26 de mai de 2010

Capitulo 5

Posted by sandry costa On 5/26/2010 3 comments

Decisão

Ainda faltavam três horas para o fim do último período. Jacob dirigia silencioso para fora da cidade. Eu não consegui pensar no que dizer – ou como dizer. Minha mente estava cheia de uma apreensão desconhecida, da qual eu nunca tinha experimentado. Alguma coisa dentro de mim ansiava por respostas e essa sensação só foi multiplicada pela estranha visão. Eu sabia o que devia fazer, sabia o que era o certo. Eu deveria ir para casa, contar à minha família o ocorrido, pedir conselhos a Alice, a Carlisle, e tomar qualquer decisão em conjunto. Quando se tratava da segurança de todos, nós éramos uma instituição, e não indivíduos. A segura e pacífica instituição dos Cullen. Sim, isso seria o certo. Mas quase todo o meu ser se desvencilhou dessa idéia, por que contar a eles significava de muitas formas, colocá-los em perigo. E Aro sabia disso. Sabia que minha primeira atitude seria contar a meus pais e mandá-los diretamente até o ponto de encontro. Até sua armadilha, por que era isso que parecia, não importasse de que ângulo eu pensasse a respeito. Essa foi a única conclusão em que cheguei durante todo o caminho para lugar algum. Eu não daria a Aro o que ele tanto queria, seja lá o que fosse. Mas Jacob precisava saber, tanto pelo fato de eu ter jurado nunca mais esconder nada dele, quanto por sua segurança. Ele precisaria estar preparado, caso meus sonhos resolvessem se realizar. Estremeci com o pensamento de Jacob sob domínio Volturi. Nós paramos algum tempo depois num lugar que me parecia ser… o Nada. Eu suspirei e sai do carro. Me sentei no capô e fitei o horizonte. Jacob se colocou ao meu lado, me olhou, esperando que eu começasse. Estava com um pesar implícito no olhar, a preocupação vincando sua testa. Eu abri a boca para começar a falar, mas Jacob me cortou. - Antes de qualquer coisa Ness, eu quero que me prometa que você não vai ir embora. E se você for pelo menos me leve com você. – Ele fitava o chão, a voz meio tremula e ansiosa. Eu o olhei incrédula. Como ele podia me conhecer tão bem assim? Eu nem mesmo tinha dito uma palavra se quer sobre qualquer coisa a esse respeito, nem ao menos tinha pensado nisso. Mas depois que pensei no que ele acabara de deduzir, eu sabia que era essa minha decisão, a única que eu conseguiria chegar se tivesse pensado a respeito durante toda a noite. Jacob se antecipou, sabendo que eu não deixaria as coisas sem uma explicação aceitável, sabendo que eu seguiria meus instintos e não sossegaria até encontrar respostas. Eu balancei a cabeça, tentando clarear as idéias que estouravam em minha mente. Olhei nos olhos escuros e profundos de Jacob e sorri. Sorri porque eu já sabia o que fazer, e por que eu não precisaria esconder nada dele. - Jake, nós vamos voltar. Vamos para Forks. Preciso saber se estou apenas enlouquecendo, ou se minha família – E você… Pensei comigo – está em perigo. - Tudo bem, então, nós devíamos voltar logo e avisar os outros. – Ele não tinha captado a essência do plano. - Jake, quando digo “nós” eu me refiro a você e eu. Ninguém pode saber que estamos partindo – Eu falei entredentes. - E como diabos vamos fazer isso sem que Edward descubra? – Ele perguntou num tom meio exaltado. - Nós temos pouco mais de duas horas para descobrir, então, sugiro que comece a pensar senhor Jacob Black – Eu sorri maliciosamente para ele. Mas apesar do tom brincalhão que eu tentava tingir minha voz, por dentro eu estava um pouco desorientada. Jacob tinha razão, era praticamente impossível esconder algo de meu pai. Ainda mais se esse “algo” martelasse em sua cabeça como uma fanfarra descontrolada. Devia existir algum jeito de burlar a atenção de meu pai sobre mim. Pelo menos até que eu e Jacob estivéssemos suficientemente longe para que ele não nos ouvisse planejar a fuga. Mas eu precisaria voltar para casa e encenar para toda minha família mais um dia normal de escola. E eu não fazia idéia de como conseguiria manter minha mente longe daquela visão perturbadoramente nítida que sofrera mais cedo, nem dos planos que começaram a se formar sem que eu me desse conta. Além disso, seria um esforço em conjunto, Jacob precisaria ser tão bom quanto eu para esconder de meu pai as imagens que mostrei a ele. Ou eu poderia… - Jake – Eu quebrei o silencio depois de alguns minutos – Você já percebeu que o que eu faço é basicamente o contrário do que meus pais podem fazer? – Ele me dirigiu um olhar confuso e desconfiado por um momento e depois respondeu: - O que você quer com isso? – Disse ele, inconscientemente se inclinando para mim. - Bem, meu pai basicamente retira informações da mente das pessoas, ele as lê. – Tentei explicar meu súbito raciocínio – E minha mãe mantêm as pessoas fora da mente dela, longe de seus pensamentos. Eu faço exatamente o contrário. Ao invés de ler as pessoas, como meu pai, eu as deixo ler meus pensamentos. E ao invés de bloqueá-las, como minha mãe, eu as deixo entrar em minha mente. – Jacob aquiescia, ponderando minhas palavras. - Então eu estava pensando, se eu conseguisse me concentrar em algo suficientemente forte, imagens, fatos, sei lá… eu poderia implantá-las em sua mente e nosso único trabalho seria nos focar nelas. Dessa forma meu pai não desconfiaria de nós, por que passamos o dia juntos, fizemos as mesmas coisas… – As palavras foram sumindo a medida em que eu era absorta nessa possibilidade. Eu poderia fazer isso. Eu só precisava criar uma realidade artificial em minha mente e me concentrar nela, tornando-a convincente. Mas o que diabos poderia ser forte o suficiente para eclipsar as imagens assustadoras que agora ocupavam totalmente minha mente? Era um bom plano, o único que consegui arquitetar. A única forma de enganar meu pai seria essa. Mas eu precisaria de muita concentração, não poderia deixar escapar nenhum fio de autocontrole. Eu não poderia vacilar em meus pensamentos. Não poderia haver hiatos em meu disfarce. A vida de todos dependia disso. Isso teria que bastar para nos dar mais tempo. - Ness, sinceramente, eu não entendo como isso pode nos ajudar. – Jacob coçava a cabeça, meio perdido em seus próprios pensamentos. – E eu preciso ressaltar também, que seu pai vai me matar quando descobrir que eu ajudei você a fugir, e depois dele, Bella, e depois Rosalie… - Eu pensei que você fosse um lobo e não um gatinho com medo dos vampiros maldosos – Eu sorri, encorajando-o – Não se preocupe Jake, eu vou estar entre você e o resto da família, vou te proteger. – Dei uma piscadela para ele – E se serve de consolo, eles podem te matar apenas uma vez. - Há Há, muito engraçado. É sério Ness, como vamos fugir de uma casa cheia de saguessugas com super audição, que não dormem e que ainda por cima vivem chocando você como se você fosse um ovo de galinha? – Ele estava visivelmente pessimista, e eu não podia culpá-lo. - Olha só quem fala. Você é tão superprotetor comigo quanto qualquer um deles – Fechei a cara para ele. - Ok, culpado – Ele ergueu uma mão, assumindo a culpa – Mas nesse caso, eu estou com você. Eu não deveria, é claro. Mas eu sei que você vai sem mim se eu não te ajudar – Ele me olhava preocupadamente – E eu não quero você por aí, seguindo o rastro de um maluco invasor de casas. – Ele fez um beicinho e cruzou os braços no peito. - Eu não poderia ir sem você de qualquer forma, Jake – Afaguei seu braço – Não consigo ficar sem você mais do que algumas aulas de biologia. – Eu sorri para ele ao perceber que um leve rubor denunciava sua expressão séria. Ele então se rendeu e sorriu também. Me pegou num abraço quente e forte e enterrou seu rosto eu meus cachos para cochichar em meu ouvido. - Você é uma pestinha Renesmee Cullen – Nós rimos em uníssono por um minuto e permanecemos nos braços um do outro. Nenhum de nós queria se soltar, por que ali era o lugar mais seguro do mundo, onde nem meus sonhos com Aro, nem a distancia da família e dos amigos e nem a necessidade de ter que partir sem aviso prévio nos fazia algum mal. Era onde nós nos esquecíamos de tudo, onde nossas mentes, corpos e almas se abrigavam da tempestade. Alí, nos braços quentes e firmes de Jacob, minha mente estava a salvo. Num estalo de percepção súbita eu de repente sabia o que fazer. - Jake – Eu o soltei e encarei seu rosto – Você precisa me beijar! *** Jacob me olhava meio incrédulo meio chocado. Sua boca se abriu ligeiramente e seu rosto parecia ter congelado. Eu já estava ficando embaraçada com seu olhar sobre mim e então, resolvi quebrar o silencio – e o choque. - Calma Jake, não precisa ter um ataque cardíaco. Estou ouvindo seu coração ter um treco, se acalme – Eu tentei tranqüilizá-lo, mas ele permanecia congelado em seu lugar. - Olhe, eu preciso de algo forte o suficiente para focar meus pensamentos, e os seus também – Eu já podia sentir meu rosto corar – Eu sei que pra você é estranho ouvir isso de mim, afinal, nós fomos amigos por toda vida, mas nós estamos sem tempo para pensar em algo menos… embaraçoso.- Eu o olhei de esguelha. Ele estava mudo, eu podia ouvir a confusão explodindo dentro dele. Onde eu estava com a cabeça? Propor algo assim para Jacob era, na melhor das hipóteses, vergonhoso. Eu deveria voltar atrás e dizer para ele esquecer, mas nós não tínhamos tempo, e eu não queria retirar a oferta, o que tornava tudo tão mais difícil. - Jake, eu… não queria que você pensasse que eu… – Droga, como era difícil, era ainda pior porque Jacob ainda estava mudo, congelado feito uma estátua. – É que nós realmente não temos tempo, precisamos voltar pra casa daqui a pouco e meu pai não pode saber de nada que aconteceu. Nada vai mudar Jake, eu prometo. Eu vou me comportar – Assim eu esperava. Já seria bastante complicado deixar que meu pai visse isso em minha mente, eu não queria que Jake se afastasse de mim por causa de um beijo. Mas um minuto se passou, eu estava inquieta, envergonhada e preocupada. Virei-me de frente para Jacob e encarei seu rosto. Eu queria uma resposta, qualquer uma. Cruzei os braços e fiquei na espera. Ele me olhou de volta e sustentou meu olhar. Estava sério, sua testa estava vincada e seus olhos semi cerrados, os lábios numa linha rígida. Ok, eu estava encrencada. Desembestei a falar. Tão rápido e desorientadamente que nem reparei nas reações dele as minhas palavras. - Olhe aqui Jacob Black, não precisa ter uma síncope só por que eu estou tentando salvar nossa pele. Não precisa me olhar desse jeito, como se eu estivesse pedindo pra você encobrir algum assassinato por mim. Depois de tudo que passamos, será que um beijo nos mataria ou… – Ele me pegou em seus braços, sustentou meu corpo junto ao seu e tocou meus lábios com urgência. As palavras cessaram, e com elas meus pensamentos, o ar, o tempo, os planos… Não havia mais nada, só Jacob. O beijo começou tenso, exigente e lentamente se transformou em uma combustão instantânea. O corpo de Jacob estava em toda parte, e ardia como brasa em minha pele. Eu arfava por dentro, por um momento pensei que meus pulmões tivessem derretido. Tudo nele era perfeitamente compatível a mim. Eu me encaixei em seu abraço como se tivesse sido feita para ele. Seus braços eram grandes e fortes o suficiente para envolver toda extensão do meu tronco, seus lábios eram quentes, úmidos e na proporção exata dos meus. Seu cheiro entrava por minhas narinas e se espalhava por minha mente, cobrindo tudo. Razão, sentido, pensamento, lógica… Abri meus olhos no mesmo segundo que ele o fez. Nos olhamos como dois cegos que acabaram de ganhar novos olhos. Nenhum dos dois tinha muito o que dizer naquele momento, mas o silêncio que se estendeu, era cheio de significados. Meu celular então vibrou em meu bolso e me fez pular, como o estalar de dedos que acorda alguém hipnotizado. Me afastei dois passos de Jacob e me virei de costas. Ofeguei duas vezes antes de recompor o compasso do meu coração. Peguei o aparelho no bolso e abri a mensagem de texto. “Ness, eu e seu pai estamos indo caçar com Alice, Jasper, Rose e Emmet. Esme e Carlisle vão estar em casa quando você chegar. Nos vemos mais tarde, eu te amo.” Respirei fundo, ainda sob choque. Bem, pelo menos eu tinha ganhado mais tempo para pensar em meu plano. Me virei devagar e olhei para Jacob timidamente. - Era minha mãe. Ela e meu pai estão indo caçar com os outros, mas Esme e Carlisle ficaram, então, acho que temos um pouco mais de tempo. – Disse, olhando para baixo. Jacob desencostou do capô do carro, e veio até mim. Pegou meu rosto nas mãos e disse: - Eu já sei o que vamos usar para ocupar nossas mentes – Ele me olhava profundamente. - O que é Jake? – Eu perguntei confusa e apreensiva. - Preciso lhe contar algo sobre mim.
Fanfic escrita por Anna Grey

3 comentários:

Ta maravilhoso! Perfeito!!
E o beijo deles então.. o Jake tem pegada, ushauhasu!
To amando muito sua fic..
Bjuss

Meu! ele vai conta sobre o imprinting? o.o'' Nossa! Muito legal e sinistro! .-.''

nuss ate q fim concordo com a ie q pegada kkk
parabens anna

bjss

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