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18 de jun. de 2011

Capitulo 8

Posted by sandry costa On 6/18/2011


Lembranças desagradáveis.

Narradora.

Taças de champanhe tilintavam em harmonia com a sonata de Mozart. Uma harpa sublinhava o som discreto do bate-papo na festa. Aro Volturi circulava em meio a smokings pretos e vestidos cintilantes. As pessoas usavam sempre a mesma palavra para descrevê-lo: bilionário. Podiam referir-se a ele como homem de negócios ou poderoso ou mencionar que era alto, casado, pai, avô. Poderiam mencionar alguma característica da sua personalidade, sua arvore genealógica ou ética no trabalho. Mas a primeira palavra começava sempre pela letra B – Bilionário. O Bilionário Aro Volturi.
Aro nascera rico. Seu avô fora industrial nos velhos tempos. O pai aumentara a fortuna. Aro a multiplicara varias vezes. A maioria dos impérios familiares desmorona na terceira geração. Mas não o dos Volturi. Um dos motivos fora a educação dos filhos.
Naquela noite de gala celebrava a causa mais cara ao coração de Aro: a fundação Alec Volturi, em memória do filho assassinado. Aro iniciara o fundo com uma doação de 100 milhões de dólares. Os amigos logo engrossaram o bolo. Aro não era ingênuo, sabia que muitos doavam para puxar seu saco. Mas a coisa não se resumia a isso. Durante sua breve existência, Alec tocara as pessoas. Um menino nascido com tanta sorte e talento, Alec possuía um carisma quase sobrenatural. As pessoas eram atraídas por ele.
Sua outra filha, Jane, era uma boa menina que havia sido educada para ser uma boa Mulher. Mas Alec... Alec tinha algo de mágico.
A dor se fez sentir novamente. Ela estava sempre lá. Em meio aos cumprimentos e tapinhas nas costas, a dor permanecia ao seu lado, cutucando seu ombro, sussurrando em sua orelha, lembrando-lhe que seria sua parceira por toda vida.
- Bonita festa, Aro.
Aro agradeceu e continuou andando. As mulheres estavam primorosamente penteadas e trajando vestidos que realçavam seus ombros nus. Elas combinavam bem com várias esculturas de gelo que derretiam lentamente sobre toalhas de linho importadas. Garçons de luvas brancas circulavam com bandejas de prata repletas de camarões, filé mignon e uma miscelênea de canapés.
Ele se aproximou de Jasper Cullen, o jovem que dirigia o fundo de caridida da Fundação Alec. O pai de Jasper, Carlisle Cullen, fora um dos seus velhos cologas de turma em Newark, e ele, como tantos outros, parecia afzer parte do império dos Volturi. Jasper começara a trabalhar para diversas empresas da família durante o curso secundário.
- Agradeço por sua presença, não sabe como me alegra ver um Jovem talentoso em meio a esses velhos sarcásticos que só sabem puxar meu saco.
- Obrigado, Sr. Volturi.
- Quantas vezes já lhe disse para me chamar de Aro?
- Umas mil vezes – respondeu ele.
-Como anda Alice?
-Meio indisposta, ficou cuidando de nosso filho.
-Diga que estimo sua melhora.
-Direi sim, obrigado.
-Precisamos nos reunir na semana que vem.
-Telefonarei para a secretaria.
-Ótimo
Os dois conversaram mais um pouco, logo depois Aro pediu licença a passou a cumprimentar os outros convidados. Foi então que viu Demetri na saleta. Demetri não deveria estar ali. Os olhos dos dois homens se encontraram. Demetri fez um movimento com a cabeça e se afastou. Aro esperou um instante e depois seguiu o jovem pelo corredor.
Os dois homens entraram na biblioteca de Aro. No passado, aquele local havia sido uma sala maravilhosa de carvalho e mogno, com prateleiras que iam do chão ate o teto repletas de livros e globos antigos. Dois anos antes, sua esposa, decidira que a sala precisava ser totalmente redecorada.
O antigo piso e as prateleiras de madeira foram arrancadas e o aposento se tornara branco, luzidio e funcional, com tanto calor humano quanto uma estação de trabalho num escritório. Sua esposa se orgulhara tanto da decoração que Aro não tivera coragem de dizer o quão detestável lhe parecera tudo aquilo.
- Algum problema esta noite? – Perguntou Aro.
-Não – respondeu Demetri.
Aro ofereceu uma cadeira a Demetri, mas ele recusou e passou a andar de um lado para o outro.
-Foi difícil? – perguntou
-Tivemos que nos assegurar de que não havia nenhum furo.
-Claro.
Alguém atacara seu irmão Marcos. Então Aro contra-atacara. Era uma lição que ele nunca esquecia. Não se fica de braços cruzados quando você ou um ente querido esta sendo atacado. E não se age como o governo com suas “respostas padrão” e toda aquela frescura. Se você é agredido, a compaixão e a piedade devem ser postas de lado.
No fim se você eliminar o mal pela raiz, menos sangue será derramado.
-Então o que há de errado? – Perguntou Aro.
Demetri começou a andar de um lado para o outro. Coçou a cabeça. Aro não gostou daquilo. Demetri não ficava nervoso facilmente.
-Eu nunca menti para você Aro. – começou falando
-Eu sei.
-Mas certos segredos profissionais devem ser guardados.
-Segredos?
-Quem eu contrato por exemplo. Eu nunca digo os nomes a você e nem digo nomes a eles.
-Isso são detalhes.
-Sim.
-O que foi Demetri?
Ele parou de andar.
-Oito anos atrás, você lembra que contratamos dois homens para fazer um serviço?
O rosto de Aro empalideceu. Ele engoliou em seco.
-E eles fizeram o serviço nota 10
-Talvez.
-Não estou entendendo.
-Eles fizeram o serviço ou, pelo, menos, parte dele. A ameaça foi aparentemente eliminada.
Aro desabou na cadeira, como se alguém o tivesse empurrado. Sua voz era suave:
-Por que isso agora?
-Sei que deve ser doloroso para você.
Aro não respondeu.
-Paguei bem aos dois homens – continuou Demetri.
-Conforme eu esperava.
-Sim – ele pigarreou. – Bem, após o incidente, eles deveriam permanecer na moita por algum tempo. Por precaução.
-Continue.
-Nunca mais ouvimos falar deles.
-Eles foram generosamente pagos para isso correto?
-Sim.
-Então o que há de surpreendente nisso? De repente, eles fugiram com a fortuna que ganharam. Vai ver se mudaram para o outro lado do pai´s ou trocaram de identidade.
-Isso – disse Demetri – Foi o que imaginamos.
-Mas...
-Seus corpos foram encontrados na semana passada. Eles estão mortos.
-Não continuou vendo problema nenhum.
-Os corpos já foram enterrados há anos.
-Quantos anos?
-Pelo menos 7 ou 8 anos. E foram encontrados perto...perto do lago onde ocorreu o incidente.
-Não estou entendendo.
-Para falar a verdade, eu também não.
- Isso não pode voltar a tona.
-Eu sei, Aro.
-Temos de descobrir o que aconteceu, tudo.
-Eu tenho vigiado os homens da vida dela. Principalmente o marido. Por precaução. Agora estou concentrando todos os recursos nele.
-Muito bem – disse Aro – Custe o que custar, isso tem de ser enterrado e eu não me importo se alguém tiver de ser enterrado junto.
-Entendo.
-E tem mais Demetri.
Ele esperou.
-Sei o nome de um dos homens que você contrata – estava se referindo a Felix. Aro esfregou os olhos e olhou novamente para os convidados.
-Use-o e o mate.

3 de jun. de 2011

Capitulo 7

Posted by sandry costa On 6/03/2011


Conversa de Genro e Sogro 


Edward.


Minha sogra Renee Swan, era bonita. Ela sempre se pareceu um pouco com Bella. Mas a morte de Bella lentamente a abatera. Seu rosto se tornara tenso, seus traços quase rígidos, e seus olhos pareciam bolinhas de gude. 
A Casa dos Swan sofrera poucas mudanças desde oitos anos atrás. As paredes brancas, o tapete liso com cores em tons de cinza claro e escuro, a lareira de pedra, a mesa de centro de vidro que quase todos os dias era enfeita por vasos de flores artificiais ou pratarias. As duas mesinhas redondas de vidro em cada lado do sofá com abajures que custaram em media mais do que a mesa. Havia a TV de 50 polegadas que foi a única coisa que evoluirá no decorrer dos anos nesta casa. 
Minha sogra estava sentada no mesmo sofá em que Bella e eu havíamos namorado tantas vezes. Sorri por um momento e pensei: “Ah, se esse sofá falasse!” Mas aquele móvel ecoava muito mais do que recordações. Bella e eu havíamos nos sentado ali para abrir as castas de aceitação na faculdade. Ali assistimos agarradinhos a vários filmes que ela julgava romântico. Fazíamos o dever de casa, eu ereto e Bella com a cabeça em meu colo. Eu dizia a ela que queria ser médico e ela dizia que queria se formar em direito e trabalhar a favor das crianças. Bella não conseguia tolerar a idéia de ver crianças sofrendo. 
Lembro-me de um estagio que ela fez durante as férias de verão após nosso primeiro ano de faculdade. Ela trabalhou para uma instituição que recolhia crianças moderadoras de rua nos piores lugares de Nova York. Acompanhei-a certa vez no nosso carro. Bella encontrou uma prostituta de 14 anos que estava tão largada que se sujara toda. Recuei enojado, a sujeira me causava repulsa. Eu a ajudei, mas logo depois recuei. 
Isabella nunca recuava. Esse era seu dom natural. Ela apanhava as crianças com as mãos, as carregava. Ela limpou aquela menina, cuidou dela e conversou com ela a noite inteira. Olhava as crianças bem nos olhos. Realmente acreditava que todos eram bons e dignos. Eu invejava sua ingenuidade. 
Sempre me perguntei se ela morrera do mesmo jeito, não acho que não. Creio que Laurent conseguira acabar com sua ingenuidade. 
Renee estava sentada com as mãos no colo. Ela sempre gostou bastante de mim, embora em nossa juventude tanto meus pais como os de Bella tivessem se preocupado com nossa intimidade. Eles queriam que brincássemos com outras crianças. Que fizéssemos novas amizades coisas que não fazíamos. 
Charlie, o pai de Bella ainda não havia chegado em casa então eu e minha sogra jogamos conversa a fora. Falamos de tudo menos de Bella e eu permanecia com os olhos focados em Renee por que sabia que na lareira estava retratos de Bella com o sorriso lindo.
Ela esta viva...
Minha consciência queria me dizer algo, queria que eu acreditasse naquilo, mas não conseguia acreditar naquilo. 
Renee e eu conversamos sobre o tempo. Falamos sobre meus pacientes. Conversamos sobre minha família e então ela me pegou de surpresa.
- Você esta namorando alguém? – Ela perguntou me olhando nos olhos. Era a primeira vez que ela me fazia uma pergunta pessoal então que tipo de resposta ela queria ouvir? 
- Não – foi tudo que respondi ate ela continuar me olhando. – Saio com algumas amigas de vez em quanto – confessei. 
- Tudo bem – ela disse com um movimento de cabeça. – você deve – completou. 
- Sinto falta dela. 
Eu não planejara dizer aquilo. Queria ficar na minha e prosseguir com nossas conversas seguras como sempre. Ergui o olhar para Renee, ela parecia triste e grata. 
- Sei como você se sente Edward. – Disse ela. – mas não deve se sentir culpado por sair com outras pessoas, você ainda tem uma vida. 
- Eu não me sinto. – respondi – quer dizer não é bem isso. 
Ela cruzou as pernas e se inclinou na minha direção. 
- Então é o que?
Eu não conseguia falar. Bem que queria. Para o bem dela, achava justo saber. Ela me olhou com aqueles olhos e a necessidade de falar sobre a filha tão à tona, tão dolorida. Mas eu não conseguia falar então balancei a cabeça negativamente. 
Ouvi um barulho de chave na porta. Ambos viramos de repente, endireitamos – nos, como amantes pego de surpresa em flagrante. Charlie Swan empurrou a porta com o ombro gritou o nome da esposa. Entrou na sala com um suspiro sincero e largou sua maleta em qualquer lugar. Sua gravata estava frouxa, a camisa, amarrotada, as mangas, arregaçadas ate os cotovelos. Ao nos ver sentado no sofá soltou outro suspiro, desta vez mais profundo e com certo toque de desaprovação. 
- Como vai você Edward? – perguntou ele. 
Apertamos as mãos. Seu aperto sempre era rude e firme demais. Renee pediu licença e abandonou as pressas o aposento. Charlie e eu trocamos amabilidades e o silencio se instalou. Ele nunca se sentiu à vontade comigo. Eu sentia que ele me via como uma ameaça, agora para que eu não sabia. Com os anos, conseguimos lutar contra o ressentimento e forjamos uma espécie de amizade. Ate a morte de Bella. Ele me culpa pelo o que aconteceu. 
Claro que nunca disse isso, mas posso ver em seus olhos. Charlie era um homem robusto, forte. Ele sempre fizera Bella se sentir incondicionalmente segura. Charlie tinha esse tipo de aura protetora. Nenhum mal aconteceria com Bella enquanto Charlie estivesse por perto. Por que ele não estava no lago aquele dia? 
Acho que nunca consegui fazer com que Bella se sentisse tão segura assim. 
- Como anda o trabalho? – perguntou Charlie. 
- Bem – respondi – E o seu?
- Faltam dois anos para me aposentar. 
Assenti com a cabeça e caímos em novo silencio. No percurso até lá, eu decidi não contar nada sobre o que vi no computador. Não pelo fato daquilo parecer loucura, não pelo fato de que se abririam velhas feridas e doeria profundamente nos dois. A verdade era que eu não tinha a mínima idéia do que estava acontecendo e eu decidi levar a serio aquele ultimo e-mail. Não confie em ninguém. Não conseguia imaginar o que estava acontecendo nem por que, mas todas as suposições que se fazia pareciam assustadoramente frágeis. 
Mesmo assim certifiquei-me que Renee não estaria ouvindo. Então, aproximei-me mais dele e disse em voz baixa:
- Posso fazer uma pergunta?
Ele não respondeu, em vez disso me olhou. 
- Quero saber como você a encontrou.
-Como a encontrei?
-Quer dizer, quando você entrou no necrotério. Quero saber o que viu. 
Algo aconteceu em seu rosto, como minúsculas explosões demolindo sua estrutura. 
-Pelo amor de Deus, por que você quer saber isso?
- Andei pensando a respeito – inventei – Com o aniversário do primeiro beijo e tudo. 
Ele se levantou de repente e esfregou as palmas das mãos nas pernas. 
- Aceita um drinque?
-Claro.
-Qual?
-Qualquer um.
Ela caminhou ate o bar que tinha próximo à lareira. Mantive os olhos baixos.
- Charlie? – tentei.
Ele abriu a garrafa. 
- Você é médico – disse ele, apontando para mim com o copo na mão – Você já viu pessoas mortas. 
-Sim
-Então você sabe como é. 
Claro que eu sabia.
Ele trouxe a bebida. Peguei-a com uma rapidez exagerada e tomei um gole. Ele me observou e em seguida, levou o copo à boca. 
- Sei que nunca lhe perguntei sobre os detalhes Charlie. 
- Você não quer saber os detalhes Edward. 
- Ela foi espancada?
Ele examinou a bebida.
- Por que você esta fazendo isso?
- Preciso saber – mantive o olhar firme.
- Havia ferimentos sim.
- Onde?
- Edward...
- No rosto?
Seus olhos se reduziram, como se tivesse visto algo inesperado.
- Sim.
- No corpo também? 
- Eu não olhei o corpo – ele respondeu – mas sei que a resposta seria sim. 
- Por que você não olhou o corpo?
- Eu estava lá como pai e não como investigador. – Disse
- Foi fácil? – perguntei.
- Fácil o quê? 
-Identifica-la. Quer dizer, você disse que o rosto estava machucado. 
Seu corpo enrijeceu, Eu deveria ter seguido meu plano, deveria ter ficado calado.
- Você quer realmente saber isso tudo?
Não, pensei, mas assenti com a cabeça. 
Ele desistiu da bebida, cruzou os braços e começou a fala:
- O olho esquerdo de Bella estava inchado, O nariz estava quebrado e achatado. Havia um corte que atravessava a testam provavelmente feito por uma faca. A mandíbula tinha sido arrancada da articulação e a letra L estava marcada na bochecha direita. Ainda dava para sentir o sentir o cheiro da pele queimada. 
Senti meu estomago embrulhar.
Os olhos de Charlie se fixaram nos meus. 
- Quer saber qual foi a pior parte Edward?
Olhei para ele e esperei. 
- Mesmo assim não levou tempo nenhum - ele disse – Eu soube exatamente que aquela era minha filha, Bella. 





15 de mai. de 2011

Capitulo 6

Posted by sandry costa On 5/15/2011


Edward

Não Confie em Ninguém!

Não desgrudei os olhos da tela do computador.
Eu estava paralisado. Os meus sentidos, mais do que sobrecarregados. Cada parte do meu corpo estava entorpecida.
Não era possível. Eu sabia. Bella não caíra de um iate e fora considerada afogada, seu corpo nunca encontrado. Ela não havia sido queimada a ponto de se tornar irreconhecível ou algo semelhante. Seu corpo foi localizado em uma vala á margem da Rodovia 80. Surrado, talvez, mas ela havia sido identificada.
Não por você...
Não por mim, mas por um membro da família: o pai. De fato, foi Charlie Swan, meu sogro, quem contou que Isabella estava morta. Ele foi ao meu quarto no hospital pouco depois que recobrei a consciência. Charlie era policial em Nova York, agente federal e veterano de guerra. Ele tirou o chapéu e tentou dar a noticia com a empatia de um profissional, mas não me convenceu e ele mesmo não fez muito esforço para isso.
Portanto quem eu acabei de ver?
No monitor ondas de pedestres continuavam passando. Fiquei olhando, torcendo para que ela voltasse. Mas não voltou.
Que lugar seria aquele? Uma cidade movimentada, foi tudo que consegui observar. Que eu saiba, poderia ser Nova York.
Então é melhor procurar por pistas.
Tentei me concentrar. Roupas? OK, vamos examinar as roupas. A maioria das pessoas trajava casaco ou jaqueta. Conclusão: se tratava de algum lugar ao norte ou pelo menos não muito quente. Ótimo. Posso descartar Miami.
O que mais? Examinei as pessoas. Os penteados? Isso não adiantaria. Eu conseguia ver um canto de um prédio de tijolos. Procurei características identificáveis, algo diferente, nada. Esquadrinhei a tela em busca de algo, qualquer coisa. Resultado? Nada.
A cena da câmera sumiu. Apertei a tecla de recarregar, mas a tela de erro retornou. Voltei ao e-mail original e cliquei no link, outro erro.
A cana sumiu e com isso minha Bela sumiu.
Olhei para a tela vazia e a verdade me atingiu novamente: eu acabei de ver Isabella, sim minha Bella.
Poderia tentar argumentar que aquilo não era possível, mas não foi um sonho. Eu tive sonhos em que Bella estava viva. Vários. Na maioria das vezes eu aceitava aquilo como uma breve visita do além ou uma lembrança boa de bons momentos. Eu sabia muito bem o que era um sonho, mas aquilo com certeza não era nenhum parecido aos que já tive ou mesmo um sinal de que estou ficando louco.
Nem havia sido um fantasma, não que eu acreditasse neles, mas, na dúvida era bom ter a mente aberta. Só que fantasmas não envelhecem, e a Bella do vídeo envelhecera. Não muito, mas já havia se passado oito anos. Fantasmas tão pouco cortam o cabelo e o dela estava curto, num estilo mais moderno.
Era Isabella, ela estava viva.
Senti as lagrimas voltarem só que dessa vez tentei conte-las. Eu sempre chorei com facilidade, mas, após a morte de Bella, era como se eu não conseguisse mais. Não queria ter que gastar todas as minhas lagrimas por alguém que vai voltar. Mas ela não esta viva? Então por que não estou chorando?
Quando Bella morreu, escancarei as portas e deixei o sofrimento entrar. Não me incomodei de senti-lo integralmente. E doeu, doeu tanto que algo não deixava tudo aquilo acontecer de novo.
Não sei por quanto tempo fiquei sentado ali. Meia hora talvez. Tentei acalmar minha respiração e mente. Eu queria ser racional comigo mesmo. Tinha de ser. Eu deveria estar na casa de Charlie e Reneé agora, mas não conseguia me ver os encarando-os.
Foi aí que me lembrei de outra coisa. Marie Goodhart.
O agente Eric perguntou se esse nome me dizia alguma coisa. Dizia-me e muito.
Bella e eu costumávamos fazer uma brincadeira infantil. Você pega seu nome do meio e o transforma em prenome, depois pega o nome da rua onde nasceu ou cresceu e o transforma em sobrenome. Por exemplo, meu nome completo é Edward Anthony Masen Cullen e eu cresci na Dardy Road, portanto eu era Anthony Dardy e Bella seria....
Marie Goodhart.
Só que tem um problema, como ele sabia disso sendo que eu e Bella não contamos pra ninguém? Muito estranho.
Peguei o telefone. Primeiro liguei para Renee e disse que chegaria mais tarde. As pessoas aceitam isso de médicos. É um dos benefícios da profissão.
Quando liguei para Eric, a secretaria eletrônica atendeu. Pedi que me ligasse quando possível.
Reclinei-me na cadeira, mas a voz do computador arrancou-me do transe com outro “você recebeu um e-mail”. Projetei-me para frente e agarrei o mouse. O endereço de remetente era estranho, mas o assunto era a câmera de rua. Outro aperto no peito.
Cliquei no ícone pequeno e o e-mail surgiu:

Amanhã, duas horas depois deste horário, em www.bigfoot.com [N/A: e-mail inventado kkk’]
Uma mensagem será deixada para você.
Seu nome de usuário: Bat Street
Senha: Teenage.

Embaixo disso no rodapé da tela, mais seis palavras:

ESTÃO OBSERVANDO. NÃO CONFIE EM NINGUÉM.

***
Narradora

Demetri, o homem loiro observou Felix cuidar tranquilamente da limpeza.
Felix é um Italiano de 26 anos com uma aparência forte, mais forte do que o considerado para uma pessoa de 26 anos. Demetri conhecia varias pessoas assim, mas Felix era diferente. Os músculos eram ótimos, mas o verdadeiro segredo estava em seus dedos. Passava horas exercitando-os, esmurrando blocos de concreto, expondo as mãos ao calor e frio, fazendo flexões peitorais com um só dedo. Quando aqueles dedos entravam em ação, a devastação nos ossos e tecidos da vítima era inimaginável.
Quando Felix terminou de limpar a bagunça olhou para Demetri. Os olhos sem brilho, sem nenhuma expressão ou algo parecido.
- Devo levá-lo para o Tay? – Perguntou Felix. Sua voz era grossa demais e assustadora para um jovem rapaz.
Demetri assentiu com a cabeça. Tay era dono de um crematório.
- E suma com isso também. – Demetri entregou o 22 para Felix. O revolver parecia insignificante nas mãos de Felix. Ele fez cara de reprovação, talvez desapontado porque Demetri preferia usar aquilo ao eives de uma luta corpo a corpo. Com um 22 raramente havia feridas mortais. Isso significava menos provas. O sangue havia sido contido com o plástico, nada de sujeira nada de confusão.
- Até mais tarde – disse Felix. Ele ergueu o cadáver com uma mão só e colocou o revolver no bolso. Abriu a porta, saiu e a fechou.
No final tudo estava claro. A família Volturi era rica demais e muito bem sucedida para ter seu nome sujo por um simples cidadão como Richard. Um golpe daquele iria gerar muita confusão. Se alguém mexesse com um membro da família iria mexer com todos e não estamos falando de qualquer membro, mas sim de Marcos. Imagina se ele iria ser acusado de trair a esposa? Isso seria um escândalo na sociedade e o império dos Volturi acabaria por terra por causa de um simples e insignificante golpista.
O celular de Demetri vibrou. Ele pegou e atendeu.
- Alô
- Identificaram os corpos do lago – disse a outra voz.
- E aí?
- São eles. Você estava certo, são Chelsea e Willian.
Demetri serrou os olhos.
- O que isso significa Demetri? Não podemos deixar por isso mesmo tem algo muito errado nessa historia, precisamos matá-lo.
-Não sei Aro não vai gostar disso, já se passaram oito anos cara.
- Sei que não, mas não tem outra auternativa.
- Ele precisa morrer Demetri.
- Talvez não.
- E o que vamos fazer? – a outra voz perguntou.
Demetri sabia que não havia alternativa. Ele teria de falar com Aro Volturi. Aquilo desenterraria um passado sombrio e doloroso para todos. Oito anos, depois de oito anos o passando esta vindo à tona. Aquilo abalaria novamente o coração de Aro, mas não tinha escola, era contar, pegar e matar. Demetri respirou fundo e disse:
- Deixe comigo.
Era agora ou nunca. Havia começado a caçada atrás dele.

29 de abr. de 2011

Capitulo 5

Posted by sandry costa On 4/29/2011


O estranho




Narradora


Richard olhou para os dois lados antes de entrar mancando na loja de caixas postais da galeria comercial. Seu olhar percorreu o salão. Ninguém o observava. Perfeito. Ele não conseguia evitar um sorriso. Golpe infalível. Não teria como descobri-lo e dessa vez ele conseguiu o que queria.
O segredo de tudo segundo Richard estava na preparação. Era isso que separava os bons dos ótimos. Os bons ocultam suas pistas, já os ótimos preparam-se para qualquer eventualidade.
A primeira coisa que ele fez foi descolar uma identidade falsa com seu primo fracassado, Tony. Depois, alugou uma caixa postou com o pseudônimo. Sacaram à genialidade? Usar uma identidade falsa e um pseudônimo. Assim, ainda que alguém subornasse o mane atrás do balcão e ficasse sabendo quem alugara a caixa postal, tudo que descobririam seria o nome Taylor e a identidade falsa de Richard.
Não havia como descobrir o próprio Richard.
Do outro lado do salão, ele tentou espiar pela janelinha da caixa postal 419. Difícil distinguir qualquer coisa, mas havia algo ali, sem duvida. Ótimo! Richard aceitava apenas dinheiro vivo ou ordens de pagamento. Nada de cheques, é claro. Nada que pudesse incriminá-lo. E, sempre que apanhava o dinheiro, ia disfarçado. Como naquele momento. Ele usava um boné de beisebol e um bigode postiço. Além disso, fingia mancar. Ele havia lido em algum lugar que as pessoas observavam os mancos, assim, se uma testemunha tentasse identificar o homem da caixa 219 iria dizer o que? Vi um homem, ele tinha bigode e mancava. E, se você subornasse algum funcionário, concluiria que um sujeito chamado Taylor, tinha bigode e mancava.
O Richard Cooper não tinha bigode e nem mancava.
Mas ele também tomava algumas precauções. Nunca abria a caixa postal perto de outras pessoas. Jamais. Se alguém estivesse apanhando a correspondência ou por perto ele fingia estar abrindo uma outra caixa. 
Quando a barra estava limpa, só quando não tinha ninguém por perto ele se dirigia para a caixa 419.  Ele sabia que todo o cuidado era pouco.
Mesmo no caminho até lá, Richard tomava precauções. Estacionava a caminhonete de trabalho – fazia reparos e instalações de TV a cabo na conta leste – a quatro quarteirões de distancia. Ele se esgueirava por duas ruelas no caminho até lá. Usava uma jaqueta preta sobre o uniforme para que ninguém visse o nome Richard bordado no bolso esquerdo da camiseta.
Pensou na bolada alta que provavelmente o aguardava na caixa 219, a menos de três metros de onde se encontrava agora. Sentiu uma inquietude nos dedos, um frio na barriga, tanto tempo de espera e estava ali o que ele mais queria. 
Havia duas mulheres abrindo suas caixas postais no salão. Uma delas se virou e sorriu distraída para ele. Richard se dirigiu as caixas do outro lado do salão, apanhou o chaveiro – seu chaveiro era daqueles que ficam presos no cinto – e fingiu procurara uma chave. Manteve o rosto abaixado e afastado delas.
Dois minutos depois as mulheres haviam pegado suas correspondências e ido embora. Ele estava sozinho. Rapidamente atravessou o salão e abriu sua caixa.
Bingo!
Um pacote endereçado a ele. Embrulhado em papel pardo. Numa indicação de remetente. E suficientemente grosso para conter uma grana preta. 
Richard sorriu e pensou: “Será que os 50 milhões estão aí” 
Estendeu as mãos tremulas e apanhou o pacote. Bom peso. O coração disparado. Ele vinha aplicando aquele golpe havia quatro meses.
Dando outra geral no salão Richard colocou pacote no bolso da jaqueta e saiu andando, ou melhor, mancando as pressas. Pegou um caminho diferente ate a caminhonete e partiu para firma. Seus dedos encontraram o pacote e o acariciaram. Cinqüenta milhões de dólares. O número o deixava fora de si. 
Quando chegou a instalação da firma, já era de noite. Estacionou a caminhonete e atravessou a passarela ate seu próprio carro, um Honda Civic 91 todo enferrujado. Olhou com desdém para o veículo e pensou: “Logo me livrarei de você”. 
O estacionamento dos funcionários estava vazio. A escuridão começou a oprimi-lo. Conseguia ouvir os próprios passos. O frio penetrava a jaqueta. Cinqüenta milhões. Ele tinha cinqüenta milhões no bolso. Richard arqueou os ombros e apressou os passos. 
A verdade era que dessa vez estava assustado. Teria de parar com o golpe. Um bom golpe, sem duvida. Mas agora ele estava jogando contra pessoas importantes. Uma pessoa acima de qualquer outra. Um clã digno de respeito e um clã digno para matar. 
O golpe era simples, e era essa simplicidade que o tornava extraordinário. Toda resistência com TV a cabo tinha uma caixa de distribuição na linha telefônica. Quando você assinava algum canal especial, como Showtime, [N/A: Pesquisei vários canais americanos de TV a cabo, então ignorem se estiver errada gente, mas foi o que encontrei] um técnico mexia em algumas chaves. Aquela caixa de distribuição contém seu histórico de TV a cabo. E esse histórico revela suas preferências. 
As empresas de TV a cabo e o hotéis fazem questão de garantir aos clientes que suas faturas não revelarão o nome dos filmes que viram. Isso pode ser verdade, mas não significam que eles não saibam. 
O que Richard havia descoberto de cara era que as opções de TV a cabo funcionavam por códigos, transmitindo as informações do pedido, através da caixa de distribuição, aos computadores da sede da empresa de TV a cabo. Então ele subia nos postes telefônicos, abria as caixas e anotava os números. De volta ao escritório, digitava os códigos e descobria tudo. 
Ficava sabendo, por exemplo, que às seis da tarde do dia três de março você e sua família alugaram O rei leão pelo pay-per-viw. Ou, dando um exemplo mais revelador, que às dez e meia da noite de seis de março você encomendou “programada para transar” via canal de TV a cabo [N/A: Pessoal eu não sei nome de filmes pornográficos kkkkkk então nessa hora a gente inventa né] 
Entendeu o golpe?
De início, Richard atacava aleatoriamente. Escrevia uma carta para o proprietário da residência. A carta era curta e grossa. Ela listava quais filmes pornográficos haviam sido vistos, a que horas e em que dias. Deixava claro que cópias daquela informação seriam distribuídas a todos os membros da família e aos vizinhos. Depois, pedia 500 dólares para manter segredo. Não era lá uma quantia muito alta, mas para ele era a quantia perfeita, pois era alta o suficiente para engrossar sua conta bancaria, mas baixa o suficiente para que a maioria dos alvos não hesitasse em pagar. 
Mesmo assim, apenas dez por cento respondiam. Richard não sabia direito o por quê. Talvez assistir a filmes pornográficos não fosse tão vergonhoso como antigamente. Talvez a esposa do cara soubesse dos filmes. Talvez ela ate os visse junto com ele. Mas o verdadeiro problema era que o golpe de Richard era disperso demais. Ele precisava escolher melhor suas vitimas.
Foi aí que lhe ocorreu a ideia de se concentrar em pessoas de determinadas profissões, cuja imagem seria prejudicada se caso a informação fosse divulgada. Mais uma vez, os computadores da empresa de TV a cabo forneceram todos os dados que precisava. Ele começou atacando os professores. Assistentes sociais, ginecologistas, deputados, etc. 
Os professores eram os que mais entravam em pânico, mas eram os que menos tinham dinheiro. Ele também tornou as castas mais especificas. Passou a mencionar os nomes da esposa e dos filhos. No caso dos professores, prometia enviar ao governo e aos pais dos alunos a “prova da perversão”, expressão inventada por ele. No caso dos médicos ameaçava enviar a “prova” ao Conselho de Medicina, alem de jornais locais, vizinhos e pacientes.
Com isso o dinheiro passou a entrar mais rápido em sua conta bancaria.
Até então, o golpe de Richard havia lhe rendido quarenta mil dólares. Agora, ele conseguira cinqüenta milhões de dólares. Muito dinheiro para uma pessoa só.
Sim, dessa vez Richard atingira alguém importante. Bota importante nisso. Marcos Volturi. Um senhor educado, boa-pinta, rico, tinha uma esposa maravilhosa, filhos nota dez, aspirações políticas, tinha mansões, carros luxuosos, iates, era o chefe de todo o dinheiro da família Volturi. E Marcos Volturi não solicitara somente um filme ou menos dois. Durante um mês Maços solicitara 23 filmes pornográficos na ausência de sua esposa. 
UAU!
Richard passou duas noites rascunhando suas exigências, mas no final ateve-se ao básico: curto, frio e bem especifico. Pediu cinqüenta milhões para Marcos Volturi. Exigiu que estivessem em sua caixa postal naquele exato dia. E com certeza aqueles cinqüenta milhões estavam no bolso da sua jaqueta agora.
Richard estacionou o carro na rua e andou ate o portão do prédio. A visão de sua moradia não era uma das melhores e isso o deprimiu. Em breve ele não estaria mais ali. Com certeza ele não estaria. 
Richard subiu as escadas. Na verdade, ele nunca cumpria suas ameaças. Nunca enviara as cartas que prometera. Se um alvo não pagasse, pronto final. Prejudica-lo não adiantaria nada. Era um jovem golpista, que só queria dinheiro, nada mais que isso.
Richard chegou ao patamar da escada e parou diante da porta do apartamento. Um breu, a maldita lâmpada do corredor estava queimada de novo. Suspirou e levantou o grande chaveiro. Apertou os olhos no escuro, tentando encontrar a chave certa. Ele acabou a encontrando pelo toque. Tateou a maçaneta ate que a chave encontrasse a fechadura. Abriu a porta, entrou e sentiu algo estranho.
Franziu a sobrancelha. Plástico, pensou. Estava pisando em plástico. Como se um pintor o estivesse estendido para proteger o chão ou algo semelhante. Deu um peteleco no interruptor, e foi ai que viu o homem com um revólver.
-Oi Richard.
Richard suspirou e deu um passo para trás. O homem diante dele parecia ter uns 30 anos. Era alto, magro, cabelos em um tom claro, uma postura formal e ereta, uma pessoa que aparentava ser de classe alta, usava um terno preto com um camisa social branca e sim ele tinha um revolver apontado para Richard.
Outro homem que bloqueava a porta era três vezes maior que o primeiro e que Richard junto. Ele era alto, grande, forte, cabelos pretos, uma pele lisa, uma postura rígida com os braços cruzados sobre o peito.
Richard tentou pensar, descobrir o que eles queriam. Raciocinar com ele. Você é um golpista e tanto, lembrou a si mesmo. Você é esperto, sua mente dizia.
- O que vocês querem? – Richard perguntou.
O homem magro e alto com os cabelos claros apertou o gatilho.
Richard ouviu um estouro, e então seu joelho esquerdo explodiu. Seus olhos arregalaram. Ele gritou e desmoronou, segurando o joelho. O sangue jorrava por entre seus dedos.
- É um 22 – disse o grandão que estava na porta apostando para a arma. – Um revólver de pequeno calibre. O que mais gostamos nele, como você verá, é que a gente pode dar um monte de tiros sem matá-lo.
Com os pés ainda levantados o homem atirou novamente. Dessa vez atingiu o ombro de Richard, que sentiu o osso estilhaçar. Seu braço se desprendeu como uma porta de celeiro cuja dobradiça acabara de quebrar. Ele caiu de costas e começou a ofegar. Uma terrível onde de medo o invadiu. Seus olhos permaneciam arregalados, sem piscar, e no atordoamento percebeu algo, o plástico.
Estava deitado sobre o plástico. Mais do que isso, sangrava sobre ele. Para isso servia o plástico. Os homens o haviam estendido para não deixar nenhum vestígio no lugar.
-Você vai me contar o que quero saber – Disse o de cabelo claro – ou vou ter que atirar de novo?
Richard começou a falar. Contou tudo a eles. Revelou onde estava o resto do dinheiro. Disse onde estavam as provas. O grandão indagou se ele tinha algum cúmplice. Richard disse que não. O loiro atirou no seu outro joelho. Voltaram a perguntar se ele tinha cúmplices. Richard repetiu que não. Então o loiro atirou em seu tornozelo direito.
Uma hora depois Richard implorou para que atirassem em sua cabeça.
Duas horas depois o loiro atendeu seu pedido. Richard estava morto. 




Narradora: Pessoal talvez vocês não entendam muito esse capitulo, mas prometo que logo vocês iram entender. Eu aceito criticas se caso não gostarem e se gostarem comentem. Tentei fazer um capitulo diferente dessa vez e não sei se ficou muito bom, mas ficou o jeito que queria. Não se preocupem pois o Richard não era muito importante para a fic então ele é apenas um dos vários que irão morrer ao longo da fic.
Pessoal espero que tenham gostado desse capitulo.
Beijos da Jess.

14 de abr. de 2011

Capitulo 4

Posted by sandry costa On 4/14/2011


Inacreditável.


EDWARD


Corri para o consultório cedo na manhã seguinte, chegando duas horas antes do primeiro paciente agendado. Liguei o computador, encontrei o e-mail estranho e cliquei no link. A mensagem de erro surgiu novamente. Fitei a mensagem lendo-a repetidas vezes na esperança de descobrir um sentido mais profundo. Não encontrei.
Na noite anterior, eu tinha ido tirar sangue. O teste de DNA levaria semanas, mas o agente Eric achou que conseguiria um resultado preliminar antes disso. Ele estava escondendo alguma coisa de nos e eu não fazia idéia do que seria.
Sentado na sala de exames aguardando o primeiro paciente, relembrei a visita de Eric. Pensei nos dois corpos. No maldito taco de beisebol. 
O corpo de Bella tinha sido encontrado próximo à rodovia 80 cinco dias após o rapto. O legista estimulou que ela estava morta há dois dias. Isso significava que ela passara três dias viva nas mãos de Laurent. Três dias a sós com o monstro, assustada, no escuro e em imensa agonia. Faço muito esforço para não pensar nisso. A mente não deveria visitar certos lugares, mas a minha sempre acaba sendo levada até lá. 
Laurent foi capturado três semanas depois. Ele confessou o assassinato de 14 mulheres que começara com uma estudante em Harvard e terminara com uma prostituta no Bronx. Todas as vítimas foram encontradas em beiras de estradas, despejadas como lixo. Todas haviam sido marcadas com a letra L. Marcadas como se marca um gado. Em outras palavras, Laurent pegou um atiçador de metal, esperou até que ficassem em brasa e queimou a linda pele de minha Bella. 
Minha mente se embrenhou por um desses caminhos errados, sendo invadida por imagens. Apertei os olhos e tentei expulsá-las. Não adiantou. Ele continuava vivo por sinal. Refiro-me a Laurent. Nosso sistema penal dá a esse monstro a chance de respirar, ler, conversar, ser entrevistado pela CNN, receber visitas de assistentes ou no caso até de familiares e sorri. Enquanto isso, suas vitimas apodrecem.
Passei água fria no rosto e me olhei no espelho. Meu aspecto estava horrível. Os pacientes começariam a chegar às nove horas. Eu estava perturbado. Maus olhos não desgrudavam do relógio da parede, esperando pela “hora do beijo” – seis e quinze da noite. Os ponteiros do relógio avançavam penosamente, como se não quisessem sair do lugar. 
Imergi no cuidado dos pacientes. Sempre tive essa habilidade. Quando criança, conseguia estudar horas e horas. Come médico consigo mergulhar em meu trabalho. 
-Isso não vai dor está bem? – Eu dizia para minha paciente que me olhava com o olhar assustado. 
-Promete? – Ela já estava com a voz embargada. Era incrível como crianças possuíam vários medos, mas o principal era de injeção. 
-Prometo. – Disse tentando sorrir ou parecer convincente para uma menininha de seis anos. Era um doce de criança. Educada e feliz. Sempre vinha ao meu consultório sorrindo. 
A meninha me olhou enquanto eu me aproximava com uma seringa na mão e na outra um pequeno algodão. Pedi para que ela tirasse a blusa de frio que estava usando, mas a mesma não me obedeceu. O que me sorrir de novo com tanto medo que ela apresentava ter. Eu aqui me preocupando com o assassinato de minha esposa e essa garotinha se preocupando com uma simples injeção. 
-O tio promete pra você que não vai doer. É só uma picadinha, você nem vai sentir. – Disse enquanto passa o algodão em seu braço. Esperei até que ela se acalmasse e antes que ela pudesse se manifestar eu já havia aplicado à injeção.   
A menina sorriu para mim assim que eu terminei. Ajudei-a descer da maca e como de costume eu dei-lhe um pirulito de morango.


***

Ao meio-dia, eu engoli as pressas um sanduíche de presunto com Coca Cola e, em seguida atendi mais um paciente. Um menino de oito anos que consultara um fisioterapeuta para um tratamento de “alinhamento de coluna” umas oitenta vezes no ultimo ano. Ele não tinha problema algum na coluna. Aquilo era uma armação preparada por alguns fisioterapeutas da região, que oferecem aos pais uma TV ou um aparelho de DVD grátis se eles levarem os filhos. Depois cobram o tratamento do governo. 
As cinco da tarde despedi-me do último paciente. O pessoal do apoio 
Saiu às cinco e meia. Esperei a clínica ficar vazia antes de me sentar diante do computador. Ao fundo ouvia os telefones tocando. 
Conectei a internet, abri o e-mail e cliquei no link. Continuava dando erro. Pensei na estranha mensagem e nos cadáveres mencionados por Eric. Tinha de haver uma ligação. Minha mente voltava toda hora àquele fato aparentemente simples. Comecei a analisar as possibilidades.
Primeira possibilidade: aqueles dois homens eram vítimas de Laurent. É verdade que suas vítimas sempre foram mulheres e foram facilmente encontradas, mas isso excluía o assassinato de outras pessoas? 
Segunda possibilidade: Laurent convencera aqueles homens a ajudá-lo a raptar Isabella. Isso explicaria muita coisa. O taco de beisebol, pó exemplo, se o sangue encontrado fosse realmente meu. Amém disso, minha grande dúvida sobre aquele rapto ficaria esclarecido. Em tese, Laurent, como todos os serial killers, trabalhava sozinho. Eu sempre me perguntei como ele conseguira arrastar Bella até o carro, e ao mesmo tempo, aguardar até que eu saísse da água. Antes do aparecimento do corpo, as autoridades haviam presumido a existência de mais um envolvido. Mas, uma vez que encontraram o corpo com a marca L, essa hipótese fora abandonada. Eles ficaram com a teoria de que Laurent teria algemado ou de algum modo dominado Bella e depois ido atrás de mim. Não era um ajuste perfeito, mas dava pra enganar.
Agora tínhamos outra explicação. Ele tivera cúmplices e os matara. 
A terceira possibilidade era a mais simples: o sangue no taco não era meu. B positivo não é um tipo sanguíneo comum, mas não é raro. Possivelmente esses corpos não tinham nada a ver com a morte de Bella, mas essa ultima possibilidade não me parecia convincente. 
Olhei o relógio do computador que marcavam 18h04m42s.
Faltavam dez minutos e dezoitos segundos para...
Para que? 
Meu celular tocou. Olhei no visor
“Número desconhecido”
Oito minutos.
Refleti a respeito, mas não por muito tempo. Qualquer coisa era melhor que ficar preso nos meus próprios pensamentos. 
Decidi telefonar para ele.
Eric novamente sabia quem era antes de atender.
-Sinto muito incomodá-lo Edward, mas tenho uma pergunta rápida para você. 
Levei a mão de volta ao mouse, movi o cursor sobre o link e cliquei. O navegador deu sinal de vida. 
-Estou ouvindo – respondi.
O navegador estava demorando mais desta vez. Não apareceu nenhuma mensagem. 
-O nome Marie Goodhart diz alguma coisa?
Quase deixei o celular cair.
-Edward?
Afastei o celular e contemplei-o como se tivesse acabado de se materializar na minha mão. Aos poucos fui me recompondo. Quando me recuperei do choque, trouxe o fone de volta ao ouvido. 
-Por que quer saber? 
Algo começou a aparecer. Apertei os olhos. Uma daquelas câmeras aéreas. No caso, parecia uma câmera de rua. A internet esta cheia delas agora. 
-É uma longa historia – respondeu Eric.
Eu precisava ganhar tempo. 
-Li para você mais tarde e espero uma resposta. 
Desliguei o celular. Marie Goodhart. O nome significava muita coisa para mim. Era ela. Aquele nome era muito, muito familiar [N/A: Quem será essa Marie heim gente kkk] 
Que diabo estava acontecendo aqui?
O navegador parou de carregar. No monitor, vi uma cena de rua em preto e branco. O resto da página estava vazio. Nada de bâneres ou títulos. Eu sabia que era possível configurá-los de modo que se visse apenas outra determinada imagem. Era o que tínhamos ali. 
Olhei no relógio do computador. 
18h12min18s.
A câmera mostrava uma esquina razoavelmente movimentada, de uma altura de aproximadamente cinco metros. Eu não sabia qual esquina era aquela ou em que cidade ficava. Mas sem duvida era uma cidade grande. Pedestres fluíam principalmente da direita para esquerda, as cabeças baixas, os ombros caídos, com pastas na mão, mortos após um dia de trabalho, talvez indo tomar o trem ou o ônibus. Na extrema direita, vi o meio-fio. O tráfego de pedestres vinha em ondas, provavelmente coordenado com a mudança do sinal de trânsito.
Por que alguém me enviaria aquela filmagem?
O relógio marcava 18h14min21s. Faltava menos de um minuto.
Mantive os olhos grudados na tela e aguardei a contagem regressiva, como se fosse a véspera de ano-novo. Minha pulsação começou a acelerar. Dez, nove, oito...
Outras pessoas cruzaram a tela da direita para a esquerda. Desgrudei os olhos do relógio. Quatro, três, dois. Prendi a respiração e aguardei. Quando voltei a olhar o relógio, ele marcava: 
18h15min02s.
Nada tinha acontecido – mas, também, o que eu estava esperando?
Aquela onda de gente passou e, novamente, por um ou dois segundos não apareceu ninguém na imagem. Reclinei-me para trás, respirando fundo. Uma brincadeira pensei. Uma brincadeira de mau gosto, sem dúvida. Péssimo gosto. Mas mesmo assim...
Então alguém surgiu diretamente debaixo da câmera. Era como se estivesse escondida ali o tempo todo.
Inclinei-me para frente.
Era uma mulher. Deu para perceber, embora ela estivesse de costas para a câmera. Os cabelos eram curtos, mas, com certeza tratava-se de uma mulher. Do meu ângulo, eu não conseguia ver nenhum rosto até então. Tudo continuava igual, pelo menos até agora.
A mulher parou. Observei o alto de sua cabeça, quase desejando que ela olhasse para cima. Ela deu outro passo. Estava no meio da tela agora. Outra pessoa passou por ela. A mulher ficou parada. Depois, deu meia-volta e, lentamente, elevou o queixo até olhar direto para a câmera.
Meu coração parou.
Coloquei a mão na boca e sufoquei um grito. Eu não conseguia respirar. Eu não conseguia raciocinar. Lágrimas encheram meus olhos e rolaram pelo meu rosto.
Fitei-a e ela me fitou.
Outros pedestres atravessaram a tela. Alguns esbarraram nela, mas a mulher não se moveu. Seu olhar estava fixo na câmera. Ela levantou a mão como que em minha direção. Minha cabeça girou. Era como se o fio que me ligasse a realidade tivesse se rompido.
Fiquei a deriva.
Ela manteve a mão levantada. Lentamente, consegui levantar minha mão. Meus dedos tocaram a tela do computador, tentando encontrar os dela. Mais lágrimas rolaram. Acariciei suavemente o rosto da mulher e senti meu coração afundar.
- Bella – murmurei.
Ela permaneceu ali por mais alguns segundos. Depois, disse algo para a câmera. Não pude ouvi-la, mas consegui ler seus lábios.
-Sinto muito – Balbuciou minha esposa morta. E saiu andando

3 de abr. de 2011

Capitulo 3

Posted by sandry costa On 4/03/2011


A conversa.

EDWARD

Sai do consultório muito preocupado. Perguntas sem respostas inundaram minha mente. Quem teria mandado o E-mail? Alice? Não Alice é minha amiga, minha melhor amiga, ela jamais faria isso comigo. Eu tinha certeza que só uma pessoa podia ter me mandado aquela mensagem. Bella, o Deus! Será que era da Bella? Não podia ser.
Entrei em meu carro e dirigi o mais rápido possível para casa. Minha cabeça is explodir a qualquer momento. Calma Edward mantenha a calma. O aniversário do nosso primeiro beijo era só amanhã. Eu teria que esperar até as 18h15m de amanhã.
Deixei meu carro estacionado na rua. Eu ainda tinha que ir à casa da Alice, Luke me esperava. Entrei em casa e fui direto para o banheiro, eu precisava relaxar. Precisava de um banho.



Chloe, minha cachorra correu em minha direção, abanando o rabo antes mesmo de eu subir as escadas. Afaguei-a atrás de suas orelhas caídas. Ela ficou quieta por alguns instantes e depois começou a olhar para porta.
-Agora não Chloe, quem sabe mais tarde. – Disse subindo as escadas.
Chloe é uma Collie. Bella e eu a compramos logo depois do casamento. Bella adorava cachorros. Eu não, mas agora adoro.

Fiquei uns 40 minutos em baixo do chuveiro. A água quente fez com que meus músculos relaxassem. Eu me permiti esquecer meus problemas por apenas 40 minutos, só 40 minutos. Sai do banheiro fui até o closet. Parei na porta e minha respiração acelerou. A roupa de Bella penduradas e dobradas perfeitamente como ela deixou há oito anos atrás ainda continuavam ali. A solidão daquele quarto, daquela casa. Era tudo horrível para mim. Mas sabem o porquê eu não me mudo? Porque a cada canto dessa casa, existe algo da Bella, e essa é a única forma que eu tenho de sentir que ela esta perto de mim.
Troquei-me rapidamente e fui até a cozinha a caixa eletrônica estava com mensagens. Fiquei com medo de ouvir, mas lembrei que poderia ser a Alice. Apertei o botão e ouvi as mensagens.
“Oi Edward é a Alice, queria saber que horas você vai vim estou preparando o jantar, beijos.”.
“Tiooooooooo, mamãe disse que você vai me levar no parque, to te esperando heim, vê se não demora.” Essa eu tive que ri, só podia ser o Luke.
“Querido, aqui é Esme, você desapareceu, estou preocupada filho. Ligue-me mais tarde.” Dei um suspiro e apertei o botão, as mensagens haviam acabado. Eu tinha que ligar para Esme, ela realmente estaria preocupada, mas deixarei isso para mais tarde.
Sai de casa, fechei a porta e fui para o carro. Eu precisava de um tempo, e acho que meu sobrinho iria me divertir hoje.
***
Cheguei à casa da Alice, uma casa bem maior que a minha e muito mais bonita.


Adivinha quem estava me esperando na porta? Ele mesmo, o próprio. Luke Brandon Cullen o melhor sobrinho do mundo.
-Tioooooooooo. – Ele gritou e veio correndo em minha direção. Abri meus braços e ele pulou no meu colo.
-Tio que bom te ver. – Ele disse sorrindo.
-Também é bom te ver pequeno. – Disse retribuindo o sorriso.
-Vem a minha mãe ta te esperando. – Ele disse.
Coloquei-o no chão e ele foi me puxando até a porta. Entrei e a fechei logo em seguida.
-Edward. – Alice veio me cumprimentar com um beijo na bochecha.
-Vem Edward, eu estou acabando de fazer o jantar. Fique a vontade. – Alice me tratava como se eu fosse uma visita e eu já me sentia uma pessoa de casa. Ela sempre foi assim, todos que chegassem a sua casa seriam bem recebidos.
Sentei-me no sofá e ao lado de Luke que assistia aos filmes da Disney.
-Achei que ia me esperar para assistir garotão. – Disse bagunçando seu cabelo.
-Eu ia, foi por isso que eu tentei ajudar a mamãe na cozinha, mas ela não deixou então eu não consegui te esperar. – Ele disse com um sorriso sapeca.
Luke era a réplica perfeita do Jasper, só que em tamanho menor. Ele era loiro como o pai, tinha os olhos castanhos claros como à mãe e a educação dos dois. Luke era uma criança diferente. Ele falava,”por favor,” quando ia te pedir algo e dizia “obrigado” quando fazíamos algo para ele ou lhe dávamos algo. Ele definia isso como “as palavrinhas mágicas”. Era bom ter sua companhia, era confortável estar ao lado daquele pequeno garoto.



-Tio, posso te perguntar uma coisa? – Luke disse sentando em meu colo.
-Depende.
-É serio
-Então pergunte.
-Se o meu pai e minha mãe se separarem você me adota? – Por essa eu não esperava. O que é que o Luke queria agora? Como assim? Alice e Jasper se separando. Confesso que fiquei em choque com essa hipótese.
-Porque você diz que seus pais vão se separar? – Perguntei.
-Ontem à noite eu ouvi uma coisa. – Ele disse quase em um sussurro e olhou na direção da cozinha, para ver se Alice não estava vindo.
-Que coisa? – Perguntei curioso.
-Os meus pais brigando. – Ele abaixou a cabeça. – A mamãe disse que ele não tinha mais tempo para mim e que ele só se preocupava com o trabalho, então eu ouvi meu pai dizendo que se ela continuasse com isso ele iria pedir o divorcio. – Eu estava pasmo diante daquilo. Luke era uma criança muito esperta e ele sabia o significado da palavra divorcio.
-Luke seus pais não vão se divorciar. – Eu disse tentando acalma-lo pois o pequeno já chorava no meu colo.
-Promete tio. – Ele disse com os olhos marejados
-Prometo garotão. – Disse o abraçando e afagando seus cabelos.
-Pronto gente o jantar esta pronto. – Alice disse entrando na sala toda sorridente.
-Que bom eu estou morrendo de fome. – Disse
-Ótimo Edward. Luke vá lavar as mãos para jantar. – Luke assentiu e desceu do meu colo cabisbaixo.
-Alice será que podemos conversar antes de jantar? – Perguntei.
-É melhor jantarmos e depois conversamos. – Ela disse me rebocando para a sala de jantar.
***
Jantamos em silêncio, bem eu e a Alice, pois o Luke não parava de falar sobre a fase do vídeo game que ele havia passado. O jantar estava agradável, Alice sabia cozinhar muito bem e sua companhia assim como a do Luke era confortável.
-Amor porque você não vai assistir TV enquanto eu e seu tio Edward conversamos? – Alice disse quando terminamos de jantar.
-Está bem mãe. – Luke se levantou da cadeira e correu em direção a sala.
-Você não vai vim tio? – Ele gritou.
-Já estou indo. – Gritei de volta.
Enquanto Alice tirava os pratos da mesa e os lavava eu continuei sentando esperando que ela terminasse.
-Pode dizer o que você quer Edward. – Ela disse de costas para mim lavando os pratos na pia.
-Preciso conversar com você. – Eu disse.
-Pode falar. – Ela ainda continuou de costas.
Inclinei-me na cadeira e dei uma olhada para a sala para certificar que Luke não nos ouviria.
-Que historia é essa de que você quer se divorciar do Jasper? – Fui direto ao ponto. Ela ficou rígida e em silêncio por alguns minutos.
-Não sou eu que quero me divorciar é ele. – Ela apenas disse isso.
Levantei-me da cadeira e encostei-me na pia com os braços cruzados sobre o peito a encarando.
-Foi o Luke não foi? – Ela perguntou com a cabeça baixa.
-Foi. Ele me pediu para adotá-lo se vocês se divorciarem.
Ela me olhou incrédula e com uma expressão envergonhada.
-Escuta Alice. – Comecei a encarando. – Não vai adiantar você culpar o Jasper por ele não passar muito tempo com o Luke. Quando você se casou com ele você sabia que iria ser assim, então não o culpe.
-Mas...
-Sem, mas. – Eu a interrompi. – Eu não acho que Jasper é um mau pai Alice, mas é o trabalho dele. Jasper é empresário, ele viaja o mundo, mas sempre que pode esta com o Luke. Semana passada os dois não foram para a praia? Então Alice, Jasper ama o Luke ele só não tem muito tempo. – Eu disse com calma para que ela entendesse o lado do Jasper.
-Acontece que ele gosta do trabalho e o coloca acima de tudo, a cima do próprio filho e esposa. – Ela disse se virando para a sala onde Luke jogava vídeo game.
-Mas creio que como um bom casal vocês devem conversar e de preferência longe do Luke. – Disse para ela.
-Você tem razão. – Ela concordou comigo. – Eu Jasper precisamos mesmo conversar e chegaremos a uma solução juntos. – Ela disse com um sorriso.
-Isso mesmo. – Disse a abraçando. Ficamos assim abraçados como amigos por um longo tempo até que o telefone tocou. Alice olhou para mim, eu dei de ombros. Alice pegou o telefone a atendeu.
-Sim?
-Dr. Edward Cullen está? – Perguntou uma voz masculina.
-Quem é?
-Agente Eric do FBI, por favor, gostaria de falar com Edward Cullen.
-Ele não está.
-Eu sei que está, estou na frente de sua casa e o carro dele esta aqui então, por favor.
Alice tirou o telefone do ouvido e me entregou.
-Quem é? – Não pude contar a curiosidade na minha voz.
-Agente Eric do FBI. –Eu pude perceber o medo em sua voz.
Há oito anos eu não o via. Desde o incidente no lago eu nunca mais ouvir falar do agente Eric, só me lembrava das vezes que ele me visitou no hospital com uma expressão de dúvida.
O que ele poderia querer depois de tanto tempo?
Peguei o telefone e coloquei no ouvido.
-Alô
-Dr. Cullen, que bom que pegou o telefone eu achei que teria que entrar a força na casa de sua cunhada.
-O que posso ajudá-lo Eric? – Perguntei tentando ser educado, já Alice me fitava com curiosidade e fitava a janela da cozinha olhando para o lado de fora. Percebi que tinha uma viatura da policia estacionada atrás do meu carro.
 -Será que eu posso conversar com você Dr. Cullen.
Não respondi, desliguei o telefone e fui abrir a porta da sala e como esperava agente Eric estava ali parado diante da porta.
-Dr. Cullen. – Ele estendeu a mão em um cumprimento.
-Agente Eric – Estendi minha mão também.
-Não vai me convidar para entrar? – Ele perguntou e eu dei passagem para que ele entrasse.
-Como vai senhorita Alice. – Eric cumprimentou Alice que não gostou nem um pouco de sua visita.
-Isso é uma visita social? – Ela perguntou.
-Creio que não Alice, será que podemos conversar? – Ele a olhou e depois seu olhar veio até mim.
-Claro, sente se, por favor. – Alice disse educadamente.
Notei que Luke não estava mais na sala. Isso seria ótimo, ele não precisava ouvir as conversas dos adultos.
-O que ouve Agente Eric? – Alice perguntou.
-Bem vocês devem ter ouvido os noticiários na TV, viram que foram encontrados dois corpos perto do lago Esme.
Eu não havia visto o noticiário, mas sabia que Alice havia visto.
-e daí? – Perguntei
-Eles estavam perto de sua propriedade.
-A propriedade não é minha e sim dos meus pais.
-Mas a propriedade esta sob sua responsabilidade? – Ele perguntou.
-Não, está sob minhas responsabilidades – Manifestou-se Alice. 
Eric a fitou por poucos segundos e depois me fitou.
-Mas o que os corpos têm a ver com isso? Eles não estavam em nossa propriedade estavam? – Perguntei curioso.
-Na verdade eles estavam em um terreno a oeste. – Ele nos informou.
-Então o que você quer aqui? – perguntei.
-Vocês se incomodariam de dizer quando estiveram pela ultima vez no lago?
-Estive lá no mês passado - Disse Alice.
Mas seus olhos estavam em mim e não em Alice.
-E você Edward?
-Há oito anos. – Respondi. Ele balançou a cabeça como se esperasse essa resposta.
-Como disse antes, nos encontramos dois corpos perto do lago Esme.
-Vocês já os identificaram? – Perguntou Alice.
-Ainda não.
-Não é estranho? – Eu perguntei.
Eric refletiu por um momento e depois disse:
-Sabemos que ambos são do sexo masculino, adultos, altos e fortes. Estávamos examinando os registros de pessoas desaparecidas para ver se os identificamos, eles são muito antigos.  
-Quanto tempo? – Perguntei.
-Uns sete ou oito anos. – Ela afirmou.
Alice e eu nos olhamos e depois o encaramos.
-Vocês acham que pode haver mais corpos. – Ela perguntou.
-Nunca se sabe senhorita.
-Então você veio aqui para pedir nossa permissão para escavar o terreno do lago Esme? – perguntei.
-Também.
Esperamos que ele continuasse. Ele pigarreou e me fitou.
-Edward, o seu tipo sanguíneo é B positivo certo? – Ele perguntou.
Abri a boca para falar, mas Alice me impediu.
-O que isso tem haver com os corpos? – Ela perguntou.
-Encontramos uma coisa no local onde estavam os copos.
-Que outra coisa? – Perguntei me encurvando para frente do sofá.
-Isso é confidencial.
-Então trate de dar o fora. – ordenei.
Eric não pareceu surpreso com minha explosão.
Ele se reclinou no sofá e continuou a conversa.
-Eu sei que o assassinato de sua esposa foi levado à justiça e sei que deve ser doloroso tocar nesse assunto. – Ele disse.
-Há oito anos você pensou que eu a tinha matado.
-Não é verdade. Você era o marido. Nesses casos, as chances de um envolvimento de um membro da família são...
-Talvez se você não tivesse perdido tempo com isso a tivesse encontrado viva. – O interrompi nervoso. Eu não estava nos meus melhores dias.
-Minha função era explorar as possibilidades. – Ele afirmou.
-Que diabos você quer aqui agente?
Ele se levantou e disse:
-Quero um exame de sangue seu Edward. – Respondeu ele.
-Por quê?
-Quando sua mulher foi raptada você foi atacado.
-E daí. – Me mostrei desinteressado.
-Foi atingido por um instrumento duro.
-Você esta cansado de saber disso. – Alice que estava quieta se manifestou.
Eric ajeitou a gravata que usava e começou a andar de um lado para o outro.
-Quando encontramos os copos achamos um taco de beisebol.
De repente eu tive um horrível dor de cabeça. Era só essa que me faltava.
-Um taco? – Indaguei.
Eric afirmou com a cabeça.
-Junto com os corpos e sabe o que é mais interessante nisso? – Ele se voltou para nos. – Existia sangue ressecado no taco tipo B positivo. – Ele se virou para mim. – Seu tipo sanguíneo não é mesmo?
***
Recapitulamos tudo: O aniversário do primeiro beijo, a marca na árvore, o som da porta do carro, minhas frenéticas e patéticas tentativas de chegar à margem.
-Você se lembra de ter caído no lago? – Eric perguntou.
-Sim.
-Aí você perdeu os sentidos na água?
Confirmei com a cabeça.
-Você diria que o lago tinha quanto metros de profundidade?
-Você não verificou isso há oito anos atrás? – Indaguei.
-Colabore comigo Edward.
-Não sei, era bem fundo.
-Tudo bem, depois disso você se lembra do que?
-Do hospital. – Respondi.
-Nada entre o momento em que atingiu a água e que acordou no hospital?
-Nada.
-Você não se lembra de ter saído da água? Não se lembra de ter caminhado até a cabana? Sabe, você fez tudo isso. Quando te encontramos você estava no chão da cabana e o telefone estava fora do gancho.
-Eu sei, mas não me lembro.
-Você acha que esses dois homens são vitimas de... – Ela hesitou – Laurent?
Alice pronunciou Laurent rapidamente. O simples ato de dizer o seu nome dava calafrios.
-Não sabemos direito. As únicas vítimas conhecidas de Laurent foram mulheres. Ele nunca escondeu um corpo antes. E a pele dos homens apodreceu então não podemos saber se foram marcados com a letra L. Marcados. Senti minha cabeça girar e girar, fechei os olhos com força e algo veio em minha mente. Sim, agora fazia sentido o porquê do e-mail.