19 de dez de 2011

Capitulo 38

Posted by sandry costa On 12/19/2011 No comments


P.O.V – Hellena
Andava a esmo pelos corredores, de olhos baixos.
Meu corpo parecia pesado e dolorido e a raiva tomava conta de mim.
Súcubos passavam ao meu lado sem me reverenciar, ou mesmo demonstrar qualquer respeito, me ignoravam como se eu fosse um pedaço qualquer de papel ao vento.
Se eu ficasse mais cinco minutos aqui dentro iria explodir.
Fui me esgueirando por corredores ate encontrar uma saída, uma passagem, qualquer coisa que me tirasse daquele mormaço.
A brisa da manha tocou meu rosto com alivio, e pela primeira vez em dias eu me sentia viva. Nunca imaginei que respirar fosse tão gratificante.
Eu havia dado nos fundos do castelo, onde havia apenas um grande muro me separando da floresta, da liberdade. Não foi muito difícil passar por ele, eu apenas escalei um pouco, e depois cai na relva macia e selvagem.
Comecei a correr o mais rápido que podia. Meus pés quase não tocavam o chão, e galhos se agarravam em meu vestido, mas eu não ligava a mínima para os quilos de tecido caro que ficavam para trás.
Quando já não conseguia mais sentir a presença delas a menos de um quilometro de onde eu estava, parei relaxando os ombros. Agachei-me no chão e massageei meus pés descalços.
A minha volta estava toda contornada por árvores altas e vistosas, álamos, faias e coníferas. Eu estava próxima a floresta dos espíritos, podia sentir a presença revigorante e suave deles.
Mas nem mesmo eles pareciam querer falar comigo.
Senti algo se aproximar, e me alegrei pensando que fossem eles, mas um homem esbelto surgiu entre as folhas, um íncubo. Seus olhos reluziam de tanto poder que ele exalava.
–Finalmente conheci a princesa súcubo? – ele perguntou com a voz forte.
–E quem é você? – murmurei.
–Sou Antonie.
Aquele nome se acertou em cheio, então, ele era o futuro rei, o futuro pai de minha filha. Levantei-me do chão e fiquei de frente para ele com a postura ereta.
–O que faz na floresta?
–Caçando, tomando um ar... Quem sabe? – sorriu de presas.
Ficamos sem falar nada, apenas analisando o rosto um do outro. Tinha que admitir, ele era o homem mais lindo que eu já havia visto em todo o tempo que passei entre imortais. Havia algo nele que me parecia familiar.
–Soube que esta sendo acusada de matar suas familiares. – sua voz era cautelosa. Ele parecia se importar, apesar de eu sentir que tudo era uma farsa.
–Armaram para mim. – estreitei os olhos.
–Parece um típico tom de alguém com síndrome de perseguição. – zombou erguendo uma sobrancelha. Aquele rosto, ou seria os olhos? Talvez parecesse um pouco com Nate... Ah, íncubos são todos iguais.
–Pense o que quiser, sua opinião pouco importa. – sibilei dando-lhe as costas, mas antes que eu fizesse algo ele segurou meu cotovelo fazendo com que eu girasse.
Ele era mais rápido e forte do que eu imaginava, e sua mão tinha um aperto férreo. Aquele toque me machucou, tentei me soltar, mas sua mão era firme.
–Não seria algo inteligente para se dizer, ainda mais na posição em que esta princesa. Só, sem ninguém. – aproximou-se um pouco de mim. – Soube que seu... “vampirinho” te deixou. De novo. – enfatizou o ‘de novo’.
–Isso não é de seu interesse.
Soltei meu braço e me afastei dele. Mas suas palavras me atingiram, ele tinha razão, Kenzi havia desaparecido, Alec havia partido, e as meninas nunca mais haviam me procurado. A pontada de ciúme e raiva inflamou meu peito.
Antonie pareceu perceber, pois um sorriso voluptuoso se formou em seu rosto juntamente com uma expressão vencedora e convencida.
–Como soube? – voltei a ficar próxima dele.
–Um bom rei tem que saber de tudo.
–Mas você não é rei. Ainda.
–E a única que pode me tornar rei, é a senhorita.
–Me convença. – provoquei.
O íncubo sorriu perigosamente e apoiou as mãos em meus quadris juntando nossos corpos e nossos lábios ao mesmo tempo.
Nada poderia descrever a sensação de estar beijando aquele incubo, mas no momento que me separei dele, posso jurar que vi o rosto de Alec no lugar do dele.
–É isso que você quer Hellena? – sua voz encheu o espaço, dei um passo para trás e ele seguiu-me dando um em minha direção. – Para o resto de sua vida?
Fechei os olhos e balancei a cabeça, quando os abri, era Antonie de volta.
–Algum problema?
–Não. Não. Eu tenho que ir. – falei dando-lhe as costas, mas ele me segurou de novo.
–Espero que temos feito um acordo. – ele sorriu.
–Que acordo? – franzi as sobrancelhas.
–Sobre você me ajudar a subir ao trono. Com nossa... – riu sarcástico. – Filha.
–Minha filha não será um passe para você virar rei. Ela não é uma moeda de troca, e não quero que tenha um pai que a considera assim. – sibilei puxando meu braço de volta.
–Ah, e quem será o maravilhoso futuro pai dela? O seu amado vampiro, que amara ela como um humano ama a filha? Ele te abandonou Hellena, e sabe por quê? Porque você é uma fraca. E sempre será.
–Eu. Não. Sou. Fraca.
–Nem mesmo suas servas respeitam você. Elas acham que você matou a rainha, pois sabem que você não é confiável. Você não tem ninguém. – disse destilando veneno sobre mim.
–Você não sabe de nada. – empinei o queixo ate estar quase da altura dele.
–A única coisa que sei, é que você é uma súcubo que não agüenta o próprio posto, que acha que ama, mas não é amada. Que não tem respeito, e nunca será uma rainha de verdade. Apenas uma vagabunda qualquer.
Dessa vez minha mão voou para seu rosto.
O tapa foi tão forte, que seu rosto foi para jogado para o lado.
Quando se virou para mim, sua mão estava erguida, me ameaçando bater da mesma forma.
–Vamos, bata em mim! Bata!
–Não farei isso, não ainda. Mas me aguarde princesa. – falou a ultima palavra com nojo. – Um dia a sua hora chegara, e eu estarei lá, para ver-la cair na frente de todos.
Ele sumiu entre as arvores como um vento forte e agressivo.
Folhas e galhos secos caiam do alto ate que o vento sumisse.
Dei meia-volta e fui em direção ao castelo. Mal sabia eu que minha hora de cair estava bem mais próxima do que parecia, pra falar a verdade, eu já sabia.

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