, vai? Com os presentes? – encostei na porta do carro.


- Não, é das infinitas vantagens de ser casado, posso comprar tudo o que quero para você. O correto seria dizer “eu posso comprar tudo o que você quer”, mas você nunca parece querer nada.


- Já tenho tudo que preciso.


- Fico muito feliz por pensar assim. E... bom, não é bem um presente, é mais uma “lembrancinha”.


- Oh! Então meu presente foi rebaixado a “lembrancinha”?


Ele riu alto e pegou alguma coisa no bolso de trás de seu jeans.


- Você é uma mulher complexa, Isabella Cullen. – Edward murmurou e prendeu no lado esquerdo de meu vestido, um pequeno broche de metal. – Eu não comprei, juro. É sómais uma das coisas que pertenceu a minha mãe.


- Oh.


- Estava organizando tudo para levarmos conosco - não quero despachar as coisas que foram dela e me deparei com isso. Imaginei como ficaria lindo em você... e
acertei em cheio. Impressionante.


O pequeno apetrecho tinha o formato de uma rosa. Tão delicado e simples – ainda assim lindo – parecia um daqueles pequenos broches que se via
em atrizes de filmes antigos.


- Obrigada. – eu disse, realmente agradecida. Significava muito para mim quando ele me presenteava com algo que já pertenceu a sua mãe.


- Por nada.


- Sabe de uma coisa, esse pode ser meu presente de natal, eu amei, não precisa me dar mais nada.


- Aham, porque é assim que as coisas funcionam. – ele disse sarcasticamente, colocando apenas um braço em minha cintura
e me conduzindo para dentro da casa.


Estava tão atenta a ele que ignorei os barulhos que viam de dentro. Emmett e Jasper estavam concetrados em um jogo de basquete na televisão. Às vezes, eles faziam sons de desaprovação devido alguma jogada.


Renesmee estava com Rosalie e Alice na frente do computador.


Rose, quando me viu, sinalizou para que me juntasse a elas.


Ficamos até bem tarde na casa. Após passar alguns minutos com minhas irmãs, juntei-me a Edward. Jogamos duas partidas de xadrez, ele
venceu a primeira e eu a segunda – ou ele me deixou vencer, não tinha como saber. Era péssima nesse jogo, mesmo com toda
nova facilidade de raciocinar. Teria que treinar. Edward parecia gostar –
muito.


Carlisle havia ligado e falado com ele um pouco antes de chegarmos de Port Angeles. Aparentemente tudo estava bem, mas Carlisle precisava de Edward para ter
certeza.


Edward sempre funcionou com um “espião” nos locais onde seu pai começava a trabalhar.


Esme, como sempre, estava morta de saudades de todos. Só podia imaginar como tudo estava sendo difícil para ela. Carlisle
trabalhava quase toda a noite.


Bom... ao menos em duas semanas estáriamos partindo e eu poderia matar minhas saudades.


Por algum motivo, havia esquecido completamente da decoração básica de natal, mas Edward não.


Para minha grande surpresa e para a alegria de Renesmee, ele havia colocado umaárvore de natal em nosso pequeno jardim e uma pequena em nossa sala.


Havia planejado colocar uma mesa de jantar do lado de fora, mas isso foi até saber que Jacob não jantaria conosco. Além do mais, Alice preveu que
começaria a nevar em breve.


- O interior foi trabalho de Alice e Rosalie. Não se preocupe, eu supervisionei. – ele disse seriamente.


- Não acredito que esqueci de tudo isso.


Natal era uma época importante para Charlie. Ele sempre colocava uma árvore na sala, nunca completando sua decoração. Ele desistia antes de chegar à metade.


- Não se preocupe. Eu não esqueci e seu natal vai ser perfeito. – ele disse.


Sempre celebrei a data com Renée, mas nunca entrei completamente no clima de final de ano. Tudo nosso era mais simples, uma pequena árvore –
com pouca decoração – e o fato de ficarmos
acordadas a noite quase toda, beliscando algum lanche e conversando. Mesmo após a chegada de Phil, a tradição
continuou. Ele apenas se juntou a nós.


Estava gostando do fato de que agora, poderia ter minha própria tradição, com meu Edward e minha Renesmee.


Senti um grande aperto no peito. Saudade. Ligaria para Renée no dia seguinte.


Aquela noite, não consegui deixar de pensar em minha mãe. Não consegui afastar o estranho sentimento de luto. Sentimento que achei que havia expulsado quando a vi em
setembro. Minha mente processava coisas sem meu consentimento e assim percebi
que as coisas nunca seriam da mesma forma. Não havia como mudar isso.


Dessa vez, acho que Edward não percebeu minha mudança de humor.


Ele era o mais afetado quando isso acontecia, as vezes muito mais do que eu mesma.





Passamos parte da manhã de véspera de Natal com Charlie. Partimos mais cedo, ele tinha feito planos com Billy.


Naquele dia, Edward e eu tomamos uma decisão inédita.


Deixamos Renesmee aos cuidados de Charlie – Jacob e Seth. Ela iria mais uma vez a La Push.


Não sei se havia como ela ficar mais feliz e surpresa.


Senti-me estranha, mas não podia prendê-la a mim para sempre. Além do mais, La Push era um dos lugares mais seguros para Renesmee.
Nenhuma outra criatura mítica cruzava as fronteiras
daquela terra.


- Isso é novo. – comentou Emmett quando voltamos para casa – apenas para deixar o carro. – E ela está com Charlie? – ele perguntou, sem nenhum tom de gozação em sua voz. Edward – que estava ao meu lado – sorriu
discretamente para seu irmão urso.


- Não precisa se preocupar – ele disse. – Ela está perfeitamente segura em La Push.


Emmett estava preocupada? Isso que era novo.


Ele franziu a testa e balançou a cabeça.


- Se está dizendo.


- O que está fazendo aqui, sozinho? – Edward perguntou a ele, pegando minha mão. Começamos a andar lentamente, seguindo para fora da
garagem. Emmett nos acompanhou.


- Só vim para pegar as coisas de Rosalie, e esperar por vocês, mas acho que não vão querer ir jogar nada agora.


- Passamos lá mais tarde. – Edward disse.


- Tudo bem. Vejo vocês mais tarde então.


De mãos dadas, começamos a andar sem rumo pelas redondezas em silêncio. Edward olhava para meu rosto de tempo em tempo. Às vezes seu olhar se perdia a nossa frente. Eu o vi pressionando os lábios várias vezes. Algo parecia estar incomodando.


Apenas agora me toquei, mas essa manhã, um pouco depois dele pegar o carro – para irmos até Charlie – percebi uma pontada de consternação em seu olhar. Não questionei na
hora, por que Renesmee estava ao nosso lado e depois ele pareceu completamente
normal, e por isso acabei deixando de lado.


Minha imaginação conseguia me levar longe, mas aparentemente dessa vez eu não imaginei.


De repente paramos. Bom... ele parou.


Eu esperei. Seus olhos presos em minha face. Edward não disse nada por vários minutos e consequentemente comecei a me sentir ansiosa.


Ele suspirou e se colocou a minha frente, sem soltar minha mão.


Ainda estava esperando...


- Bella... – ele respirou fundo. – Eu não queria fazer isso agora, queria poder esperar até depois... para depois do jantar de amanhã.


- Esperar pelo que, Edward? O que aconteceu? – minha voz era baixa.


- Bella... isso não pode continuar. Não podemos seguir sendo atormentados dessa forma...


- Atormentados?


Oh, não. Senti meu corpo paralisar.


- Não podemos dar tempo para que ele encontre alguma forma de se aproximar e ferir... – ele parou, fechou os olhos e respirou fundo. – Preciso ter você na mesma página que eu. Preciso que
entenda.


Senti uma onda de calafrio percorrer todo meu corpo.


- Ok, Edward, volta um pouco. De onde está vindo tudo isso? – perguntei, tentando manter minha voz sob controle. Sabia exatamente o que
tinha acontecido.


- Alice teve outra visão com Abadir. – ele disse.


- Quando?


- Essa manhã.


- E o que ela viu?


Sua testa vincou e sua expressão se tornou furiosa.


- Ele havia decidido voltar, mas mudou de idéia... novamente.


Não disse nada por vários minutos. Meus olhos continuaram presos aos dele enquanto processava suas palavras “Não podemos dar tempo para que ele encontre alguma forma de se aproximar...” “Preciso ter você na mesma página que eu. Preciso que
entenda.” meus olhos se arregalaram em pânico.


- Não! – eu quase gritei.


- Bella...


- Você quer caça-lo?! Caça-lo de verdade? Como ir atrás dele?– perguntei, já sabendo a resposta.


- Sim. – Edward respondeu friamente. – E eu não quero fazer isso sem que você...


- Edward, não. – me afastei, soltando minha mão da dele, mas ele se aproximou novamente.


- Eu preciso que você esteja de acordo... – ele continuou dizendo, na mesma voz vazia de antes.


- Não estou. – me apressei em dizer. – Se ele aparecer aqui... eu entendo, mas sem caça. Sem ir atrás dele.


- As coisas não podem continuar da forma que estão. Não podemos... não posso dar tempo e espaço para ele... – ele parou. Seus olhos estavam presos aos meus de forma tão intensa que tive
problemas para organizar meus pensamentos.


- Não. – disse novamente, como um sussurro.


- Como disse, não quero fazer isso sem que você esteja de acordo, você precisa estar por dentro... de uma forma.


- De uma forma?


- É minha responsabilidade, vou sozinho.


Pelo seu tom, ele já sabia minha resposta.


- Não!


- De novo... não vou dar tempo para que ele pense em alguma forma de machucar você ou Renesmee. Isso não vai acontecer, Bella. Você
sabe muito bem que a sua segurança vem antes de tudo. A sua e de Renesmee.


De repente seu rosto pareceu torturado e sua voz baixa.


– Eu realmente gostaria que você entendesse, mas se isso não acontecer...


Ele estava determinado e estava certo. Mas eu não conseguia nem sequer imaginar, Edward saindo em uma expedição de
caça... a Abadir e principalmente... comigo ficando para trás.


- Eu vou com você. – disse.


- Não a quero perto dele.


- Eu vou com você. – disse novamente.


- Bella – Ele fechou os olhos e respirou fundo, tentando se recompor. Ele estava irritado. Dessa vez provavelmente comigo.


– Conversamos sobre os detalhes depois.


- Você não vai sozinho.


- Como disse, conversamos sobre os detalhes depois.


Ficamos nos encarando por alguns segundos. Ele quebrou o silêncio.


- Não precisamos continuar essa conversa agora, só queria que soubesse, porque você iria que algo estava errado de qualquer maneira e ficaria incomodada com incerteza. Então achei melhor falar, do que deixa-la imaginando coisas. Prometi nunca mais deixa-la fora de nada e vou comprir minha promessa. Além do
mais, não posso fazer nada sem saber onde ele está e no momento Alice não sabe dizer.


Respirei fundo.


- Nós vamos conversar sobre isso de novo.


- Eu sei.


- E em breve.


- Não vou fazer nada sem falar com você antes. Prometo.


Ele pareceu sincero, mas isso não me deixou mais tranquila.


Odiava admitir, mas ele estava certo. Dar tempo a Abadir não era bom. Ir atrás dele também não parecia uma idéia maravilhosa.


Seguimos para a fronteira no horário combinado para pegar Renesmee. Não estava em clima para conversar e o caminho – de ida e de
volta – foi bem silêncioso. Edward comentou uma coisa e outra, mas só isso.


Renesmee estava morta de exaustão e já havia apagado no colo de Charlie. Ele beijou sua testa ao se despedir dela, e seguiu para dentro de sua casa com um “vejo vocês amanhã”. Edward acelerou seu volvo pela estrada e em alguns
minutos estávamos em casa - que ainda estava vazia.


- Eles só devem voltar amanhã. – Edward comentou enquanto seguíamos para o chalé.


- Quer ir? – perguntei. – Nessie consegue dormir bem em qualquer lugar.


Ele sorriu para mim.


- Amanhã é natal e se nós quisermos fazer da data uma tradição, seria interessante para ela acordar em sua própria cama.


- Você sabe que se quiser ir, você pode, certo? Eu posso ficar com Nessie e ler um pouco...


- Eu sei que posso. – Edward respondeu com um pequeno sorriso. Ele parecia estar se divertindo.


- Não foi isso que quis dizer. Só estou tentando exicar que não vejo problemas em ficar sozinha por algumas horas.


- Eu tenho problemas com você ficando sozinha por algumas horas. Além do mais, não vai ser nem um pouco divertido se não estiver lá.


Eu ri. Ele não tinha jeito. E eu adorava isso.


Fiquei feliz em perceber que o clima não havia ficado pesado entre Edward e eu por muito tempo.


O que ficou comprovado durante a noite. Ele fez questão de me dizer – e provar, diversas vezes – em como ele preferia estar ali comigo.


Confiava nele e sabia que realmente falaria comigo antes de seguir adiante com aquele plano ridículo.


A manhã veio acompanhada do sentimento de adeus. Não de meu pai, mas de meu “lar”.


Estava deitada ao lado de Edward em nossa cama, olhando para o teto enquanto contemplava o fato de que em breve teria que deixar meu pequeno chalé.
Encontrava conforto no fato de que qualquer que seja o local, desde que Edward
e Renesmee estivessem comigo, eu estaria em casa.


- Em que está pensando? – ele sussurrou em meu ouvido.


Sorri. – Você não consegue evitar, consegue?


Não o respondi... não verbalmente.


Sem fazer nenhum tipo de joguinho, empurrei meu escudo e deixei meus pensamentos a seu alcance. Era difícil voltar a pensar
“normalmente” quando eu sabia que ele estava escutando tudo.


Edward riu, mas não disse nada, apenas encostou seu rosto no meu... escutando e ficou assim por um longo tempo. Ele se moveu apenas quando Renesmee fez menção em acordar, dando-me um beijo gentil e dizendo
“obrigado”.


Eu tinha muito o que fazer, coisas para preparar.


- Que horas vovô vai chegar? – Nessie perguntou – pulando em um banco - enquanto eu preparava o jantar na casa principal – que ainda estava vazia.


- Mmmm... depois das três, vamos ter que ir buscá-lo.


Às vezes eu olhava ao meu redor e mal podia acreditar no que via – a cena mais familiar que poderia existir, além também da mais improvável... em meu
caso. Tinha quase cem porcento de certeza que Edward estava gostando de estar
ali mais do que qualquer coisa.


Ele era tão tradicional, então esse tradicional ambiente o agradou.


A “mãe” cozinhando o jantar de natal para o restante da família. Cercada pela família.


Havia uma animada música tocando ao fundo – escolha de Edward – eu estava cozinhando, com Renesmee– que por várias vezes
beslicava algo e sorria como se tivesse feito alguma coisa errada – e meu
marido, que insistia em querer ajudar, mesmo sabendo que eu não aceitaria.


Assim como Nessie, ele estava sentado em um dos bancos da bancada central...


- Para essa cena ficar “perfeita” como nos filmes e nas tradicionais famílias americanas, você deveria estar na sala, assistindo um jogo de futebol e não
oferecendo ajuda o tempo todo. – disse a ele, que apenas sorriu.


- Você já experimentou comer? – Nessie perguntou do nada. Não sabia se ela estava falando comigo ou Edward, mas foi ele quem respondeu.


- Algumas vezes. Uma delas quando sua mãe pediu.


- Hey... eu nunca pedi para você comer, só perguntei o que faria se alguém te desafiasse.


- Bom... estava tentando te impressionar. E também me senti desafiado.


Nessie riu. – Como era o gosto? – ela perguntou.


Ele apenas fez careta.


- Mamãe? O que você faria se alguém te desafiasse a comer comida? – ela perguntou e gargalhou baixinho.


Olhei para eles – até um momento atrás estava conversando sem tirar os olhos do que estava fazendo. Aquela era a exata pergunta que eu havia feito
a ele.


- Muito sutil, Edward. – comentei.


- Não disse nada. Eu disse alguma coisa, Renesmee?


- Não, nem uma palavra. – ela respondeu a ele e se virou para mim. – Você não me respondeu.


Revirei meus olhos.


- Eu não sei. Certamente não iria comer se fosse desafiada por vocês.


Terminei mais rápido do que havia previsto e para passar o tempo até tudo terminar de assar, Edward colocou um filme e nós três no
acomodamos em frente à grande televisão da sala – Nessie
entre nós.


Quando a hora chegou, juntamos tudo que precisávamos e seguimos para o chalé. O restante da família ainda não havia retornado e talvez só o fariam
mais tarde... ou mesmo amanhã.


Tudo estava preparado. E sorri ao olhar para a simples – mais clássica – árvore de natal em nossa sala – a que estava no jardim da frente, agora estava decorada com pequenos flocos de
neve.


Edward mais uma vez se ofereceu para pegar meu pai e não deixou espaço para que eu recusasse. Nessie o acompanhou.


Um pouco mais tarde todos estavam no chalé – Edward, Renesmee, Charlie e eu. Emmett e Jasper haviam improvisado um caminho para que atravessar o rio fosse desnecessário. Agora, um carro poderia chegar ao chalé. Claro,
ninguém conseguiria fazer isso sem seguir instruções.


Nessie chegou usando um colar de prata – simples, porém muito delicado que Charlie deu para ela.


- Não precisava fazer isso, pai. – disse a ele, e recebi um exatamente igual. Como um conjunto.


- Obrigado. – minha voz estava cheia de emoção, o que o deixou desconcertado.


- Sem problema, Bells.


- Venha vovô, vou te mostrar meu quarto. – Renesmee cantou, puxando-o pela mão.


- Mais devagar, Nessie. Não tenho a sua energia.


- Obrigado por pega-lo. – disse a Edward. – Só em Forks para não se ter um carro reserva para o delegado.


- Sempre que precisar, mas você sabe disso.


Foi uma tarde comum e confortável. Charlie nunca havia questionado o fato de Edward e eu nunca comermos em sua presença. Ele entendia
que certas coisas deveriam permanecer em segredo.


Não trocamos presentes tradicionalmente – fizemos da nossa forma. Edward – que não conseguia evitar – me deu mais uma jóia incrivelmente trabalhada – nada simples como a de
Charlie – mais um colar de ouro branco coberto de diamantes. O que me fez
pensar nas pedras que já possuía e encolhi ao perceber a quantidade de dinheiro que eles
valiam.


Edward pareceu ter gostado muito do relógio que eu havia encontrado para ele.


Pertenceu a um general americano até meados de 1917. Clássico e elegante. Assim como ele.


- É incrível. Obrigado. Onde conseguiu? – ele perguntou abrindo o pequeno relógio de bolso.


- Tenho meus contatos.


- Isso é raro, Bella.


- Eu sei. – disse me sentindo orgulhosa.


Não foi tão difícil assim encontrar. Eu devo ter dado sorte.


Naquele dia, havia o proibido expressamente de comprar para mim qualquer outro tipo de presente em qualquer momento que não fosse nosso
aniversário. Ele tentou argumentar, mas no final concordou.





Quando retornei ao chalé – tinha ido levar Charlie em casa – Jacob estava lá – esperando por mim - com Renesmee e Edward. Seu grande sorriso era acolhedor e como uma
resposta automática, sorri de volta.


- Feliz Natal, Bella. – e ele me abraçou sem exitar.


- Feliz Natal para você também, Jake.


Ele me entregou uma caixinha de madeira com um pequeno laço em cima. Os olhinhos de Renesmee estavam brilhando de expectativa. Suas mãos juntas
e os dedos entrelaçados.


- Oh, Jake, sério, não precisa me dar nada.


Ele revirou os olhos para mim. – Só abra, ok, Bells.


Suspirei – e sorrindo – abri a pequena caixa de madeira.


- Jake... é lindo.


E era. Renesmee, Edward, Jacob – Lobo - e eu, desenhados em um pequeno quadro de madeira.


- Achei melhor me colocar assim, é bem mais fácil de explicar, você sabe, o lobo, ao invés de justificar o que um garoto estranho está fazendo em uma imagem tão especial e
familiar.


Franzi minha testa em desgosto. Jacob era família e não nosso animal de estimação.


- Jake, você é família, isso é fácil de se explicar.


- Obrigado, Bells.


- E eu quero outro desse, com você, da forma original.


Ele sorriu ainda mais e bateu continência.


- Sim, Senhora.


Renesmee pegou o pequeno quadro de minha mão.


- Vou sentir falta de vocês. – ele murmurou.


- Hey... não estamos indo ainda.


- Mas está perto.


- Sim... está perto. Jake... se for difícil demais para você...


- Eu sei, eu sei. Sou bem vindo.


- Você é. Sempre.


- Muito bem vindo. – Renesmee completou pegando sua mão.


Ficamos em silêncio por um momento. Ví os lábios de Edward esboçarem um pequeno sorriso e Jacob olhou para ele e para Renesmee – que quebrou o silêncio.


- Venha Jake, quero te mostrar o presente do vovô.


- Abaixe a cabeça, ainda preciso da casa inteira por mais alguns dias.


E eles desapareceram dentro do pequeno chalé.


Sério, Jacob parecia não caber dentro de minha casa.


Suspirei. Não queria deixa-lo para trás, mesmo por pouco tempo.


- Ele vai ficar bem. – Edward disse passando os braços ao redor de minha cintura e apoiando o queixo em meu ombro.


- Eu não sei. É algo muito novo.


- Ele sabe que nossas portas estarão abertas a ele. E Rachel tem passado mais tempo com Billy.


- Ele falou com ela? – perguntei.


- Não, mais Seth falou com Paul que falou com ela.


- Oh... isso é muito bom.


Me virei para ficar frente a frente com meu anjo.


– O que ele estava pensando agorinha? Foi algo que o fez sorrir.


E ele sorriu novamente com a lembrança.


- Ele estava me agradecendo... por cuidar de vocês. Aparentemente vocês só podem se afastar dele sob minha supervisão...


- Legal... como se eu não soubesse me cuidar.


- Você não sabe como universitários podem ser... desrespeitosos.


- Homens? E quanto às mulheres? Só por que não vou escutar o que elas irão pensar – sobre você - não quer dizer que eu não saiba. Você provoca
uma reação bem peculiar no público feminino. E
não adianta fingir que não sabe do que
estou falando.


Ele riu e me beijou por um longo momento.


- Feliz Natal. – Edward murmurou contra a pele de minha mandíbula.


- Um natal muito, mas muito feliz. – respondi.


- Você tem muitos desses por vir.


- Nós temos.


Ele segurou seu olhar no meu – seus olhos convidativos e cheios de algo mais que não consegui identificar.


- Acho nosso objetivo foi alcançado. Quase um ano se passou e nossa família estáintacta.


Suspirei. Quase um ano.


- Não tinha muita esperança na época. – começamos a andar bem lentamente em direção ao chalé.


- Nenhum de nós tinha muitas esperanças. Mas aqui estamos...


- Sim... aqui estamos.


- E como um futuro muito promissor.


- E incerto.


Ele entendeu o que quis dizer. Ele também acreditava que um dia os Volturi tentarão nos separar. Era uma questão de orgulho ferido e Aro nunca me pareceu o tipo de pessoa que consegue viver com
algo do tipo.


- Existem coisas que são certas na vida... - ele tocou meus lábios com o dedo e sorriu.


- Sim... você está certo, como sempre. – concordei.





Edward








Olhei para o relógio mais uma vez. Perdi a conta de quantas vezes meus olhos se voltaram para os ponteiros – que pareciam se mover lentamente e de propósito
para me irritar. Havia esquecido completamente como era ficar sozinho – o
restante da família havia partido pela manhã para Hannover e Bella estava com Renesmee na casa de
Charlie. Queria lhe dar privacidade – mesmo ela tendo garantido que não era necessário. Charlie
ficaria mais uma semana em Forks e depois seguiria para New Hampshire – férias
com a neta.


Sentado em meu Grand Piano, brincando com as teclas – para passar o tempo e porque era a única coisa da sala que não estava coberto por lençóis brancos – comecei a imaginar como seria essa nova etapa.
Sorri ao entender porque meus irmãos nunca
protestaram quando chegava o momento de nos mudarmos – eles tinham seus
parceiros, pessoas que os completavam – e começar algo desconhecido, mesmo esse
algo sendo simples, era excitante.


Uma nova vida, uma vida ainda mais feliz.


O som familiar do motor do carro de Bella, chegou ao meu ouvido rapidamente – provavelmente porque estava esperando ansiosamente para ouvi-lo – e aquilo me
fez sorrir e murmurar “ótimo”. Um dia é tempo demais para um homem ficar
afastado de tudo aquilo que mais ama.


Desci até a garagem para recepcioná-las. Nessie já estava dormindo – podia ouvir seus sonhos incoerentes e nada mais.


Sorri para mim mesmo ao perceber como sempre me sentia frustrado com algo o qual já deveria ter me acostumado.


Aprendi a apreciar o silêncio da mente de Bella - de certa maneira – o que não impedia o antigo sentimento de emergir sempre que minha mente se voltava ao assunto.


Seu sorriso era acolhedor e perfeito. A forma como seus lábios – rosados devido à recente caça – constratavam com sua pele perolada era encantador.


Nunca iria vencer a ansiedade que tomava conta de mim toda vez que ela se afastava e que sempre tentei não demonstrar.


Assim que o carro entrou na garagem, me apressei para abrir sua porta e pegar sua mão.


Perfeição, beleza, amor, atração, orgulho, felicidade... todas essas palavras se entrelaçavam formando apenas uma: Isabella.


Senti como se meu coração tivesse ganhado vida.


Incrível a freqüência com que isso acontecia.


Bom... “ganhado vida” não era necessariamente a forma correta de explicar.


Mais vivo – essa era a expressão ideal. Porque desde que Bella entrou em minha vida me sinto mais vivo, mas humano e era impossível voltar atrás, ser o mesmo
Edward da era “pré-Bella”.


E como sempre, me peguei viajando ao seu redor, filosofando sobre a vida e sobre o amor. Essa era outra coisa que acontecia muito.


- Bem vinda. – disse enquanto absorvia o mais doce e familiar dos perfumes. – Como está Charlie?


- Ele está bem, tentando evitar demonstrar qualquer sinal de emoção.


Charlie era um homem forte.


Renesmee se moveu lentamente no colo de Bella e seus olhos se abriram lentamente. Ela olhou preguiçosamente ao redor e abriu os braços para mim.








Retirei os cabelos molhados de seu rosto para que a luz da lua iluminasse sua pele. Pequenos pontos de luz realçaram sua beleza.


- Mal posso acreditar que não usamos esse rio com mais freqüência. – Bella comentou. Meus olhos presos nela. Estávamos um pouco afastados da casa, em águas mais profundas. Ela estava quase soldada a mim, seus
braços entrelaçados em meu pescoço e os meus em sua cintura.


- Existem outros rios. Mas você está certa... deveríamos ter feito isso mais vezes.


Tinha que concordar. Era incrivelmente satisfatório estar aqui com ela.


Seria isso porque partiríamos na primeira hora da manhã?


Ou somente por ela?


Sorri ao imaginar a resposta e puxei seu rosto para o meu.


Paraíso. Um mundo de sensações só para mim.


Nunca havia sido tão grato por não precisar dormir.


Como o sol já podia estar se levantando? Não acabamos de chegar aqui?


Suspirei.


– O que você faz comigo? – a provoquei. – De verdade, não estamos aqui a mais de dez horas. Isso seria impossível.


- Dez horas e meia, na verdade.


- Impossível. – repeti.


Nós tínhamos que partir. Partir de verdade. Senti uma estranha onda de Angústia.


- Viu... você vai sentir falta daqui também. – ela leu em meus olhos.


Como não sentir falta do lugar que mudou minha vida? O lugar onde encontrei minha felicidade eterna.


Lembrei da época em que decidimos voltar para Forks. Tentamos ficar em Denali, mas estávamos em número muito grande e não queríamos levantar nenhuma espécie de suspeita, então, tomamos uma decisão em família.


Tédio não fazia mais parte de minha vida há algum tempo.


Às vezes precisava travar meus lábios para impedir que palavras que eram perigosamente piegas saíssem. Era como se fosse impossível não me abrir com ela.


Queria dizer como minha vida era voltada a ela e Renesmee, somente elas. Queria dizer o quanto me sentia ansioso quando ela precisava se afastar – seja por desejo de
Alice ou mesmo para ver o pai. Queria dizer como minha mente – com muita
dificuldade – não conseguia se concentrar em qualquer outra coisa além de seus
traços encantadores, como era difícil sentar com
minha família e ignorar o desejo que sentia, como esperava
ansiosamente pelos momentos onde poderia ficar sozinho com elas e quando
ficava, o quanto era gratificante rir das perguntas e comentários de Renesmee, colocá-la na cama e
observar – sozinhos - o milagre diante de mim.


Realmente gostaria de dizer tudo isso a ela – o que seria normal, se essa vontade de me abrir não acontecesse o tempo todo.


Sempre expressei meus sentimentos por Bella, sabia que a agradava, mas no momento, dizer tudo o que sentia parecia inapropriado, no sentido de que a prenderia mais a
mim. Mesmo agora – com a eternidade diante de nós - queria
que ela aproveitasse as oportunidades do momento, que não deixasse de fazer coisas por minha causa. Minha presença
apenas somaria.


Tudo isso não era tão difícil de fazer. De vez em quando verbalizava meus sentimentos mais profundos, mas na maioria das
vezes não era necessário usar tantas
palavras, três das mais simples resumiam todos eles.


- Eu te amo.


COMENTEM...

Bom meninas, é isso aí.
Foi muito bom enquanto durou - acho que estou em fase de negação - ainda não aceito que esse cap foi o final, mesmo sendo - tecnicamente.
Agradeço de coraçõe todas vocês que acompanharam a história e comentaram, agradeço aquelas que não comentaram também... é muito bom saber que a história foi tão bem aceita por todas vocês.
Valeu mesmo por acompanharem... de coração.

12 de dez. de 2010

Capitulo 32

Posted by sandry costa On 12/12/2010





Amigos, família e inimigos


Edward





Todos estavam olhando para nós. Não era algo nada novo, acontecia o tempo todo.


O hall do luxuoso prédio comercial no centro de Seattle, não estava cheio. Apenas quatro pessoas, fora os funcionários do local. A sala de Jason Jenks ficava no décimo segundo andar. Há muitos anos Jasper utilizava seus serviços em prol da discrição de nossa família.


A reação do pequeno e redondo advogado ao nos avistar era comum. O choque e o medo foram os sentimentos que predominavam. Com muito esforço, ele conseguiu nos cumprimentar.


- Sra. Cullen, como vai? – sua voz tremia, sua mão suava.


- Estou bem e, por favor, me chame de Bella. Meu marido, Edward. – ela disse gesticulando para mim e fazendo os pensamentos de J. perderem o rumo mais uma vez. Ele estava tentando muito se manter coerente quando se virou para mim.


... sim O marido. Intimidador.


- Sr. Cullen, é bom finalmente conhece-lo.


... ele é tão assustador quanto o irmão. O que me faz imaginar se todas as mulheres Cullens são gentis... e atraentes como Bella.


Eu quase sorri.


Não. Elas não eram.


Todos de nossa família estavam acostumados a ignorarem humanos, acostumados a assustá-los. A atração era apenas uma coisa momentânea e inicial. O automático instinto de proteção subconsciente – normalmente – se sobressaia e eles se afastavam. Nos admirando de uma certa distância e depois ignorando nossa presença.


J. era pura admiração e medo. Admiração por Bella e medo de mim.


Interessante.


Ela não os assustava. Provavelmente porque não estava tentando.


Sempre com um sorriso gentil nos lábios. Com certeza tentando fazer o estranho humano se sentir menos desconfortável possível.


Comecei a imaginar como isso iria transcorrer em Dartmouth. Bella já naturalmente atraia demais os olhares masculinos – mesmo quando humana – agora seria pior.


Não respondi o homem apavorado a minha frente, apenas balancei a cabeça. Não iria tornar a vida dele fácil. Seus pensamentos estavam perigosamente seguindo um
rumo desagradável.


... intimidador. Concentre-se, você tem um trabalho a fazer. – Ordenou ele em pensamento.


- O que posso fazer por vocês? – perguntou ele, apontando para as cadeiras a frente de sua mesa.


Tomamos nossos lugares.


Expliquei o que queríamos, ele escutou, tentando prestar atenção em mim. Tentando não perder o foco.


J. era talentoso, sem dúvidas. E até mesmo profissional em seus pensamentos... pelo menos na grande maioria das vezes.


- Outro documento para a Renesmee Carlie Cullen. – ele gaguejou um pouco.


- Exato. – ela respondeu.


Bella deu entrada em seus novos documentos legalmente. Trocando a foto e seu nome. Oúnico lugar onde ela não era oficialmente a Sra. Cullen.


- Ela se parece muito com o Sr. se me lembro corretamente. Uma menina linda. – ele disse honestamente.


- Ela é. Obrigado. – respondi, mantendo minha expressão séria.


E ela era. A cada dia mais. A princípio só conseguia ver Bella em nosso pequeno milagre, mas agora, aceitava com muito orgulho, que Renesmee se parecia muito comigo. Bella estava lá, nos pequenos traços, fazendo Renesmee ainda mais perfeita.


Ter uma filha sempre será algo completamente surreal para mim.


- Para quando precisa? – perguntou ele.


- Duas semanas. – disse.


- Mesmo lugar da última vez? – perguntou Bella em um tom conversacional. E claro, ele ouviu de outra forma. Ele estava deslumbrado.


Era engraçado observar seu comportamento.


- Ahhh... claro. – J. mal conseguiu dizer.


- Então o vemos em duas semanas. – falei me colocando de pé. Definitivamente estaria com Bella. Era divertido.


- Estarei lá, com seus papéis.


- Ótimo.


- Foi muito bom vê-la novamente, Bella e muito bom finalmente conhecê-lo, Sr. Cullen.


O homem estava tremendo e suando ainda mais quando deixamos seu escritório.


Eu ri quando entramos no elevador.


- Pare de rir. Ele foi gentil.


- Ele mal conseguia falar, Bella.


Ela riu também.


- Ok... foi engraçado.


- Sempre será engraçado. E eu gostei dele... um pouco. Ele quase não foi desrespeitoso. Quero dizer, existem coisas que são impossíveis de não pensar quando se coloca os olhos em você. Poderia ter sido muito pior.


Ela ofegou. Seus olhos se arregalaram, e sua boca se abriu levemente.


Era engraçado como ela se sentia envergonhada com isso. Eu só estava falando a verdade.


Bom... e me divertindo as suas custas também.


Antes de voltarmos para casa, paramos em um restaurante italiano e compramos comida para Nessie. Bella não se importava com o fato de Renesmee precisar de sangue. Eu por outro lado, achava que seria mais fácil para ela conviver com humanos, sendo mais humana.


Renesmee estava nos esperando na garagem com Jacob a tira colo.


Franzi minha testa ao vê-lo. Ainda precisava conversar com ele.


Mais tarde. Decidi.


- Vovó Renée ligou. – Renesmee anunciou quando desliguei o motor.


- Ligou? – Bella perguntou, retirando o celular do bolso e olhando. O telefone não havia tocado.


- Ela não tentou o celular e disse que liga mais tarde.


- Oh. Ok. – ela respondeu, um pouco desapontada.


- Eu falei com ela. – cantou Nessie, animada.


- Você falou? Sobre o que conversaram?


Ela soltou a mão de Jacob e se colocou entre Bella e eu, segurando as nossas.


- Tia Alice pediu para eu atender, quando o telefone tocou. – Renesmee começou a relatar. – E aí eu perguntei quem estava falando e com quem queria falar. Ela disse que era Renée e que queria falar com Bella.


Então, Renesmee olhou para mim. Estávamos seguindo em direção a sala.


- Quase falei que minha mamãe não estava em casa. Mas Alice me avisou a tempo. – ela se virou para Bella. – Me desculpe.


- Não se preocupe.


- Depois ela perguntou se Edward estava em casa.


Ela balançou a cabecinha negativamente, quando lembrou sua resposta. Edward não está em casa também. Ele saiu com Bella. – Era estranho para ela se referir aos pais pelo nome. Era estranho ouvir também. Estava tão acostumado com “mamãe e papai”.


- Você se saiu muito bem. – disse a ela.


- Sim, ela disse que queria me conhecer um dia. Eu quero conhecer ela também e que mamãe, ahn, Bella, fala muito sobre ela. Renée ficou feliz. E depois Alice tirou o telefone de minha mão.


- Onde está Alice? – Bella perguntou quando chegamos a sala.


- Estou aqui. – ela quicou escada a baixo radiante. Isso não era bom sinal.


- O que? – Bella aparentemente notou também.


Oh... não era bom... para Bella. Alice estava planejando outra comemoração. Uma que eu, particularmente, acho ridícula.


- Nada. Só estou planejando umas coisinhas. Não precisa me olhar assim.


- Alice... – comecei a dizer.


- Oh, por favor! Será ótimo, você vai ver. – Ela argumentou comigo.


- O que será ótimo? – Bella demandou já receosa.


- Uma festa. Halloween!


- Yay! – cantou Renesmee.


- Só será para nós. Temos uma criança na casa. Ela merece celebrar tudo.


- Tem certeza que temos apenas uma? – perguntei me referindo a ela.


Alice constantemente usava Renesmee como desculpa para seu comportamento festivo. A verdade era que independente de Nessie estar conosco ou não, Alice sempre seria Alice.


- Além do mais, nós nunca celebramos essa data e com Nessie aqui será perfeito! Especialmente para fotos.


- Nós nunca celebramos essa data, porque é ridícula. – falei e fui imediatamente ignorado.


- Você tira foto todos os dias. – rebateu Bella.


- Eu sei, mas nunca em uma fantasia.


- Oh, não, Alice! – Bella protestou.


- Oh, vamos lá! Será divertido.


- Você sempre diz a mesma coisa.


- E você sempre gosta.


- Eu quero. – cantou Renesmee. – Por favor, mamãe.


- Não vou usar nenhuma fantasia. – Bella disse.


- Isso é o que você acha. – falou Alice em um tom desafiador.


Bella bufou.


- Uhu! – comemorou Emmett descendo as escadas. – As coisas estão tão paradas ultimamente, que até as festas de Alice estão parecendo um grande marco.


Ela fez careta para ele.


- Vá incomodar outra pessoa. – eu disse a ela.


- Hey, sou útil também. Especialmente para você. Como ficaria sabendo que na Floresta Freemont de Oregon, eles estão tento problemas com uma superpopulação de leões da montanha? – sua voz tinha uma pitada de arrogância. Onisciência tende a fazer isso com as pessoas.


- Obrigado. – agradeci. Não encontrava um Leão da Montanha a várias semanas.


- Pensei que talvez, você e Bella queiram ir até lá.


Nem sequer precisei perguntar, Bella já estava sorrindo.


... pai, eu não posso ir. Preciso ficar com Jake. – Pensou Renesmee. Balancei a cabeça concordando. Ela já sabia sobre a luta interna de Jacob, eu já havia conversado com ela.


Ir conosco agora ou não ir. Ele não conseguia decidir. Entendia que Jacob estava lutando para tomar uma decisão. Por isso não ele ainda não havia falado nada com Bella ou comigo.


- Podemos ir amanhã. – disse a Bella, retornando ao presente. – Nessie pode ficar com Rosalie e Alice, não precisamos ficar mais de uma noite fora.


- Perfeito.


- Por nada. – falou Alice, me dando um beijo no rosto e dançando de volta para seu quarto.


Jacob a olhou partir... sua testa franzida. Ele se incomodava com sua elegância. Mas gostava dela.


Não poderia adiar minha conversa com Jacob e aproveitaria o fato de Renesmee estar dormindo para fazer.


Bella seguiu para o chalé com Nessie nos braços.


Suspirei ao recordar a reação de Rosalie ao saber da notícia. Ela não conseguiu esconder o sorriso.


Eu não estava me sentindo feliz.


Antes que ele pudesse se despedir, abordei o assunto.


Tentei explicar o que ví na mente de Billy no curto período que fiquei na pequena reserva. Jacob já sabia dos receios do pai, ele conseguia ler em seus olhos. Billy nunca chegou a pedir a ele para ficar.


Jacob não estava feliz ou satisfeito. Aquilo seria muito, mas muito difícil para ele. E para minha surpresa, foi difícil para mim também.


A dor que ele sentiu quando percebeu que deveria ficar que era sua obrigação ficar, foi tão grande que também senti.


Ele estava batalhando internamente com a idéia de deixar o pai.


Billy ficaria bem, todos da reserva cuidariam dele. Ele tentou justificar dessa maneira, tentou mentir para si mesmo.


Mas não... ninguém estaria com Billy para as pequenas coisas, talvez algo no meio da noite. E se ele se sentisse mal e por algum motivo não conseguisse pedir ajuda?


Todas as pequenas possibilidades passaram por sua cabeça.


Dizer não para Renesmee era algo quase impossível para ele.


Ela era toda sua vida agora.


Odiava isso e ao mesmo tempo era grato.


Um conflito de sentimentos.


Apesar de ter dito para mim mesmo dezenas de vezes – especialmente desde o imprinting - que não estava ali para fazer a vida de Jacob Black mais fácil, percebi que não era exatamente dessa forma que funcionava.


Queria ser a pessoa a conversar com ele, porque minha dívida com Jacob, seria eterna.





Ele fechou os olhos e sua testa vincou profundamente. Ele estava tentando achar algum sentido em minhas palavras.


Não foi difícil.


Simplesmente verbalizei o que já estava em sua mente, o que já sabia. Ele não encontrou palavras. Não conseguia falar.


Não o pedi para ficar ou o proíbi de nos acompanhar. Ele sabia do que se tratava e jásabia o que iria fazer. Tentar fazer.


- Eu sei que será difícil para você, mas ela estará segura. – tentei reassegura-lo.


Estávamos de frente ao chalé. Aquele dia poderia ter sido classificado como um dia perfeitamente normal – se não fosse pelo que estávamos conversando agora.


- Não falei com vocês sobre ir, porque sei que não devo, não agora. Mas... não sei se posso... ficar para trás. – ele disse. Era doloroso ouvi-lo. Seus pensamentos
estavam em todos os lugares.


Jacob estava preocupado com o pai. Sua saúde não era das melhores.


- Sim, você consegue. Você nunca será capaz de se perdoar se deixar Billy dessa forma. Ele precisa de você. – minha voz era baixa, a mantive assim durante toda a conversa.


- Eu sei. – ele gemeu.


- Você tem a força de vontade para isso, você já o fez antes... – ele olhou para mim, exasperado. – Você deixou sua matilha para proteger Bella, aquilo era algo impossível também. Mas você conseguiu, porque era a coisa certa a se fazer.


Jacob ficou em silêncio, tentando se convencer de que era possível ficar para trás. Ele não queria ser um exemplo ruim para Renesmee. Essa era outra questão em sua mente.


- Você sempre será bem vindo...


Ah... o conflito de sentimentos me invadiu novamente quando disse as palavras em voz alta, mas ignorei.


– Não estamos tirando ela de você e você não a está abandonando. Temos que ir, não podemos mais ficar aqui. Temos que permanecer...


- Eu sei! – ele quase rosnou. – Entendo tudo isso.


Bella se juntou a nós, colocando-se ao lado de Jacob e passando o braço por sua cintura amigavelmente, como se a voz de Jacob fosse um grito por consolo. Seu rosto também transparecia dor. Seu amigo estava sofrendo.


- Ela entende, Jake, e também sabe que é a coisa certa. Nós vamos pensar em uma maneira de fazer toda essa transação o mais fácil possível para você. – ela disse gentilmente.


- Humf! – ele bufou.


- Nós vamos. – ela insistiu.


- Bella... – ele quase gemeu.


- Converse com Rachel, ela tem que ajudar também. A responsabilidade não pode ficar só sobre você.


- Fácil falar.





Comprometemos-nos a fazer tudo para facilitar a vida dele e de Renesmee nessa questão. Não seria fácil para ela também.


Ele estava decidido. Ele iria ficar.


Por quanto tempo? Não havia como saber. Uma coisa era certa, Jacob iria tentar.


Tentar era a palavra chave.


Renesmee já imaginava que Jacob não iria com ela. Já havia adiantado – antes mesmo de conversar com ele - que provavelmente iria ficar com o pai. Senti-me muito feliz quando ela se colocou no lugar do amigo... imaginando como seria se algum dia por algum motivo ela tivesse que me deixar. Ela balançou a cabecinha e repetiu para si mesmo... que isso nunca iria acontecer.


- Arhg! Odeio isso. Ele parece tão triste. – Bella estava triste também.


- Eu sei, mas o que mais podemos fazer? A decisão é dele.


Odiava quando isso acontecia. Quando algo ao qual eu não tinha controle a afetava tanto.


- Ele provavelmente está perdendo noites de sono com tudo isso.


- Bella... Jacob ainda não sabe disso, mas eu tenho certeza que a decisão de ficar foi a certa. Sim, será difícil para ele, mas a curto prazo. Se algo vier a acontecer com Billy ou mesmo com alguém de sua matilha e mesmo que esse algo seja inevitável por sua presença ou não, ele se sentirá culpado. E essa culpa pode se arrastar por anos.


- Eu sei. Eu ainda assim odeio isso. Ele não filho único. Rachel podia dar uma mãozinha.


- Concordo. Mas Jacob não pede por ajuda. E ela está presa demais a nova vida, sendo um objeto de imprinting. – fiz careta.


- Ele assumiu a responsabilidade pelo pai. Sozinho.


- Exatamente. E até a uns meses atrás, ele gostava disso.





Havia diversos pequenos detalhes a se acertar, como quando partiríamos para Hannover, as aulas que faríamos na faculdade entre outras coisas. Detalhes que achei que teriam que esperar por mais alguns dias.


Ainda era madrugada quando Bella se desenrolou dos lençois e seguiu para o closet.


- O que está fazendo? - demandei.


- Só pegando os papéis... aqui – disse ela retornando para a cama e me entregando uma folha de papel trabalhada de Dartmouth. Era da lista de relações de cursos – aulas – que eles ofereciam. Nós ainda não tinhamos feito a nossa. Bom... EU não havia escolhido as minhas.


Ela se acomodou em meus braços novamente.


- Temos que enviar isso até amanhã. – Bella me informou.


Amanhã?


Havia esquecido completamente a data de reserva antecipada. Estava tão ocupado vivendo e sendo feliz em meu mundo particular fui deixando para depois... até que quase não existisse mais depois.


Brinquei com ela e até quase a chamei de “relapsa” por não ter dado atenção aos documentos de Dartmouth e no final das contas eu quem acabei para trás.


Isso era outra coisa nova. Nunca deixei nada para o último minuto.


- Esqueci de fazer a minha. – admiti.


- Notei. – ela riu. – Mas não tem fazer agora. Mais vamos ter que decidir isso antes de nossa viajem de caça.


- Você está certa, podemos terminar isso pela manhã... História do mundo moderno é um bom curso... – falei, interessado em suas escolhas. Bella tirou as folhas de papéis de minha mão.


- Como eu disse... não precisa fazer agora. Só mencionei isso agora porque fiquei com medo de esquecer de novo. Você continua me distraindo. – ela murmurou e se moveu para me beijar.


- Eu tenho sido vítima de suas distrações também. – sussurrei contra seus lábios. – Nunca deixei nada para o último minuto... até agora.


- Culpada. – ela admitiu rindo.


Seus beijos eram sempre tão cheios de amor e desejo que me deixavam completamente perdido... sempre querendo mais. Minha mente viajava ao seu redor. Conseguia - incrivelmente - me fazer esquecer sobre nosso pequeno acordo – ela prometeu ser mais boazinha com relação a seu escudo, sua mente. E isso era algo que estava sempre emminha mente. Então... quando Bella passou a cumprir o que havia prometido, ainda me pegou completamente desprevinido.


- Obrigado. – disse veemente contra a pele de seu ombro.


... sou uma mulher de palavra. – ela pensou.


- Nunca duvidei disso...


No dia em que fizemos o acordo, me enchi de expectativa... e nada. Ela queria me surpreender e eu não queria ser muito insistente...


Ela era boa... não, Bella era ótima em sua habilidade, mas tinha que ir bem devagar, para aproveitar cada segundo de sua mente. Mesmo sendo hábil, ela ainda não conseguia manter o escudo longe caso se distraísse demais.


Bella estava presa ao momento. A sensação de saber como meu toque era recebido, era indescritível.


O dobro de prazer.


A combinação do perfume, da pele aveludada, respiração acelerada era demais para suportar. Minhas mão tinham vontade própria e acariciavam todo o seu corpo. O contato de seu cabelo acetinado contra minha pele também não estava ajudando.


Sim... eu só poderia ter um pedacinho de sua mente por vez.


Mais estava tudo bem... cada segundo era mais do que eu merecia.





Um pouco antes do sol se levantar, pequenas gotas de água começaram a cair e combinado com o vento que balançava as folhas das árvores ao redor de nosso chalé, o som se tornava perfeito.


A porta francesa que dava para nosso pequeno jardim estava aberta, o vento trazia pequenas folhas secas para o quarto.


Como em todos os dias, sabia que era questão de minutos para que minha bolha de felicidade – de ter minha Bella em meus braços em nosso momento de privacidade – se expandisse para acomodar Renesmee e o restante da família. Uma bolha de felicidade que aparentemente teria que se expandir – ou se fortificar – por outros motivos, como para receber nossos novos visitantes.


... tem certeza que é aqui? – Pensou – e verbalizou – uma jovem voz. A voz de um menino.


... sim, o rastro está em todo lugar, só preciso encontrar o mais forte e segui-lo. – Pensou – e verbalizou – uma
mulher.


Não estava ouvindo as vozes reais de Ethan e Sam, mas sim seus pensamentos. O alcance de minha habilidade era muito maior do que de meus ouvidos.


Bella ainda estava deitada ao meu lado, sua cabeça descançando em meu peito.


Ela não iria gostar de nossa nova companhia.


O garoto parecia hesitar um pouco antes de seguir a irmã.


... Kate foi clara ao dizer que eles são pacíficos, mas ainda perigosos. ... acho melhor irmos embora. – ele pensou, falando alto apenas a segunda parte.


... deixe de ser bobo. Você era quem queria ver Renesmee. – ela pensou e falou com o irmão.


Eles estavam seguindo para o chalé.


Suspirei e me sentei na cama, levando Bella comigo.


- Se vista, amor, temos companhia. – murmurei.


Seus olhos se arregalaram e se encheram de pavor.


- Não é ele. – disse rapidamente antes que ela se apavorasse ainda mais. - Ele não estápor perto.


Apesar de desejar que sim, para poder acabar com sua vida miserável bem lentamente.


- Quem então? Não posso ouvir nada ainda.


- Ethan e Samantha.


- Os amigos de Kate? O que eles estão fazendo aqui? – ela perguntou surpresa.


- Renesmee. – disse.


Bella pulou da cama e seguiu para o Closet, assim como eu.


- Mais a frente... é um pequeno chalé. – Samantha comentou.


Bella suspirou. Ela podia ouvi-los.


- Eu estou te dando autorização para me sequestrar, assim como Nessie e nos levar para uma ilha deserta e isolada do mundo. – Ela disse assim que seguiu para o quarto de nossa filha – que ainda dormia.


Eu ri.


- Já pensei nisso tantas vezes. Prometo fazer isso assim que comprar uma ilha para nós.


Ela me olhou de cara feia.


- Fique com Nessie, vou esperá-los lá fora. – disse.


Assim que abri a porta da frente, eles se aproximaram e pararam a uma pequena distância de mim.


Não disse nada... estava esperando que um deles iniciassem o diálogo.


Eles perceberam imediatamente quem eu era. A semelhança com era inegável.


O garoto falou primeiro.


- Olá. Meu nome é Ethan, essa é minha irmã, Samantha, somos amigos de Kate.


- Eu sei. Olá. – disse e imediatamente quis revirar meus olhos aos pensamentos da garota.


- Você é o pai de Nessie. – disse ela encantada. – Você é Edward Cullen, certo?


- Sim, sou eu. Nessie está dormindo. – me apressei em dizer. Ela estava me fazendo sentir desconfortável. Se eu não os queria aqui antes, agora ainda menos.


- Me desculpe, estávamos apenas passando e minha irmã reconheceu o cheiro de Nessie na floresta e eu pensei que seria ótimo vê-la
novamente.


O garoto estava sendo honesto.


- Eu entendo. – meu tom mais suave. - Talvez devessem voltar mais tarde. – sugeri. Não queria ser rude com os amigos de meus amigos.


Bella ainda estava dentro do chalé, com Nessie.


- Voltaremos. – a garota disse. – Um dia, como Ethan disse, estávamos apenas de passagem.


- Agradeceria muito se deixassem para caçar após os limites da cidade.


- Entendo as regras. Não sabíamos que vocês moravam aqui. – disse ela.


Bella se colocou ao meu lado, Renesmee não estava em seus braços. Ela decidiu deixá-la dormindo.


O garoto sorriu imediatamente quando a viu. Ele também fez a conexão.


- Bella, certo? – foi Samantha quem perguntou.


- Sim. Prazer em conhecê-los. – ela disse timidamente.


- Bom, é uma pena não poder ver sua doce Nessie hoje, mas pelo menos pude conhecer seus pais, o que já é um imenso prazer. Perdoem – nos por qualquer inconveniente. Jáestamos de partida. ... nossa pequena parada valeu muito a pena. – completou Samantha em pensamento.


Eles não tinham planos para ficar.


Eram pessoas que viviam bem apenas com a companhia um do outro. Já tinham inclusive pensado em recusar qualquer convite de se hospedar conosco. Eles não gostavam de multidão.


- Tenham uma boa viajem. – desejou Bella.


Os irmãos balançaram a cabeça e partiram em direção ao sul.


- Isso vai acontecer sempre, não vai? – Bella me perguntou.


- Provavelmente. Mas eles não irão retornar tão cedo, não se preocupe.





Um pouco mais tarde, seguimos para a casa principal. Bella e eu estavamos olhando a sessão de alunos no site da faculdade e os brochures. Tinhamos que decidir o quadro de matérias – claro, eu iria fazer o mesmo curso que Bella – mas quando recebemos a resposta da faculdade online, me deparei com mais um pequeno problema. Bom... dois pequenos problemas.


- Talvez eu deva escolher outra. – sugeriu Bella.


Estávamos sentados na sala de jantar – a mesa cheia de papéis.


- Não. Se você não fizer essas matérias específicas não vai conseguir se formar no que quer.


- Mas você também não vai.


- Posso mudar de curso e fazer as mesmas matérias que você... exceto essas duas.


As duas que já estavam com a classe cheia. Cheia de alunos que lembraram de fazer a pré-inscrição. Duas classes com apenas uma vaga restante.


Se Bella quisesse se formar em Literatura, ela iria precisar dessas matérias. Elas eram essênciais na pontuação final.


- Temos mesmo que enviar isso tudo hoje? Talvez você ainda tenha tempo de ir e deslumbrar a reitora.


A risada de Alice – que estava no segundo andar – ecoou pela casa.


Revirei meus olhos para ela.


- Na primeira semana de aula, existe uma coisa chamada “dia de compras” onde você pode ficar a vontade para rodar o campus e trocar algumas matérias, talvez alguém desista e eu consiga uma vaga, mas se isso não acontecer não tem problema. E
sim... temos que enviar hoje. Foi você que me lembrou disso.


- Edward costumava ser mais responsável... sempre cumprindo suas tarefas a tempo, nunca deixando nada para a última hora. – disse Jasper que estava na frente da TV com Emmett.


... ela te corrompeu. - completou ele em pensamento. “Da melhor forma possível” pensei em responder.


- Uhum, o que aconteceu? Por que só estão fazendo isso agora? – perguntou Emmett, se aproximando e mexendo nos papéis – Vocês tiveram vários dias...


Oh Ow.


- Estávamos ocupados, temos uma filha pequena que... – interrompeu Bella, mas ele fingiu que não ouviu.


- E várias noites, com nada para fazer...


- Emmett. Quieto. – Bella o repreendeu. Renesmee estava sentada em cima da mesa, tentando nos ajudar.


Havia dias que ele estava incomodado com o resultado de uma das apostas que perdeu para ela – ele não sabia o significado de “deixar pra lá”.


- Sobre isso...


- Aposta é aposta. Você perdeu. Mantenha-se calado.


Renesmee franziu a testa enquanto observava os dois.


- Quer fazer outra? Para sobrepor essa?


Bella começou a balançar a cabeça.


- Você só não quer porque sabe que não vai aguentar. Mesmo com as aulinhas que estátendo com Edward... você não pode me vencer. Não mais, irmãzinha.


Ele estava tentando provocá-la.


- Isso não funciona com ninguém além de você mesmo. – eu disse.


Ele fechou a cara e insistiu.


- Oh... vamos lá, Bella. Só uma lutinha de nada... vai ser bem rápido.


... posso te colocar no chão em dois segundos, se seu marido trapaceiro não intervir. Mas se ele fizer será divertido da mesma maneira. – ele pensou olhando para mim. Desafiando-me.


- Pensei que Esme havia o proibido de lutar. – ela questionou sabiamente.


Sim, ela havia proibido.


- Com Jasper e Edward, ela não disse nada a respeito de você.


Sutilmente, fechei meu punho e acertei seu ombro – ele quase desviou – e voou até a sala, bagunçando alguns móveis.


Antes que pudesse me arrepender de tê-lo acertado, ele estava rosnando.


- Revanche!


- Pelo o que? – perguntei. – Você está atrapalhando. Estamos ocupados.


- Estamos. – confirmou Bella. – E eu ainda vou lutar com você... só me dê mais alguns meses. Não é exatamente justo partir para a briga agora, você tem anos de experiência a minha frente.


- Tudo bem! Alguns meses. Não vou esquecer. – ele prometeu.


Ele não esqueceria.


Ótimo. Mesmo por brincadeira, eu não a queria lutando.


Emmett tendia a não medir forças nessas horas.


Respirei fundo.


Estava sendo tolo. E tinha quase certeza que quando essa tal “briga” acontecesse eu teria que intervir a seu favor e assim fazer o dia de Emmett.


Bella fazia progresso com os treinamentos. Progressos rápidos. Ela sempre foi uma mulher muito inteligente e perceptiva. Isso ajudava muito na hora de ensinar manobras defensivas. Um pouco mais tarde – quando os formulários já estavam devidamente preenchidos e aguardando para serem
lidos, nos bancos de dados de Dartmouth - continuamos com os treinamentos.


Não me soltava com ela, com medo de machuca-la. Estava fazendo tanto isso que Bella questionou.


- Você mal me tocou. Isso não foi exatamente um ataque.


- Estou fazendo o melhor que posso diante das circunstâncias. – me justifiquei. A mente vampira é muito gráfica. Fácil imaginar algo e fazer esse algo parecer real demais.


- Vou me mover contra você – eu tremi - de uma forma mais lenta. Assim você vai poder ver meus movimentos - movimentos comuns utilizados em combates. Tente usar o que te ensinei para se defender. Ok?


Ela suspirou antes de responder.


- Ok.


Como disse, ela era boa. Se continuássemos treinando Bella poderia ser tão hábil lutadora como Rosalie


Saímos para viajem de caça na manhã seguinte. Tecnicamente nossa primeira viajem exclusiva para caçar.


Chegamos à Freemont um pouco depois do sol se pôr.


Inicialmente iríamos caçar e retornar, mas tudo estava indo tão bem. Estava adorando mais esse tempo sozinho com ela.


As partículas de água – que vinham da pequena queda d’agua a menos de duzentos metros de onde estávamos – deixavam o ambiente ainda mais bonito.


Bella e eu terminamos juntos. Ela era tão boa em tudo, que aprimorou sua habilidade em caçar mais rápido do que qualquer outro vampiro que conheço. Sem nenhum fio de cabelo fora do lugar, ela se colocou ao meu lado.


Vê-la caçar era uma das coisas que mais gostava... e eu estava sempre fazendo isso. A observando.


- Terminou? – perguntou Bella.


- Sim. Você?


- Completamente satisfeita... até um pouquinho cheia.


Seus olhos estavam mais claros do que de costume. Seu rosto levemente corado. A verdadeira imagem da perfeição.


- Temos um tempinho para matar. – ela comentou.


- Tem uma queda d’agua aqui perto... – sugeri.


- Vamos!


Chegamos lá com menos de dois segundos. Seus olhos correram o local com admiração. Era lindo. Nunca estive nesse lugar específico. Um lugar livre da presença de humanos.


- Amo cachoreiras.


- Isso é bom. Temos uma pertinho de nossa nova casa. Tão remota quanto essa, sómaior.


Ela se sentou em uma das pedras ao redor do pequeno rio. Coloquei-me atrás dela, me acomodando em sua forma. Bella encostou suas costas em meu peito, apoiando a cabeça em meu ombro. Meus braços em sua cintura.


- Vamos poder cortar Oregon da lista. – ela comentou.


- Você não conhece todo o estado. Então acho que vou deixá-lo onde está. – respondi em seu ouvido.


- Podemos começar outra lista. – ela se virou e tocou meus lábios com os seus delicadamente.


- Podemos começar o que você desejar.





A responsabilidade chamava. Tinhamos que voltar. Então assim que anoiteceu, seguimos para casa.





Era uma tarde de sexta feira, um dia comum, um dia feliz, quando Alice o viu.


A visão era clara e fiquei grato por Bella estar com Jacob e Renesmee na cozinha.


Ele estava nos redores da casa da Tânia. Eu em meu piano, ela ao meu lado.


... você não chegará lá a tempo. - pensou Alice. Sua visão havia mudado. Eu estava no mesmo lugar que Abadir esteve, sozinho.


Eu quase rosnei.


... não consigo ver mais nada. Ele está meio perdido. Sinto muito - Ela estava se sentindo culpada.


- Não se preocupe. – sussurrei para ela.


Um dia ele irá perceber que seu orgulho está ferido demais e se aproximará o suficiente... e eu estaria a sua espera.


Aquela foi uma das muitas noites que passamos na casa principal. Alice ficou por perto, atenta a qualquer possível alteração. Mas nada aconteceu. Aquela também foi a primeira noite que passamos ali desde que Carlisle e Esme haviam partido para Hannover. Era estranho. Como se algo faltasse. Acho que isso funcionaria se qualquer um de nós se distanciasse. Lembro-me de pensar no passado que se Rosalie partisse, sentiria sua falta, mas conseguiria viver muito bem com isso. Agora... eu definitivamente sentiria falta dela, e com certeza pareceria como se um pedaço da família tivesse sido perdido.


Todos nós necessitavamos um do outro. Como se levar esse estilo de vida fosse impossível sozinhos. E o mais importante de tudo... é que se todos resolvessem seguir seu caminho, mesmo que temporariamente, eu não ficaria sozinho.



Rosalie e Emmett já viveram separados – de nós – diversas vezes. Às vezes mantinham proximidade – como Bella e eu, com uma casa nos arredores – e às vezes eles viajavam, como em uma lua de mel. Naquela época me sentia como se estivesse de férias. Era grato por temporariamente poder ficar longe dos pensamentos fúteis de Rosalie.


Alice e Jasper eram diferentes. Eles sempre estavam por perto, salvo às vezes quando se afastavam para visitar algum lugar ou alguém. Era raro, mas acontecia. E entre os dois, ela era quem fazia questão de ficar. Jasper permanecia como consequência. Uma consequência bem vinda.


Renesmee, no momento, está certa de que nunca irá se afastar de nós. Para ela é algo inconcebível.


Eu entendia.


Nos últimos dias, ela resolveu passar mais tempo com Jacob porque sabia que ficaria longe dele. Automaticamente, eu tentava ficar o mais longe possível de Rosalie. Ela não estava feliz com a situação atual. Seus pensamentos eram desagradáveis.





Estava decido a não esconder nada de Bella. Então na noite seguinte, assim que ficamos sozinhos, contei sobre a visão de Alice.


- Ele não tem intenção de voltar... pelo menos não por enquanto. – Disse a ela quando voltamos para o chalé.


- Mas o que ele estava fazendo em Denali? O que ele quer? – perguntou ela.


- Elas sabem se cuidar. Todos eles sabem.


- Arhg! Eu o odeio. Por que ele não nos deixa em paz?!


- Ele vai, amor. Ele vai.


- Sim... se nós fizermos algo a respeito. – ela comentou bem baixinho. – É como se ele estivesse esperando por nós. Nos chamando ou algo do tipo.


Suas palavras fizeram com que o comportamento de Abadir fizesse mais sentido. Talvez ele estivesse esperando... esperando por ela. Esperando que Bella agisse.


Não... não pode ser assim, ele deve saber melhor. Eu nunca a deixaria ir atrás dele.


- Eu vou proteger nossa família. Eu juro.


- Edward... – ela parou e respirou fundo antes de continuar abordando um ponto de vista melhor... para ela. – Ele não vai conseguir nos encontrar uma vez que nos mudarmos. Então acho que não vai ser necessário ninguém fazer nada a respeito. Nossos caminhos nunca mais irão se cruzar.


Ela tentou parecer certa ao dizer as palavras.


A abracei. Apertado. A culpa crescendo dentro de mim.


Minha Bella merecia um pouco de paz de espírito.


Na manhã seguinte, Charlie ligou, como ele sempre fazia. Sugeri irmos até ele. Não tinhamos nada para fazer durante o dia além de aturar Alice – com seus planejamentos. Então a melhor coisa era afastá-la dali por algumas horas. Além de tudo isso, Nessie também ficaria muito feliz.


A casa de Charlie não estava com o cheiro forte de sempre. Aparentemente Sue e seus filhos não o tem visitado com tanta frequência.


Bella percebeu.


- Eu tenho ido mais a La Push. – disse ele a Bella quando ela perguntou por Sue. – Então não há necessidade dela vir aqui só para me alimentar. Ela tem suas responsabilidades.


- Espero que não esteja tentando cozinhar sozinho. – Bella o repreendeu carinhosamente.


- Quando não posso ir até lá, sempre peço uma pizza. Aprendi que é mais seguro.


- Charlie, você pode me ligar. Eu posso vir e cozinhar para você. – sugeriu ela. Não era a primeira vez que o assunto surgiu.


- Absolutamente não. Você tem a sua vida, um marido e uma filha. Eu posso me virar.


- Ham... pai, já falamos sobre isso, eu moro perto, tenho um carro – um carro mais rápido – não seria problema nenhum. E Edward está bem grandinho, ele sabe se cuidar. Certo? – ela me perguntou, apertando minha mão.


- Humm... sei não, Bella. – retorci meus lábios em uma falsa dúvida antes de responder. Bella me deu uma leve cotovelada. – Ébrincadeira, Charlie. Claro que por mim não existe o menor problema. Além de tudo, acho que seria bom você se aproveitar de Bella. Em um pouco mais de dois meses estaremos nos mudando.


- Ele está certo, pai. Tire proveito de mim enquanto estou aqui. – Bella concluiu.


O assunto era doloroso, mas Charlie disfarçava bem.


- Hum... está planejando me visitar, certo? Eu vou precisar ver minha neta.


... e você. – Pensou Charlie.


- Você pode ir conosco em Janeiro. São suas férias, certo?


-Ahh... Sim, eu vou estar de férias...


Bella arqueou as sobrancelhas esperando ele terminar de falar.


Ele queria ir, mas não queria ir. Ele era um homem confuso em certos aspectos.


- Pai, você vai sobreviver longe de Forks por uns dois dias.


Ele pensou por mais uns segundos. Era como se ele estivesse preso a essa pequena cidade.


- Nessie vai adorar ter você conosco.


Ele a olhou, adormecida em seus braços.


- Você é a pessoa favorita dela. – Bella murmurou, tentando convencê-lo. Aquilo pareceu agradar Charlie ao extremo.


- Você é a pessoa favorita dela. – ele rebateu.


- Ok, depois de mim, então.


- Até eu venho em terceiro. – completei.


Ele sorriu e concordou em nos acompanhar.





- Volte sempre que puder. – Charlie disse ao nos acompanhar até o carro.


- Não se esqueça. Você vai passar o natal com a gente.


- Não vou me esquecer. – ele disse rindo. – Aqui... – ele ofereceu Renesmee para mim. – Vão colocar a pequena princesa na cama. Ela está ficando pesada.


- Ela tem comido melhor. – disse a ele.


- Notei. Provavelmente é a convivência com Jacob. Aquele menino acaba com qualquer geladeira.





A paz de espírito que Bella merecia iria chegar... para ficar. Eu a daria isso.


Amigos, inimigos... eles sempre existiriam, mas ainda para nós. Estávamos em uma situação onde todos se dividiam a nosso respeito – amor ou ódio por nossa família. Graças a Renesmee, o amor parecia cativar uma maior quantidade de pessoas.


Vamos ter que nos acostumar com visitas constantes de admiradores e curiosos. Viver sendo o centro das atenções – mesmo apenas entre os nossos.


A única coisa que queria e precisava era estar em paz entre os meus. Apenas os MEUS.


Tudo estava encaminhado. Só precisávamos viver mais algumas semanas em nossa pequena cidade, antes de dar início a mais uma etapa.